Esqueça tudo – ou quase tudo – que você leu, viu ou ouviu sobre o Paraná Clube nos últimos dias. Cerca de 36 horas após “bater o martelo” e bancar a permanência de Wagner Velloso, a diretoria partiu para uma guinada de 180º.

Na manhã de ontem, a demissão de Velloso foi decretada e pouco depois Zetti era anunciado como o novo técnico do Tricolor para a disputa da Série B, a partir deste sábado, diante do Bahia, em Salvador. Na real, apenas a consumação de algo que se arrastava por alguns dias, nos bastidores do clube.

“Só lamento a forma como tudo ocorreu. No domingo, quando fui chamado para a reunião, tinha certeza que estava fora”, disse Velloso. “Não sei o que levou a diretoria a agir desse jeito, primeiro dando apoio e depois mudando de ideia”, lamentou.

Para o auxiliar-técnico, Noslen Mehl, não houve respeito aos profissionais. “Na verdade, tínhamos um grupo muito limitado e todos sabiam disso”, comentou. “A troca de técnico é normal no futebol. Só acho que tudo poderia ter sido resolvido de uma forma mais clara.”

O presidente Aurival Correia se limitou a afirmar que a mudança de planos foi um consenso da diretoria, que desejava um treinador mais experiente para comandar o clube na difícil missão de retorno à elite do futebol brasileiro.

“Analisamos muito essa questão. Fizemos algumas consultas, mas não é fácil encontrar um treinador com bom currículo e num patamar salarial que se adeque à nossa realidade”, disse Correia. “O Zetti tem esse perfil e um histórico positivo no próprio Paraná”.

Na temporada 2007, Zetti foi o treinador no momento mais importante da história do clube, que disputava uma inédita Libertadores da América, vaga que foi conquistada sob o comando de Caio Júnior. Ao longo de 36 jogos – entre Paranaense, Libertadores e Série A -, ele atingiu um aproveitamento de 58,33%.

Com um detalhe: enquanto formava o grupo para a competição continental, recorreu aos garotos da base para a disputa de vários jogos do Estadual, com sucesso. Tanto que mesmo não levantando o caneco – o Paraná perdeu o título para o Paranavaí – seria o técnico do clube no Brasileirão.

Saiu por opção própria, diante de uma proposta do Atlético Mineiro. Ficou no Galo por pouco mais de dois meses. Zetti acabou no Fortaleza e, no ano passado, comandou o Juventude na Segundona.

No último Paulistão, dirigiu o Ituano. Aos 44 anos, o treinador chega acompanhado de novos companheiros. Marcos César Seixas é o seu auxiliar-técnico e Nenê (Heliston Gomes) o responsável pelo suporte tecnológico, que envolve filmagens e informática. A apresentação oficial da nova comissão técnica está marcada para hoje, às 11h, na Vila Capanema.