No ano em que volta a jogar a primeira divisão do Campeonato Brasileiro, o Paraná Clube parece não ter encontrado um norte no seu departamento de futebol. A demissão precoce do técnico Wagner Lopes, na semana passada, com pouco mais de 40 dias de trabalho, provou a falta de convicção da diretoria paranista na linha de trabalho que pretende seguir nesta temporada. O aproveitamento ruim em campo e, sobretudo, as atuações abaixo da média, fizeram a diretoria, ainda no segundo mês do ano, iniciar um processo de reformulação no Tricolor.

O novo treinador ainda não foi definido. A diretoria do Paraná deve optar por um profissional da nova safra, que está atuando no futebol do Sul ou Sudeste. O Tricolor tentou primeiro Osmar Loss, auxiliar técnico do Corinthians. Nos bastidores, surgiram os nomes de Luiz Carlos Winck, que está no Caxias, Rogério Micale, que comandou o Atlético-MG até setembro do ano passado na disputa do Brasileirão e Hemerson Maria, que está no Vila Nova-GO. O executivo de futebol Rodrigo Pastana negou, com veemência, o contato com este último. “Não foi sondado”.

Contatado pela Tribuna, Luiz Carlos Winck, na véspera de disputar o clássico contra o Juventude, pelo Gauchão, foi político. “Se teve contato, foi com meu empresário. Comigo, diretamente, não. Estou focado, tem clássico hoje (ontem). Soube de especulações e pode ter havido algo com meu empresário. Comigo nada ainda por enquanto”.

O técnico Wagner Lopes, que foi demitido com apenas 28% de aproveitamento, não teve o mesmo sucesso de 2017. No ano passado, muitos jogadores foram contratados a exemplo deste ano, mas o Paraná, mesmo faltando qualidade em alguns momentos, conseguia ter um time minimamente organizado dentro de campo.

Em 2018, nem isso o Paraná conseguiu ter. Foram 19 reforços contratados e Lopes deixou o clube sem conseguir montar um time base. A maioria desses jogadores veio com contratos até o final deste ano e boa parte deles veio por empréstimo e não oneraram o caixa paranista. No entanto, como o percentual de acerto nas contratações é baixo até agora e isso pode fazer a diretoria do Tricolor buscar novos atletas para reforçar o elenco.

Diante de tantos reforços, a verdade é que o time paranista não encaixou como se esperava. O técnico Wagner Lopes, após os resultados ruins, nunca poupou críticas à equipe e isso teria causado um mal-estar entre elenco e treinador. Especula-se nos bastidores que essa perda do comando do vestiário tenha sido uma das causas da demissão de Lopes.

Carlos Eduardo foi o último reforço apresentado por Rodrigo Pastana no Paraná. Foto: Daniel Caron.
Carlos Eduardo foi o último reforço apresentado por Rodrigo Pastana no Paraná. Foto: Daniel Caron.

Futuro

Para evitar uma crise ainda maior, o Paraná precisa da classificação na Copa do Brasil, nesta quinta-feira (22), diante do Sampaio Corrêa, fora de casa, para não impactar as suas finanças. Isto porque a classificação para a terceira fase da competição nacional rende aos cofres do clube nada menos do que R$ 1,4 milhão. Ser eliminado agora pode comprometer o fluxo de caixa do Tricolor neste começo de ano.

Dentro de campo, os problemas são ainda maiores. O Paraná terá no comando o auxiliar-técnico Ademir Fesan. Além da classificação à terceira fase, o interino vai tentar fazer o Tricolor jogar bem e de forma organizada pela primeira vez na temporada. O time paranista, até agora, sofreu com a falta de equilíbrio nas suas atuações.

Na verdade, até agora, a defesa do Paraná Clube falhou demais. O setor defensivo, decisivo em 2017, quando o Tricolor garantiu o acesso à primeira divisão na disputa da Série B, perdeu peças importantes e a versão deste ano ainda não engrenou. O ataque paranista, com seis gols em sete jogos, também segue com dificuldades. Muitos jogadores foram testados no setor, mas ninguém conseguiu convencer até agora. Problemas que diretoria, a nova comissão técnica e os jogadores terão que resolver para mudar os rumos do clube na temporada de 2018.