Kiko Silva / Futura Press
Aderaldo foi substituído no segundo tempo e não gostou nem um pouco.

Ficou aquele gosto de ?quero mais?. Porém, o Paraná Clube mostrou – mesmo com alguns deslizes – que está vivo no Brasileirão. Se a goleada sobre o Brasiliense devolveu confiança ao grupo, o empate por 2×2 frente ao Fortaleza, no Castelão, foi a comprovação de que o Tricolor recuperou o bom futebol que norteou sua campanha no primeiro turno. Com uma vatagem: os reforços contratados deram novas opções ao técnico e elevaram significativamente a qualidade do grupo.

Tanto que o Paraná deixou o estádio lamentando o empate. ?Teve sabor de derrota?, disparou Pierre, inconformado por não ter evitado o gol do Fortaleza, aos 42 minutos da etapa final. ?Tentei cortar, mas toquei de leve na bola e atrapalhei o Darci?, admitiu. Na súmula, porém, o árbitro Cláudio Luciano Mercante Júnior, de Pernambuco, registou o ?gol olímpico? para Guaru. Esse não foi o único lance polêmico do apitador.

A diretoria considerou ?lamentável? a atuação do árbitro, que não expulsou Dude, do Fortaleza, logo no início da partida. O volante derrubou André Dias quando o atacante invadia a área para ficar cara-a-cara com Bosco. Pior que isso: não deu um pênalti sobre Edinho no segundo tempo, assinalando a infração fora da área. ?Ele estava assustado. Era seu primeiro jogo na Série A e ele se perdeu completamente?, comentou o vice de futebol José Domingos.

Para comissão técnica e jogadores, a atuação da equipe foi a comprovação prática de que o Tricolor recuperou a coesão do primeiro turno, quando conquistou fora de seus domínios cinco vitórias. ?Tinha certeza de que a má fase seria superada. O time vinha treinando bem e o grupo é de qualidade. Um gesto dos atletas, na concentração, me deu, antes do jogo, o sinal de que faríamos uma grande partida?, revelou o técnico Luiz Carlos Barbieri. ?Eles pediram para fazer uma reunião fechada, somente dos atletas. Isso mostra que o grupo está querendo, que está ligado na competição?.

Com aproveitamento de 50%, o Tricolor ainda tem como meta retornar à zona de classificação à Libertadores. Para isso, o passo essencial será uma vitória no clássico do próximo sábado, frente ao Coritiba. ?Em casa, não poderemos mais vacilar?, sentenciou Barbieri. Pelas projeções, para chegar à principal competição do continente, o Tricolor precisa de pelo menos dez vitórias. O Paraná faz sete jogos em casa -Coritiba, Fluminense, São Caetano, Internacional, Paysandu, Flamengo e Cruzeiro – e outros sete fora – Atlético-MG, Figueirense, Corinthians, Atlético-PR, Botafogo, Santos e Vasco.

Empate foi recheado de emoção

O jogo entre Fortaleza e Paraná, sábado, no Estádio Plácido Castelo, foi recheado de emoções. Do primeiro até o último minuto as duas equipes buscaram a vitória, com maior ou menor competência. Só que nenhuma equipe atingiu o objetivo que queria – apesar de virar o jogo, o Tricolor deixou a vitória escapar no final da partida. Ao menos que o 2×2 fora de casa coloca a equipe na sétima colocação do Campeonato Brasileiro.

A partida – na verdade, a rodada do Campeonato Brasileiro – ficou em segundo plano. Ainda mais o confronto dos tricolores, que poderia ter Edílson Pereira de Carvalho como árbitro. Ele ?perdeu? no sorteio para o pernambucano Cláudio Luciano Marcante Júnior, que não quis falar muito. ?É melhor deixar o assunto para as autoridades competentes, mas é claro que estas denúncias desgastam toda a nossa classe?, afirmou.

Em campo, o Paraná mostrou que estava recuperado do mau momento e ia no embalo da goleada sobre o Brasiliense. Com ótimas atuações de Edinho, Neto e Mário César, o Tricolor controlou a partida nos primeiros trinta minutos, perdendo uma chance atrás da outra. Mas mesmo neste momento podiam ser vistos problemas – a marcação no meio-de-campo estava distante, os volantes do Fortaleza jogavam soltos e a velocidade de Fumagalli e Rinaldo preocupava.

E foram exatamente as falhas do Paraná que determinaram a abertura do placar. Após uma subida de Erandir, a defesa não conseguiu cortar e o volante cearense conseguiu o cruzamento. Rinaldo, livre de marcação, cabeceou encobrindo Darci. O gol dos donos da casa tonteou o Tricolor, que não conseguiu mais chegar com perigo e ainda foi alvo de velozes estocadas do adversário. O técnico Luiz Carlos Barbieri deixou o campo nervoso no intervalo.

A irritação do treinador residia na dificuldade do Paraná de chegar mais à frente e, quando chegava, não concluía com qualidade. Para tentar acertar, ele promoveu a estréia do atacante Fernando Gaúcho, que entrou no lugar de André Dias, que deixou o campo irritado. Mas o Tricolor não conseguia pressionar o adversário, caindo de produção do primeiro para o segundo tempo.

Barbieri arriscou tudo com a entrada de Sandro no lugar de Aderaldo (outro que saiu bravo). Os paranistas, que partiram então para a pressão, reclamaram muito de um pênalti não marcado pela arbitragem – a falta sobre Edinho foi dada fora da área. Mas Sandro, após uma ótima jogada, chutou forte e empatou o jogo.

Era o que o Paraná precisava para readquirir o controle e virar a partida. Éder, de novo a referência técnica da equipe, deixou Borges livre na entrada da área. Ideal para o chute e, claro, para a cambalhota. Parecia, enfim, a primeira vitória de virada, mas o volante Pierre acabou marcando contra, definindo o empate.

CAMPEONATO BRASILEIRO
28ª rodada
Local: Plácido Castelo (Fortaleza-CE)
Árbitro: Cláudio Luciano Marcante Júnior (PE)
Assistentes: Elan Vieira de Souza (PE) e Irani Pinto da Paz (PE)
Gols: Rinaldo 33 do 1º; Sandro 32, Borges 37 e Guaru 42 do 2º
Cartões amarelos: Dude (FOR); André Dias, Pierre, Marcos (PR)
Renda: R$ 146.902,00.
Público: 16.246 pagantes.

FORTALEZA 2×2 PARANÁ CLUBE

FORTALEZA
Bosco; Chiquinho, Alan, Ronaldo Angelim e Marquinhos; Dude, Erandir (Alex Afonso), Lúcio e Mazinho Lima (Igor); Rinaldo e Fumagalli (Guaru). Técnico: Hélio dos Anjos

PARANÁ
Darci; Daniel Marques, Marcos e Aderaldo (Sandro); Neto, Pierre, Mário César, Éder (Goiano) e Edinho; Borges e André Dias (Fernando Gaúcho). Técnico: Luiz Carlos Barbieri