e121181204.jpg

Chu e Juliano se apresentaram
ontem, na Vila Capanema.

Na semana passada o atacante Marlon se apresentou e iniciou treinamentos. Foi apenas o primeiro reforço para a temporada 2005. O Paraná Clube acelera contatos e ontem definiu as bases salariais de mais dois jogadores: o zagueiro Juliano e o meia Chu.

São indicações do técnico Paulo Campos, que espera contar com outros três jogadores com quem trabalhou no Palmeiras B. Um deles, o volante Célio, esteve ontem em Curitiba para uma conversa preliminar, pois ainda tem vínculo com o clube paulista e depende de liberação de Mustafá Contursi.

"É um processo natural. Já tínhamos dispensado cinco jogadores e essa rotatividade é normal. O mais importante é que a base do elenco será mantida", justificou o vice de futebol José Domingos. O dirigente preferiu não oficializar as contratações de Chu e Juliano. Tudo por conta de um novo procedimento adotado pelo tricolor. Diante dos recentes incidentes envolvendo jogadores de futebol – a morte de Serginho e o afastamento de Bebeto Campos, ambos por problemas cardíacos -, contratos só serão assinados após a realização de bateria completa de testes físicos e clínicos.

O Paraná está fechando convênio com unidade de saúde para a realização de exames específicos. Os testes fisiológicos já estão programados para a Uniandrade. "Todo esse procedimento ocorrerá entre os dias 5 e 8 de janeiro. Só então os contratos serão firmados", explicou José Domingos.

O acerto financeiro com Chu e Juliano é mais um sinal de que o técnico Paulo Campos, na próxima semana, deve definir sua permanência no tricolor por mais uma temporada. Junto com ele ficariam também os demais integrantes da comissão técnica: Júlio César de Camargo (auxiliar), Wilian Hauptmann (preparador físico), Fernando Tonet e Lori Paulo Sandri Júnior (auxiliares de preparação física) e Jair Leite (treinador de goleiros).

O meia Chu (André Fabião Viapiana), 23 anos, trabalhou com Paulo Campos no Palmeiras. No Brasil, ele teve ainda uma rápida passagem pelo Joinville. O jogador retornou recentemente da Itália, onde treinou durante algum tempo no Triestina, da 2.ª divisão. "Fiz alguns jogos não oficiais, enquanto buscava o passaporte comunitário. Houve um entrave na documentação e por isso voltei", explicou.

Já o zagueiro Juliano não trabalhou com Paulo Campos. "Temos amigos em comum e daí veio o contato", disse. Juliano Ortolan (26 anos, 1,90m) iniciou carreira no Juventude. Já passou por Remo, Náutico, Vila Nova-GO e Rio Branco de Americana. "Fico feliz com essa possibilidade de atuar no Paraná. Agora é esperar o início dos trabalhos para definirmos o contrato", afirmou o zagueiro. Além de Célio, os outros jogadores indicados por Paulo Campos são o meia Neto e o atacante Paulinho.

Jogo de amanhã para despedidas

O jogo de amanhã – às 16h, no Beira-Rio – terá um fato pouco comum no futebol. Com as férias antecipadas do titular Flávio, Darci será o camisa um contra o Internacional. Porém, o mais incrível é que no banco vai estar seu irmão, Júlio César, que ainda pertence às categorias de base do Tricolor. "É um fato pouco comum", comentou Darci. O goleiro, titular em apenas alguns jogos do Brasileirão, já manifestou desejo de ser negociado caso Flávio renove com o Tricolor. "Preciso jogar. E o quanto antes".

O jogo também pode marcar a despedida de alguns jogadores. Os meias Cristian e Canindé a todo momento são citados como eventuais reforços de outros clubes do Brasil. São apenas dois casos de uma série de atletas que têm seus contratos se encerrando no fim do mês. A diretoria trabalha junto à parceria para conseguir a manutenção da maioria do grupo.

O técnico Paulo Campos, mais preocupado com o futuro do que com o jogo, tratou de dar férias antecipadas a jogadores como Flávio, Beto e Galvão. A equipe foi definida no treino de ontem à tarde, no Pinheirão, com Darci; Goiano, João Paulo, Émerson e Vicente; Axel, Messias, Cristian e Canindé; Marcel e Maranhão. Algumas novidades no banco: Wellington Paulista, recuperado da lesão de púbis, pode surgir como opção de ataque.

Quinze anos de alegrias e tristezas

De uma infância brilhante a uma adolescência conturbada. Assim pode ser resumida a história do Paraná Clube, que amanhã comemora o seu 15.º aniversário. No caminho para a maioridade, tenta driblar a crise financeira que aflige a grande maioria dos clubes sociais do País para fazer valer o slogan usado no momento de sua fundação, no dia 19 de dezembro de 1989: "O clube do ano 2000".

