Foto: Orlando Kissner/ O Estado
O técnico Luiz Carlos Barbieri
está satisfeito com o rendimento.

Não fossem os deslizes em casa – contra União Bandeirante e Paranavaí – e o Paraná Clube teria fechado o primeiro turno na ponta do Grupo B. Nada que tire o sono do técnico Luiz Carlos Barbieri. Animado com a evolução do time, o treinador projeta novo salto na tabela de classificação já na primeira rodada da nova etapa, que começa amanhã (16h), frente ao Roma, em Apucarana. Se atingir a meta de 100% em seu giro no interior, o Tricolor tem grandes chances de chegar à liderança já no domingo.

Para isso, depende – além de uma vitória no Bom Jesus da Lapa – de um empate no jogo Adap x Londrina, em Campo Mourão. Os dois times do interior estão um ponto à frente do Paraná. Avesso a projeções, Barbieri não tem essa preocupação imediata.

?A primeira colocação é um objetivo, mas que pode ser alcançado agora ou na última rodada. Trabalho jogo a jogo?, disse o treinador. Para Barbieri, o Paranaense não apresenta nenhuma surpresa.

?O equilíbrio ficou bem claro até aqui. Agora, a melhor condição técnica vai prevalecer?, disse o treinador. Desde o início, Barbieri sempre deixou claro que precisaria de seis ou sete jogos para acertar o time. Coincidência, ou não, foi esse o exato tempo para que o Tricolor ?decolasse? na competição. Exigente, Barbieri garante não estar plenamente satisfeito com o rendimento do time. Quer mais. ?O ataque ainda pode ser mais eficaz. Antes, estávamos criando, mas pecando nas finalizações. Fizemos cinco gols nas duas últimas rodadas, mas perdemos muitos contragolpes?, disse.

O treino de ontem foi voltado exclusivamente às finalizações. No campo do Country Club de Maringá, Barbieri trabalhou cruzamentos e arremates a gol. ?Se melhorarmos nesse fundamento, teremos uma campanha ainda melhor no segundo turno?, lembrou Barbieri. O técnico acredita que com vinte pontos o time garante vaga nas quartas-de-final, mas deixa clara a sua intenção de chegar ao topo da tabela para garantir vantagens para as próximas etapas.

?O que mais me satisfaz é que mesmo nesse período de transição, em nenhum dos sete jogos estivemos abaixo do adversário. Perdemos pontos, é verdade, mas em jogos equilibrados?, finalizou.

Time está em franca evolução

Maringá – Mesmo queimando etapas – houve a necessidade de introduzir treinos técnicos e táticos paralelamente aos trabalhos físicos – o Paraná já atingiu um bom nível físico para o atual estágio da competição.

O preparador físico Marcos Walczak está satisfeito com a produção do time ao longo do primeiro turno. ?Mesmo com visíveis dificuldades no início, os jogadores conseguiram bom rendimento nos sete jogos. Superaram um momento difícil com sobras e sem lesões?, disse Marquinhos.

Existia uma preocupação velada de toda a comissão técnica com possíveis contusões nessa fase inicial do Paranaense. Mesmo com o natural cansaço após os jogos -e com rodadas a cada três ou quatro dias -, os atletas se superaram em campo, atuando muitas vezes sob o intenso calor do verão no interior do Estado. Ainda mais com a Federação Paranaense de Futebol insistindo em marcar jogos às 16h. Isso ocorrerá novamente amanhã, frente ao Roma. Por isso, o treino de ontem foi realizado no horário do jogo e com uma temperatura de 35ºC.

?Hoje, o grupo está bem condicionado e vários jogadores perderam peso.

Por isso, o time ganhou velocidade?, ponderou Marcos Walczak. O técnico Barbieri ressalta sempre que, a partir da evolução física, o time cresceu também nos outros quesitos. ?Antes, a cabeça pensava, mas o corpo não ajudava?, comentou. O técnico usa como exemplo o atacante Leonardo, que perdeu quatro quilos desde que chegou e, agora, já emplacou quatro gols e várias assistências nas últimas partidas.

Equilíbrio entre juventude e experiência

Maringá – A mescla de experiência e juventude está bem evidente no atual time do Paraná Clube. Os ?trintões? Flávio, Émerson e Beto garantem o equilíbrio emocional para a equipe, que tem na explosão de Maicosuel, Jeff e Leonardo a sua força ofensiva. ?Conseguimos fazer bons jogos e eles sempre estão nos cobrando, orientando?, disse Maicosuel.

?Os ?titios? são muito importantes. Eles nos dão confiança?, frisou.

A frieza dos jogadores mais ?rodados? permite que o garoto Maicosuel jogue à vontade, com espaço para dribles e toques de habilidade. ?Gosto de jogar assim.

É preciso ter disciplina tática, mas jogadas de efeito também fazem parte do futebol.? Maicosuel, aos 19 anos, ganhou espaço com seu jeito ?moleque? de tratar a bola.

Depois de passar o Brasileiro na reserva, sabe que a atual temporada pode marcar a sua carreira.

?Estou preparado para isso. Quero fazer um grande campeonato e garantir o título. O time está ajudando e agora é seguir em frente, buscando sempre os gols e as vitórias?, afirmou Maicosuel. Hoje, ele é a referência criativa do Paraná. Pior para Sandro, que acabou indo para a reserva. O técnico, satisfeito com as opções, não descarta a possibilidade de ainda utilizar dois meias de criação. Mas, no momento, o 3-5-2 está visivelmente enraizado pelos lados do Tricolor.