Jair Motta/Jornal dos Sports
Jean correu muito, perdeu
chances e no segundo tempo foi bem marcado pela zaga tricolor.

Esta simples palavra resume o comportamento do Paraná Clube no jogo de ontem, no Rio de Janeiro. Foi a pior atuação do Tricolor fora de casa neste Brasileiro. Justamente num jogo onde a vitória valeria a co-liderança da competição. Com o empate por 1×1 frente ao Flamengo, ontem à noite, no Rio, o representante paranaense caiu para a sexta colocação, mas aumentou para sete jogos a sua invencibilidade. O time de Lori Sandri se limitou, na maior parte do jogo, à marcação e mesmo assim sem a eficiência que vinha sendo a marca registrada da equipe.

Nem parecia o mesmo grupo que recentemente conquistou vitórias expressivas fora de casa. Desarticulado e errando passes em demasia, o Paraná Clube foi envolvido pelo Flamengo e só não sofreu o primeiro gol porque Mário César tirou sobre a risca a finalização de Jean, que se deu ao luxo de driblar Marcos e Flávio antes de chutar. No lance seguinte, o mesmo Mário César colocou o Tricolor em vantagem.

André Dias e Beto pressionaram o lateral André, que não conseguiu afastar a bola da área. Mário César pegou a sobra e da entrada da grande área, aos 6 minutos, bateu forte para abrir o placar: 1×0. E essa seria a única finalização do Paraná no primeiro tempo. Já no lance seguinte, Jean teve a chance do empate, mas ?isolou? frente a frente com Flávio. O Flamengo ainda perderia uma chance incrível com Renato, antes de empatar.

E num ?frango? de Flávio. O goleiro admitiu sua indecisão no cruzamento de Leonardo Moura. Ele tentou abafar a bola, que tocou na trave, voltou no seu peito e entrou: 1×1, aos 36 minutos. Com espaços para jogar – diante da passiva marcação paranista – o Flamengo seguiu na pressão, mas sem muita objetividade, já que contava apenas com o esforçado Jean no ataque. Flávio ainda defendeu uma finalização de Jônatas e foi só.

Lori Sandri reclamou dos muitos erros de passe na saída de bola, o que, na sua visão, determinou o fraco desempenho do Paraná. Mesmo assim, não mexeu no time até 12 minutos da fase final, quando trocou Mário César por Thiago Neves. Com o fim do ?castigo? ao meia, o Tricolor melhorou um pouco sua movimentação ofensiva. E Thiago quase colocou o Tricolor em vantagem. Diego defendeu e na sobra o zagueiro Renato Silva afastou.

Numa cobrança de escanteio, Thiago Neves voltou a levar perigo e o desvio de Renato quase resultou em gol contra. Quando o técnico Celso Roth sacou Souza e Jônatas, o Flamengo ?naufragou?. Mesmo assim, Fellype Gabriel quase definiu a vitória aos 43 minutos, batendo de fora da área. Foi o terceiro empate do Paraná fora de casa, o sexto no geral, que deixa o time de Lori Sandri na sexta colocação, enquanto o Flamengo segue à beira do precipício.

Nem os jogadores têm explicação pro fraco desempenho

Resignados, os jogadores reconheceram o fraco desempenho do time. Para o atacante André Dias, o time não tinha um comportamento tão instável desde o clássico contra o Coritiba. E lá se vão mais de cinqüenta dias. Ninguém, no entanto, encontrou uma explicação concreta para o desequilíbrio do time, que passou a fase inicial preso ao seu campo, sem levar perigo algum ao goleiro do Flamengo (à exceção do gol de Mário César, aos 6 minutos).

?É difícil manter uma seqüência de bons jogos. Se tecnicamente não estávamos bem, não faltou vontade e aplicação?, comentou o zagueiro Marcos, um dos jogadores mais regulares na partida. Desta vez, os alas Neto e Vicente destoaram, principalmente Vicente, que além de não atacar, deu espaços e por ali o Flamengo criou suas principais jogadas. Coincidentemente, foi a primeira vez que o técnico Lori Sandri jogou com três volantes, mas com dois atacantes, abrindo mão de um meia-de-ligação.

Por mais que tentasse, o Paraná se viu refém das ligações diretas, sempre bem administradas pela zaga carioca. Recebendo bolas sempre de costas para seus marcadores, Borges e André Dias pouco produziram. Não bastasse a má jornada, o árbitro Romildo Correia ainda errou em vários lances, invertendo faltas. ?E ele só errou contra a gente?, lamentou Lori. O técnico não antecipou qual formação vai utilizar frente ao Cruzeiro, mas é certo que não poderá utilizar o meia Thiago Neves, que recebeu o terceiro cartão amarelo.