A proposta visionária de dirigentes colorados e pinheirenses na prática ainda não se consolidou. Talvez reflexo do sucesso precoce. Talvez pelo ostracismo das gestões mais recentes. Ou pelo simples fato de que para se

fazer futebol é preciso dinheiro… muito dinheiro. O Paraná Clube é formado, na sua grande maioria, por pessoas modestas e pequenos empresários. A par disso, ficou à margem do processo ao ser relegado pelo Clube dos 13 e sem fontes expressivas de arrecadação.

Mas, não foi sempre assim. Logo no seu primeiro ano de existência, chegou à terceira colocação do Campeonato Paranaense. De quebra, subiu para a segunda divisão nacional. O projeto de um crescimento gradativo cairia por terra já na segunda temporada. Num estadual disputado por pontos corridos e sob a batuta do "mestre" Otacílio Gonçalves, o Paraná Clube comemorava seu primeiro título.

Primeiro de uma série que daria ao clube a hegemonia do Estado. Mesmo tendo perdido o campeonato de 92 onde era o franco favorito. O tropeço foi como uma "ressaca" após a principal conquista nacional do Tricolor: o título da Série B de 1992, com um time que marcou época e que até hoje é referência junto à sua torcida. Para quem pretendia ser, em dez anos, uma das forças do Brasil, o Paraná já no seu terceiro ano de vida chegava à elite nacional. O sucesso gerou uma inexplicável timidez. Tornou-se um mero participante da primeira divisão, sem nunca ter-se estruturado para uma conquista realmente expressiva.

Nos anos seguintes, contentou-se com o sucesso em seu território. E aí, não teve pra ninguém. Foram cinco títulos em seqüência. Um inédito pentacampeonato que não deixou dúvidas sobre quem dava as cartas no futebol paranaense. Mas, se uma conquista tem seu preço, o Paraná pagou caro. Veio o período de "vacas magras" e nos anos seguintes teve início um processo de deterioração de sua estrutura. O clube precisou se desfazer de parte de seu patrimônio, montou equipes de baixo nível técnico e até hoje não mais superou a dupla Atletiba na disputa do estadual.

Viveu, nos últimos sete anos, de alguns lampejos, como no vice-campeonato estadual de 99 e no vice da Copa Sul-Brasileira do mesmo ano. Ou até mesmo na conquista do Módulo Amarelo da Copa João Havelange, em 2000. Recentemente, esteve ameaçado de rebaixamento no fraco Campeonato Paranaense e por duas vezes "passou raspando" no Brasileiro. Superadas as dificuldades, amanhã é dia de comemorar. Afinal, são 15 anos de alegrias e tristezas, sempre com fortes emoções, que é o que torna o futebol realmente o esporte do povo. Vida longa ao Tricolor!

Reativando a fábrica de craques

Diz o velho ditado que "dinheiro atrai dinheiro". Talvez essa seja a explicação mais simples para a mudança de perfil do Paraná Clube. O início vitorioso esteve sempre acompanhado pela revelação de grandes valores. Jogadores que após conquistarem títulos, transferiram-se para clubes de ponta do Brasil e até do exterior. O Tricolor chegou a ser rotulado de "fábrica de craques", ao colocar no mercado atletas como Gralak, Paulo Miranda, Reginaldo Vital e Ricardinho.

Só que o tempo passou e o clube não se reciclou. A Vila Olímpica, que um dia recebeu o pomposo apelido de CT do Boqueirão, continua a mesma de 15 anos atrás. Um campo de jogo, outro campo de treino, numa estrutura que parou no tempo. O projeto de transformação da sede Quatro Barras em um moderno centro de treinamentos não saiu do papel nem mesmo os campos foram concluídos e muito da obra já se deteriorou. A equipe de juniores é mantida com parceria de empresários, que também ficam com os direitos federativos dos principais destaques.

É um reflexo de um período de muita turbulência, quando o Tricolor perdeu vários jogadores por problemas na Justiça do Trabalho. Casos de André Dias, Fredson… O resultado está nos números. As categorias de base não mais fornecem o material humano de outrora. Uma seqüência de eventos facilmente explicada. Se na década passada o Paraná era modelo, hoje os garotos tentam a sorte primeiro no Atlético e no Coritiba. O clube virou a terceira ou quarta opção de jovens que querem fazer do futebol sua profissão.

O último grande nome do Paraná foi o centroavante Márcio, que depois de ir para o exterior, no final de 2002, retornou como Márcio Nobre e chegou ao título brasileiro jogando no Cruzeiro. Sem ter encontrado a medida para se enquadrar na nova legislação do desporto, deixou de revelar atletas e hoje se encontra na dependência de parceiros comerciais para a montagem de seu time principal.

O Paraná termina a temporada 2004 com apenas um jogador das categorias de base, o zagueiro Fernando Lombardi, na condição de titular. Muito pouco para um clube que pretende voltar a crescer. O Tricolor não "fabrica" seus craques nem contrata jogadores semiprontos. Prefere alugar espaço para que empresários coloquem seu produto na vitrine. E, até agora, o esperado retorno financeiro não passou nem perto dos cofres do clube.