Valquir Aureliano / Tribuna do Paraná
Galvão desencantou e marcou duas vezes.

Esqueça as últimas seis rodadas. Esqueça os vexames. Esqueça as decepções, as tristezas, as lamentações. Esqueça as tragédias no Pinheirão e fora dele. Esqueça as goleadas sofridas para Atlético-MG, Goiás, Santos e Criciúma.

Esqueça tudo e pense que tudo pode melhorar. Com garra, determinação e qualidade, o Paraná goleou o Vitória por 4×1, ontem, e espantou a ‘uruca’ dos últimos tempos.

É a hora de comemorar, e o torcedor paranista estava com saudade de festejar uma vitória, ainda mais jogando bem como ontem, no Pinheirão. Nem parecia que o Paraná vivia uma crise institucional, com idas e vindas na parceria, que quase foi rompida na véspera.

Parecia aquele Paraná que venceu o Santos, o Flamengo e o Cruzeiro, nas primeiras rodadas. A aplicação era a mesma, e a entrega dos jogadores era comovente. Com tanta vontade, começou a sobressair a qualidade dos tricolores ante a fraqueza tática do Vitória. Fernando e Cristian eram os dínamos, marcando e criando, enquanto Galvão – assim como nas primeiras rodadas – era o atacante implacável.

Foi assim que o Paraná abriu o placar, em um belo passe de Fernando para Galvão. Depois, em uma falta, Cristian surpreendeu Juninho e marcou o segundo. Era um time diferente das últimas semanas, mais atento, agressivo e criativo. As cobranças, críticas e dispensas parecem ter feito o elenco tricolor acordar, e a resposta acabou vindo dentro de campo.

E fora dele também. Edinho representou bem essa dedicação. Ele foi expulso no final do primeiro tempo, em uma ‘compensação’ do árbitro Luís Antônio Silva Santos, que minutos antes mandara o baiano Alex Silva mais cedo para o vestiário. Chorando muito, e aplaudido pela torcida, o lateral-esquerdo reclamava. “Eu não fiz nada. Não sei o que ele pensou”, foi o que conseguiu dizer.

As lágrimas do companheiro fizeram o Paraná voltar com mais vontade ainda. E rapidamente o time ampliou – primeiro com Galvão, e depois com Maranhão, que sequer estava sendo utilizado nas últimas partidas. Outro exemplo do espírito de luta paranista foi o de Goiano. Mesmo negociado com o futebol russo (ele deve viajar no final da semana), o volante foi para o jogo – e lutou tanto que saiu contundido.

Vontade, determinação, garra, entrega, qualidade, gols. É isso que a torcida tanto esperava, e foi isso que ela teve. E é isso que ela espera daqui para frente, para ver se consegue esquecer mesmo todo o sofrimento que viveu nos últimos tempos.

CAMPEONATO BRASILEIRO
Súmula
Local: Pinheirão
Árbitro: Luís Antônio Silva Santos (FIFA-RJ)
Assistentes: Hilton Moutinho Rodrigues (FIFA-RJ) e Carlos Henrique Alves de Lima (RJ)
Gols: Galvão 20 e Cristian 44 do 1º; Galvão 9, Maranhão 13 e Marcelo Silva 41 do 2º
Cartões amarelos: Alex Silva, Cléber, Obina, Xavier (VIT)
Cartões vermelhos: Alex Silva e Edinho
Renda: R$ 6.262,50
Público: 1.130 (661 pagantes)

PARANÁ 4×1 VITÓRIA

Paraná
Darci; Eto, Fernando Lombardi, João Paulo (Nelinho) e Edinho; Goiano (João Vítor), Fernando, Cristian e Wiliam (Vicente); Galvão e Maranhão. Técnico: Gilson Kleina

Vitória
Juninho; Pedro, Alex Silva, Cametá e Fabinho; Xavier, Vinícius, Cléber e Magnum (Allan Dellon); Gilmar (Marcelo Silva) e Obina (Enílton). Técnico: Oswaldo de Oliveira