Foto: Orlando Kissner/O Estado
Moura ouve a reclamação do presidente José Carlos Miranda.

A controvertida atuação do árbitro Elton Mello Nobre na partida contra o Roma desencadeou um veemente protesto formal do Paraná Clube. Uma comitiva do clube esteve ontem na sede da Federação Paranaense de Futebol (FPF), relacionando erros de arbitragem em jogos anteriores do clube e pedindo punição ao apitador.

Se antes as reclamações na Vila Capanema eram pontuais -pelo suposto impedimento no segundo gol do Londrina, na 2.ª rodada, ou erros menores de Vagner Vicentin contra o Paranavaí, na 5.ª -, tudo virou uma enorme revolta após a atuação do apitador em Apucarana. Entre os erros de Elton Nobre listados pelo Tricolor estão um pênalti não marcado sobre o atacante Leonardo, no segundo tempo, uma série de faltas no meio-de-campo que teriam ?amarrado? o time e, especialmente, o lance em que o atacante Moraes desabou na área e ganhou um pênalti. ?Tomara que seja apenas coincidência. Mas o fato é que sem as falhas da arbitragem estaríamos numa condição mais confortável no campeonato?, disse o zagueiro Emerson.

Nos corredores paranistas, algumas teorias surgiram para explicar a suposta perseguição. A principal delas relacionava as más arbitragens ao retorno do clube à Vila Capanema – e o conseqüente distanciamento do Pinheirão, ?menina dos olhos? da FPF.

O próprio presidente José Carlos de Miranda comentou sobre esta hipótese, embora o clube não a assuma como possível. ?Muitos me falaram sobre esta eventual retaliação, mas não vemos fantasmas. Creio que a renovação promovida pela comissão de arbitragem não está sendo feliz?, disse.

O comandante tricolor – que levou sete vice-presidentes ao encontro com o chefe da federação, Onaireves Moura, e o vice da Comissão de Arbitragem, José Carlos Meger -, classificou a atuação de Nobre de ?aviltante?. Mas evitou citar as denúncias de corrupção do ?caso Bruxo?, que marcaram a arbitragem paranaense no ano passado. ?Conhecemos o caráter do Meger e do Afonso (Vítor de Oliveira, presidente da Comissão de  Arbitragem) e sabemos que não vão compactuar com isso?, falou Miranda, que solicita árbitros de maior gabarito nos jogos do clube.

Ao ouvir o protesto tricolor, José Carlos Meger disse que ?por uma questão de bom senso? vai tirar Elton Nobre das escalas dos jogos do Paraná. Uma eventual punição só será decidida numa reunião marcada para quinta-feira, com a presença de Afonso Vítor de Oliveira.

Onaireves Moura não considerou a atitude do Paraná como um confronto. ?O Paraná está correto em vir à FPF para protestar. Pedimos a fita da partida e tomaremos as providências necessárias?, garantiu. Moura disse ainda ter pedido à comissão que evite designar árbitros para partidas dos mesmos clubes – ele considerou uma coincidência o fato de Elton Nobre ter comandado três jogos do Roma no estadual.

Comissão chateada com declarações

Cristian Toledo

O presidente da Comissão de Arbitragem da Federação Paranaense de Futebol, o ex-árbitro Afonso Vítor de Oliveira, recebeu com ?chateação? as declarações do superintendente de futebol do Paraná Clube, Ricardo Machado Lima. Segundo ele, o observador enviado a Apucarana para acompanhar Roma x Paraná só colocou em dúvida os dois lances mais polêmicos do jogo – o pênalti dado ao Roma e o não marcado para o Tricolor – após ver pela televisão.

Afonso, que estava em Paranavaí para o sorteio dos trios de arbitragem para a rodada do meio de semana, irritou-se com as acusações do dirigente tricolor. ?Ainda há gente querendo denegrir e deturpar o nosso trabalho. Mas não vai ser um Ricardo Machado Lima que vai me denegrir?, atirou o presidente da Comissão de Arbitragem. ?Não vou negar que houve erros nos jogos e eles não vão cessar. A nossa obrigação é fazer com que essas falhas diminuam?, resumiu.

Sobre o trabalho de Elton Mello Nobre no Bom Jesus da Lapa, Afonso Vítor de Oliveira fia-se no depoimento de seus ?emissários?. ?Quando recebi as notícias de Apucarana (ele estava em Bandeirantes), fiquei assustado. Conversei com meu observador e ele me afirmou que a impressão dele foi a mesma do árbitro – que o lance do Roma havia sido penalidade, e que o do Paraná não?, revelou. ?Mas este mesmo observador ligou para mim hoje (ontem) pela manhã, dizendo que reviu os lances na TV e ficou em dúvida. Ele não disse que houve falha, mas que estava em dúvida?, completou.

O presidente da comissão lembrou que não foi a primeira escala de Elton Mello Nobre. ?Este foi o terceiro jogo e o primeiro em que houve contestações. Sei que não é fácil para todos, sempre há lamentações, mas nada que justifique os ataques?, disse Afonso Vítor de Oliveira, que não descartou a possibilidade de interpelar judicialmente o superintendente do Paraná. O árbitro de Roma x Paraná não estava na relação de árbitros do sorteio de ontem – mas, numa incrível coincidência, os três jogos em que Mello Nobre trabalhou foram do time de Apucarana. Além da vitória sobre o Tricolor, ele apitou Toledo 2×3 Roma e Adap 4×0 Roma.

Súmula

Afonso Vítor disse que a Comissão de Arbitragem irá analisar a acusação feita pelo capitão tricolor Beto, que disse não ter assinado uma das páginas da súmula do jogo de domingo. ?Vamos, caso necessário, fazer uma perícia, um exame grafotécnico, para averiguar essa denúncia. Se isso for verdade, os responsáveis pelo ato vão ser sumariamente afastados da arbitragem?, disse o dirigente. Até o final da tarde de ontem, a súmula de Roma 2×1 Paraná não estava disponibilizada no sítio oficial da federação (www. federacao parana. com.br).

Afonso Vítor faz balanço positivo

Afonso Vítor de Oliveira avaliou como positivo o trabalho dos árbitros no primeiro turno do Campeonato Paranaense. A Comissão de Arbitragem está apostando em novos nomes, para tentar recuperar a credibilidade esfacelada pelo escândalo dos ?bruxos?. Seis novos juízes foram ?lançados? nas oito rodadas da competição.

?Eu estou satisfeito, o balanço que a comissão faz é altamente positivo. Não podemos eliminar os erros e chegar à perfeição, porque isso é impossível, mas estamos conversando constantemente com os árbitros para que as falhas sejam cada vez menos freqüentes?, apontou o ex-árbitro, que realiza na quinta uma reunião geral da comissão, com a participação da maioria dos juízes que está trabalhando no campeonato.

Ele disse que os ?novatos? sofrem em seus primeiros jogos como os jogadores que sobem às equipes profissionais. ?Pedimos calma para eles, mas estão iniciando. E a primeira vez nunca é fácil?, afirmou Afonso Vítor, que confessou que o rendimento técnico da arbitragem ainda não é satisfatório. ?Não estamos satisfeitos, queremos mais?, garantiu o dirigente.

O presidente da comissão espera que os críticos entendam a dificuldade de ?recriação? do quadro de árbitros. ?Nós recebemos a comissão com um pequeno número de árbitros, totalmente esfacelada. Não vou negar que houve erros, mas estou me surpreendendo com os resultados. E é uma surpresa agradabilíssima?, finalizou Afonso Vítor.