Tricolor armou um verdadeiro paredão para
segurar o bigodudo Valdir, mas esqueceu do ataque.

O ponto conquistado fora de casa pelo Paraná Clube não dissipou as “nuvens negras” que pairam sobre Vila Capanema. Sem vencer há cinco rodadas, o Tricolor vê os líderes se distanciando em igual velocidade com que os “retardatários” começam a encostar. A crise técnica é inegável e o comportamento do time no jogo do último sábado foi apenas mais um componente neste quadro pouco animador.

Tudo isso a poucos dias do primeiro clássico estadual do Tricolor neste Brasileirão. No sábado, o Paraná enfrenta o Coritiba, no Alto da Glória. O técnico Paulo Campos já não é unanimidade entre dirigentes e esta questão será o tema principal de uma reunião prevista para hoje, com a presença, inclusive, do empresário Sérgio Malucelli.

“Precisamos acertar alguns pontos básicos para que a união volte ao clube. Do jeito que está, não dá”, comentou o vice de futebol José Domingos. Na semana passada, duas correntes se formaram no Tricolor, uma pró e a outra contra Paulo Campos. “Esta reunião visa restabelecer a unidade no clube. Só assim o treinador terá tranqüilidade para trabalhar”, disse.

O objetivo é pôr fim a um clima de quase “terrorismo”, ora existente. Pelo que se viu na semana passada, caso tivesse perdido para o Vasco, Paulo Campos seria substituído. Tudo sob a máxima de que “futebol é resultado”. A questão será resolvida ou só adiada? O treinador ficará com o cargo em xeque a cada rodada? Paulo Campos será “prestigiado” independente do resultado do clássico?

Na análise de José Domingos, a crise só se instaurou pelos pontos perdidos em casa. Na derrota para a Ponte Preta e no empate com o Botafogo, o Paraná Clube deixou de se colocar em uma posição confortável na tabela do Brasileirão. Só que se nesses jogos faltou precisão aos atacantes (que desperdiçaram inúmeras oportunidades de gol), a história não se repetiu em São Januário. Sem um padrão de jogo definido, o Tricolor só não foi goleado pelo time de Geninho por ter um goleiro de alto quilate técnico.

Flávio “livrou a cara” do Paraná com defesas dificílimas e precisas. “Temos um grande goleiro e, desta vez, a história foi o oposto do que ocorrera com o Botafogo. O importante é que somamos um ponto”, amenizou José Domingos. “Foi uma atuação péssima, sofrível”, disparou o diretor de futebol Durval Lara Ribeiro.

Diante desses problemas, a diretoria reconhece que ainda falta qualidade ao elenco, principalmente no setor de criação. Todas as apostas são em Canindé, que chegará ao clube com o rótulo de “salvador da pátria”. O meia deve ser apresentar no próximo sábado, e pode estrear no jogo frente ao Palmeiras. Antes disso, a expectativa da torcida é que Cristian e Wellington Paulista sejam liberados pelo departamento médico e que Galvão volte a marcar gols, pois o jejum do artilheiro já supera os 40 dias.

São Flávio. Mas até quando?

Rubens Chueiri Jr.

Imagine um time passar mais da metade de uma partida inteira de futebol sem chutar uma bola ao gol. Pois é. Essa façanha foi realizada sábado pelo Paraná Clube, na partida contra o Vasco, em São Januário, no Rio de Janeiro, pelo Campeonato Brasileiro. O único arremate tricolor ocorreu aos 41 minutos do segundo tempo, em um chute que passou por cima do travessão.

Do lado carioca, foram criadas algumas oportunidades. Com o resultado, o time paranista continua sem vencer fora de casa, e os cariocas ainda não ganharam em seu estádio.

Em toda a partida, as ações do Paraná ficaram reduzidas à marcação, que por várias vezes se perdeu nas jogadas de ataque do time carioca. Como o tricolor não demonstrava poder ofensivo, o Vasco pôde dominar a bola com tranqüilidade, sem se preocupar em defender.

Em toda a primeira etapa, o goleiro Fábio não fez uma defesa. Os erros apareceram já no primeiro minuto de partida. Numa jogada individual, o jovem Muriqui, que substituiu Petckovic, cumprindo suspensão, limpou três jogadores e, na entrada da área quase marcou. O goleiro Flávio se esticou para defender com dificuldade.

O atacante Valdir também perdeu uma grande oportunidade, em outra falha de marcação paranista. Aproveitando o espaço deixado por Cláudio, que subia constantemente para o ataque, Valdir recebeu um toque de Muriqui, invadiu a área tricolor, e de frente para o gol, chutou perto da trave. Mas o sufoco paranista não tinha terminado. Flávio teve que trabalhar mais uma vez para salvar o tricolor, defendendo outro forte chute de Muriqui.

Nem a entrada de Gilmar no meio-campo, para ressuscitar a criação ofensiva, ajudou o time paranista. Os lançamentos para Galvão continuaram sendo a única alternativa do Paraná no ataque. Já haviam se passado vinte minutos da segunda etapa e o Tricolor não se arriscava no ataque. E, por outro lado, o Vasco não aproveitava as poucas chances que criava.

Em uma delas, Cadu se antecipou ao zagueiro e cabeceou perto da meta paranista. Na outra oportunidade, Valdir cobrou falta perto da trave. Os jogadores cariocas ainda reclamaram de um pênalti não marcado pelo árbitro. Mas não teve jeito. Os poucos torcedores que foram ao estádio deixaram as arquibancadas vaiando e protestando contra o técnico, contra o árbitro, e principalmente contra a fraco desempenho das equipes.