Time de várias faces ao longo desta Série B, o Paraná Clube busca uma nova identidade a partir do jogo desta noite – às 21h, em São Januário -, contra o Vasco da Gama.

Mesmo num mandato tampão, o interino Ageu Gonçalves quer ver a equipe atuando com personalidade, ciente de suas limitações, mas sem se intimidar diante de um adversário que mira a liderança da competição. Para isso, projeta um Tricolor atuando à sua imagem enquanto jogador: colocando a garra acima da técnica.

O ex-zagueiro viveu momentos de crise e de glórias com a camisa azul, vermelha e branca. Ralou até se firmar como titular da zaga, tendo atuado boa parte de sua carreira improvisado na lateral-esquerda.

Hoje, ele recupera um pouco daquele perfil de “quebra-galho”, sempre disposto a ajudar, não importa de que forma. Inicialmente escalado para supervisionar os treinos da equipe, assim que Sérgio Soares anunciou sua saída, Ageu só foi confirmado como interino após a negativa de Marcelo Veiga.

Em dois treinos táticos, procurou dar sequência àquilo que o seu superior vinha aplicando até então. O esquema não se altera, tampouco as peças, com algumas exceções. A mais significativa, no comando do ataque, onde Wellington Silva deve, enfim, vestir a 9.

Porém, assim como Soares, o interino preferiu não anunciar antecipadamente a equipe, deixando no ar algumas indefinições. “Cada um tem o seu jeito de conduzir as coisas. Treinei algumas opções, mas o time está definido”, disse Ageu.

Será a primeira vez que o ex-zagueiro estará à margem do gramado. Mas, nos seus planos, não será a única. “Nunca escondi que quero ser treinador. Aprendi muito nesses últimos meses e a minha hora vai chegar”, diz Ageu, com serenidade. Com apenas 37 anos, muitos entendem que ele ainda deveria estar dentro das quatro linhas.

“Isso é passado. Não tem volta”, apressa-se em afirmar. O primeiro passo de Ageu nesse novo caminho foi garantir apoio do grupo. “Vamos fazer um grande jogo. O Ageu merece isso”, disse Wellington Silva, ainda sem o hábito de chamar o auxiliar de “professor”.

Na prática, Ageu trabalhou à exaustão a parte tática. Vai explorar o favoritismo do Vasco para jogar no erro do adversário. “Em São Januário, o Vasco é muito forte. Temos que jogar com inteligência, valorizando a posse de bola e esperando os espaços que surgirão”, comentou.

“A torcida, lá, cobra muito. E eles vão se atirar pra cima da gente. Não podemos errar na defesa”, arrematou Ageu, que, como zagueiro, foi muitas vezes capitão, mostrando liderança. Um perfil que será colocado à prova, hoje, no Rio de Janeiro.