Foto: Valquir Aureliano

Jumar, que deu um susto ontem, é o principal destaque do time nesta reta final.

O Paraná Clube mantém a guarda erguida para a reta final do Brasileirão. Invicto há três rodadas, o Tricolor somou sete pontos neste período, tendo um dos melhores aproveitamentos entre todos os participantes da Série A, ao lado de Santos e Fluminense. A rigor, só perde para o já campeão São Paulo, que pode chegar à terceira vitória consecutiva no jogo de amanhã, frente ao Juventude. Se repetir a performance nos três jogos que restam, o time de Saulo de Freitas tem grandes chances de escapar da degola.

Nas projeções, o porcentual aumentou também significativamente. Antes com 7%, o Paraná tem agora 27% de chances de seguir na elite nacional (segundo o matemático Tristão Garcia). Antes de emplacar essa seqüência – vitórias sobre Internacional e Goiás e empate com o Atlético-MG -, o abismo entre o Paraná e o primeiro clube fora da zona de rebaixamento era de sete pontos. Hoje, essa diferença é de apenas um ponto. ?Já poderíamos estar fora, se tivéssemos vencido em Minas Gerais. Mas aprendemos com aquele resultado?, avaliou o capitão Nem.

Se o momento é bom e o time vem de vitória, pouco importa. Na visão do experiente zagueiro, ?a corda ainda está no pescoço? e não há tempo para relaxar. ?A vitória é passado. O presente é o Botafogo. Faltam três vitórias para a gente atingir a nossa meta?, disparou. Nem evita falar em projeções sobre os rivais. Prefere manter o foco no próximo adversário. Comissão técnica e jogadores preferem trabalhar no limite, cientes de que, para não depender de combinações de resultados, o melhor caminho é atingir 100% de rendimento.

?Não é fácil. Mas muitos já nos davam como mortos e mostramos o contrário em campo. É preciso seguir assim, mobilizados?, afirmou o zagueiro. Foi com essa receita aparentemente simplista que o Paraná encontrou forças para reagir. No mesmo período em que somou sete pontos – sem sofrer um gol sequer -, seus mais diretos concorrentes estagnaram. Goiás e Náutico, por exemplo, perderam todos os pontos que disputaram nessas mesmas rodadas. O Corinthians foi um pouco melhor, totalizando quatro pontos.

Aparentemente, são os quatro clubes que brigam por duas vagas na Série A do ano que vem. Porém, mesmo com porcentuais quase que desprezíveis, Atlético Mineiro, Sport e Vasco ainda não estão livres do descenso. Na próxima rodada, caso vença o Botafogo, no Rio de Janeiro, o Paraná pode enfim sair da zona de rebaixamento. Para isso, torcerá por um empate no duelo Goiás x Corinthians. Em termos práticos, se conseguir somar um ponto a mais que Corinthians e Goiás nesta reta final, o Tricolor se mantém na primeira divisão.

Resumindo: se os mais diretos concorrentes somarem, por exemplo, quatro pontos (uma vitória, um empate e uma derrota), o Paraná atinge seu objetivo com cinco pontos. Nesse caso, superaria o Goiás em um ponto, na classificação geral, e, mesmo ficando com a mesma pontuação do Corinthians, fecharia a temporada com uma vitória a mais que os paulistas. Como já avisou o técnico Saulo de Freitas, os paranistas conviverão com novos ?testes para cardíacos?, até o dia 2 de dezembro.

Preparo físico é um dos segredos

Se a boa seqüência devolveu a confiança ao Paraná Clube, a reação só está sendo possível – na opinião dos atletas – com a recuperação física do grupo. O próprio Saulo de Freitas não esconde que encontrou um grupo muito abaixo do que considera ideal para 90 minutos de correria. Nessa missão, méritos para o preparador físico Fabiano Rosenau, que devolveu a força necessária aos atletas para esta maratona de decisões.

O grupo passou a trabalhar de forma mais intensa a partir da chegada da nova comissão técnica, há menos de um mês. Saulo de Freitas, Fernando Tonet (auxiliar-técnico e fisiologista) e Fabiano Rosenau começaram o trabalho no dia 9 de outubro, e não escondem a satisfação com o que foi realizado até aqui. ?O grupo assimilou nossas idéias e conseguimos formar uma boa estrutura, mesclando a experiência do Nem, por exemplo, com a juventude de atletas como Jumar, Giuliano…?, comentou Saulo.

Para mais uma ?final de Copa?, sábado, no Rio de Janeiro, a única mudança pode ser a volta de Goiano. Após cumprir suspensão automática, ele assume a posição de Adriano, suspenso. O treinador, no entanto, já antecipou que tem opções – inclusive táticas – e que pretende testá-las ao longo da semana. O primeiro trabalho tático está programado para a tarde de hoje.