Foto: Valquir Aureliano/O Estado

Para o zagueiro Émerson, faltou inspiração ao Paraná Clube.

O Paraná Clube não só deixou escapar por entre os dedos a chance de subir para a 3.ª colocação como viu suas chances matemáticas de classificação a Libertadores da América reduzirem significativamente.

Reflexo de uma rodada onde apenas o tricolor, dentre os seis clubes que ocupam a ponta da tabela de classificação, não somou pontos. Numericamente, o representante paranaense deixou de elevar para a casa dos 90% suas possibilidades de conquista, que são agora – segundo o matemático Tristão Garcia – de 59%.

Mesmo a apenas três pontos de Santos e Grêmio, o Paraná ficou – momentaneamente – numa disputa direta com o Vasco pela última vaga à principal competição do continente. Dois pontos à frente dos cariocas, o tricolor tem contra si o fato de realizar em São Januário o confronto definitivo. Três rodadas serão realizadas antes dessa ?final? e o desafio do time de Caio Júnior é ampliar ou ao menos segurar a atual vantagem, em jogos similares para os dois clubes.

O Paraná enfrenta, na seqüência, Atlético e Cruzeiro (fora) e Palmeiras (em casa). Já o Vasco disputa o clássico com o Flamengo, no Maracanã, e depois sai do Rio de Janeiro para enfrentar, também, Atlético e Cruzeiro. ?Praticamente garantimos a , que era nosso primeiro objetivo. Temos mais oito rodadas para buscar o sonho de disputar uma Libertadores?, disse o técnico Caio Júnior, amenizando o frágil desempenho do Tricolor, no último domingo.

O revés foi encarado como um ?deslize? e que não afetará emocionalmente o grupo paranista. Após 30 rodadas, em apenas sete jogos o Paraná não marcou gols e segue com a quarta artilharia do Brasileirão. Os jogadores não contestaram o resultado, admitindo o desempenho ruim da equipe. ?Tivemos problemas para penetrar na retranca do Flamengo. Foi uma tarde de pouca inspiração?, disse o zagueiro Émerson. ?Já ligamos o alerta. Precisamos do resultado frente ao Atlético?, emendou o volante Pierre.

No sábado, a missão do tricolor será pôr fim ao incômodo tabu de jamais ter superado o rubro-negro no estádio Joaquim Américo. Além de seguir à frente do Vasco, que na quinta-feira tem a chance de superar o Paraná no jogo frente ao Flamengo, o Paraná sabe que o clássico é a chance para o resgate da confiança e da empolgação de sua torcida, que ficou apreensiva após a derrota para os reservas do Flamengo, temendo ver o sonho da Libertadores transformar-se em pesadelo.

Pelo menos uma vitória fora

O tropeço diante de um descaracterizado Flamengo foi uma ducha fria na galera tricolor. Como as projeções indicam que 61 pontos deve ser o ?número mágico? para a conquista da última vaga à Libertadores, o Paraná Clube não depende apenas dos jogos em casa para atingir sua meta. Uma derrota que pôs fim à ?mística? da Vila Capanema, onde até então o clube ostentava 100% de aproveitamento, nos jogos contra Fortaleza, Ponte Preta e Goiás.

Na reta final, o Tricolor ainda recebe Palmeiras, Internacional e São Paulo. Mas, além de vencer esses compromissos, o time de Caio Júnior terá que buscar pelo menos mais três pontos na condição de visitante, em jogos contra Atlético-PR, Cruzeiro, Vasco, Santos e São Caetano. Caio Júnior mantém a diretriz de não dar muita relevância a essas projeções.

?É tudo muito relativo. Não dá para se afirmar com quantos pontos o time garante vaga?, afirma o treinador.

Numa análise simplista, o Paraná até o momento só tem dois jogos a lamentar: as derrotas em casa para Juventude e Flamengo, no Pinheirão e na Vila Capanema, respectivamente. Com 18 pontos no returno, após onze rodadas, o Tricolor repete a performance do primeiro turno, em igual período. Ou seja, para igualar os 31 pontos da primeira volta da competição – e fechar sua participação com 62 pontos – , o time de Caio Júnior terá que somar mais 13 pontos nas oito rodadas que restam, num aproveitamento de 54,17%.