Márcio passará por um teste para
saber se poderá entrar em campo domingo.

L’viv, Ucrânia – É hora de descansar. Depois de dois jogos que exigiram fisicamente dos jogadores, a comissão técnica do Paraná Clube resolveu diminuir a intensidade dos treinos ontem. Com os jogadores sentindo um cansaço natural, a intenção básica foi relaxar o elenco, mudando o tipo de trabalho, fazendo com que eles até se esforcem, mas com algum exercício que os distraiam. E, mesmo na longínqua Ucrânia, eles arranjaram um jeito de praticar um ‘esporte’ bem brasileiro – a roda de bobo.

Segundo o técnico Caio Júnior, é o método ideal para recuperar o elenco. “Estamos fazendo um trabalho recreativo na sua essência. Precisamos movimentar os jogadores, mas sem exigir deles”, explicou. Pela manhã, eles foram ao imponente Karpaty-Sofia, clube do centro de L’viv, para um trabalho de hidroginástica – nesta hora, o relaxamento é fundamental. Mas a brincadeira que animou o elenco foi mesmo a de bobo, que na Ucrânia tem o nome de ‘cachorrinho’.

Só que aqui eles não usam muito esse recurso, para eles mais cabível no distante, quente e ‘diferente’ Brasil. Para os brasileiros, a Ucrânia é mais ou menos a mesma coisa – com a ressalva que ontem foi o dia mais quente do mês em L’viv, com os termômetros chegando quase aos 34 graus. “A nossa sorte é que as partidas não começam em um horário normal para o Brasil, que seria às 16h”, resumiu Caio Júnior, aliviado com a marcação dos jogos para às 18h (meio-dia no Brasil), como o de amanhã, contra o Karpaty, que encerra o giro paranista pelo Leste Europeu.

Mas nada disso interessava aos garotos que foram ao estádio Unist – e nem aos jogadores, que aproveitaram a brecha e se divertiram. “Nós estávamos precisando desse momento”, disse o zagueiro André. Os jovens ucranianos também gostaram da brincadeira, e um deles foi praticamente adotado pelos tricolores. Danilo, de 12 anos, treina na escolinha do Karpaty e trabalhou como gandula nos treinos do Paraná e no jogo de quarta, contra a seleção ucraniana sub-21. “Paraná, Paraná”, grita ele ao ver os jogadores.

E a segunda palavra ensinada pelos atletas a Danilo foi ‘peteleco’ – contando com uma explicação prática do que ela significa. E ele dá (e recebe) petelecos de todo mundo, inclusive dos amigos, que receberam a mesma ‘aula’. “Ele adorou a gente. É aquela coisa de criança, que se apega muito fácil às pessoas”, afirmou o goleiro Neneca. De tanto carinho, Danilo acabou presenteado com uma camisa oficial do Paraná – que, para ele, deve ter sido um dos maiores presentes de sua vida.

Ausência

O atacante Márcio foi o único que não participou do treino de ontem. A entrada que recebeu do zagueiro ucraniano Prohorov provocou um inchaço no joelho direito, e por isso ele foi poupado. “Ele está com muitas dores no local”, disse o médico Mílton Nagai. “E o juiz disse que eu estava fingindo no lance”, reclamou o jogador, que passa por uma reavaliação hoje para saber se reunirá condições de enfrentar o Karpaty.