Lucimar do Carmo
Otacílio conversa com
Fabinho, que volta ao time.

O revés de Belo Horizonte (derrota de 4×1 para o Atlético-Mineiro, anteontem), deixou o Paraná Clube na 22.ª colocação do Brasileirão-2002 e muito próximo de seu próprio recorde negativo. Mais um tropeço – amanhã enfrenta o Corinthians, às 16 horas, em São Paulo – e o Tricolor igualará sua marca de 1996, quando computou seis derrotas consecutivas fora de casa.

Ainda sem somar pontos na condição de visitante, o time de Otacílio Gonçalves peca pela instabilidade. Comete erros absurdos, como os que proporcionaram os gols do Atlético Mineiro. O Galo fez 4×1 e teve chances para ampliar a contagem, na primeira derrota por goleada do time paranista. À beira do abismo, o clube pode mergulhar na “zona de rebaixamento” caso não consiga encontrar o equilíbrio emocional para superar esta “Síndrome do Pijama”.

Os dez pontos que o Paraná somou até aqui foram conquistados “em casa”. Ao seguir para outra cidade, o time tem deixado para trás um aspecto significativo: a eficiência na marcação. Isso ficou evidente em Minas Gerais, onde três dos quatro gols do adversário tiveram como origem descuidos de seus homens de marcação. Já no primeiro gol, a comissão técnica entende que Xandão poderia ter evitado o “carrinho” que culminou com a precisa cobrança de Souza. Na etapa final, Fábio Luís, Ronaldo e Sidnei falharam ao tentar sair jogando e o Galo não perdoou. Melhor para Mancini, que não desperdiçou a liberdade a ele concedida durante a etapa final. Neste clima – que indica uma crise no ar – o Paraná tenta se acertar para mais um jogo fora.

Há seis anos, a situação era até parecida. O clube chegou a seis derrotas em sequência fora de casa. Naquele ano, o Tricolor perdeu para Atlético-MG (1×3), Portuguesa (0x2), Palmeiras (1×4) e Vitória (0x4). Os resultados determinaram a “queda” do técnico Antônio Lopes, mas o time ainda sofreria mais dois resultados ruins, frente a Juventude (0x2) – com Mário Juliato no comando – e Bragantino (0x1). Neste jogos, o treinador já era Rubens Minelli, que conseguiu reverter o quadro e no final o Paraná ficou com a 16a colocação. Otacílio Gonçalves procura demonstrar tranquilidade e afirma que “o time não perderá todos os jogos fora de casa”. Ele já viveu situação semelhante em 1998, também no comando do Paraná Clube.

Foram cinco derrotas fora de casa, que contribuíram para a pior campanha do clube, até hoje, em um campeonato brasileiro. Naquela temporada, o Paraná ficou em 20.º lugar, não caiu para a segunda divisão, mas os números definiram a “queda” no ano seguinte – pois valia a tal média ponderada, que depois foi deixada de lado nas sucessivas mudanças de regras do futebol tupiniquim. Otacílio não resistiu até o fim da temporada e deu lugar a Márcio Araújo.

Um ano antes, o Paraná também computou cinco jogos fora de casa, em sequência, sem somar um empate sequer. O técnico era Sebastião Lazaroni. No atual Brasileirão, em 12 rodadas, 11 treinadores já “rodaram”. Não é a política do Paraná, que dá apoio a Otacílio, mas não cogita a possibilidade de buscar reforços. “O grupo é esse e acho que agora só podemos cobrar mais do grupo. Temos feito um grande esforço do lado de fora e queremos um igual empenho dentro das quatro linhas”, desabafou o superintendente de futebol Ocimar Bolicenho.

Cristiano e Maurílio não enfrentam Timão

Não bastasse a instabilidade do time fora de casa, o técnico Otacílio Gonçalves ainda precisa contornar outros problemas para o jogo de amanhã, frente ao Corinthians, no Pacaembu. O zagueiro Cristiano Ávalos e o atacante Maurílio estão fora da partida, devido a lesões musculares. A dupla retornou ontem à tarde de Belo Horizonte e passa por uma série de exames. Cristiano sofreu a contusão na parte posterior da coxa esquerda ainda no primeiro tempo e deve ficar um bom tempo no “estaleiro”. A situação de Maurílio não é diferente. O capitão voltou a acusar a lesão na coxa esquerda que já o tirara dos dois jogos anteriores.

Com a volta do lateral-esquerdo Fabinho, o problema na defesa estará contornado. Fábio Luís atuará ao lado de Xandão na zaga. Outro que volta, após cumprir suspensão, é o meia Émerson. Os dois viajaram ontem para Minas e hoje participam do apronto, que será realizado na Toca da Raposa II, o novo CT do Cruzeiro. A delegação só vai para São Paulo no fim da tarde. Mesmo com a presença de Émerson, a comissão técnica não definiu qual será a formação de meio-de-campo e ataque. “Tenho algumas opções e vou esperar até este sábado para escolher qual a melhor alternativa para enfrentar o Corinthians”, disse Otacílio.

Excursão abre portas para futebol europeu

A excursão da equipe masters do Malutrom à Europa pode render muito mais que outros convites para novos amistosos. É que Joel Malucelli, presidente de honra do clube, aproveitou a oportunidade para entregar fitas dos principais jogadores do Malita a alguns clubes europeus. Joel distribuiu vídeos dos jogadores Flávio, Tcheco, Rodrigo Batata, Gustavo, Mauricinho e Íverton para os clubes franceses Montpellier e Troyes e para um clube de Zurique.

Além disso, Joel Malucelli pôde conhecer de perto a organização e a administração de um dos principais clubes da Europa. Joel ficou encantado com a estrutura do Barcelona, que fatura mais de um milhão de dólares por mês apenas com taxa de visitação e venda de produtos com a sua marca, conforme informou o próprio presidente do Barcelona. Para Joel, esta excursão serviu para abrir as portas do futebol europeu ao Malutrom.

Mas ele faz uma alerta. “O jogador brasileiro que quiser dar certo na Europa terá que se adaptar a uma nova cultura, bem diferente do nosso feijão-com-arroz. Quer dizer, incorporar por completo o espírito de profissionalismo, saber que terá que ter verdadeiro espírito de luta e seriedade. Caso contrário, o retorno é frustrante, pois na Europa existem muitos clubes em crise, e cada vez com menos chances para aventureiros. Para os ídolos, aqueles que conseguem se autoafirmar, a glória é incrível”.

A delegação ainda aproveitou para visitar Rodrigo Batata em Portugal e ficou sabendo que o jogador está muito bem, conquistando o seu espaço entre os portugueses. Batatinha está emprestado ao Portimorense.

O resultado da excursão foi altamente positivo. Em seis jogos realizados, o Malutrom venceu cinco e empatou um.