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Paraná ultrapassou
a Raposa na tabela.

Um gol do capitão Beto, aos 17 minutos do 2.º tempo mudou os rumos da partida. Depois de um primeiro tempo apático e marcado pelas lesões de Edinho e Borges, o Paraná Clube venceu o Cruzeiro (2 a 0), ontem à tarde, no Pinheirão, e consolidou sua classificação à Copa Sul-americana. Destaque para o goleiro Flávio, que com grandes intervenções parou o ataque mineiro e comprovou porque é o goleiro menos vazado deste Brasileirão.

No início do jogo, o Paraná deixou a impressão que venceria com relativa facilidade. Logo no primeiro minuto, Borges recebeu na área, cortou Edu Dracena, mas o zagueiro conseguiu se recuperar e impediu o arremate. Pouco depois, o artilheiro aproveitou falha da zaga e arrancou em direção ao gol, sofrendo falta na entrada da área. Tocando a bola com facilidade, o Tricolor explorava as descidas de Neto e Edinho para desnortear a marcação mineira.

Só que esse domínio durou exatos 15 minutos. Aproveitando os espaços que o Paraná deixava no meio-de-campo, o Cruzeiro equilibrou o jogo. Foi então que brilhou a estrela de Flávio. Ele salvou o Tricolor nos arremates de Diego e Adriano. Nesse momento, lesões abalaram a estrutura paranista. O artilheiro Borges e o lateral-esquerdo Edinho sofreram lesões de joelho.

O atacante deixou o gramado chorando, com muitas dores no joelho direito. Ele se contundiu ao ser travado pelo zagueiro adversário num chute a gol. Já o ala, torceu o joelho (também o direito) quando seu pé ficou preso no gramado. Fernando Gaúcho e Vicente entraram no time e o Cruzeiro soube explorar a instabilidade momentânea para imprimir um ritmo ainda mais forte e encurralar o Paraná. A Raposa só não abriu o placar porque Flávio fez mais uma grande defesa em cabeceio do Gabiru.

A vitória

Veio o 2.º tempo e o desenho da partida era o mesmo. Tanto que Flávio operou mais um milagre aos 8 minutos. Diante dos muitos erros de passes, Barbieri decidiu trocar Éder por Maicosuel, ?queimando? a última alteração com menos de 15 minutos. A recompensa veio logo a seguir. Neto cobrou falta lateral na cabeça de Beto, que testou no canto direito de Fábio: 1 a 0. O gol incendiou a torcida e acordou o time.

Sete minutos depois, o Paraná ampliaria, com Fernando Gaúcho. Depois de arremate de Sandro e desvio com a mão de Batatais, o atacante pegou a sobra e ?fuzilou?: 2 a 0. A vantagem deu a tranqüilidade para o Tricolor tocar a bola e quando um cabeceio de Alecsandro acertou a trave de Flávio era sinal de que a vitória estava assegurada. O placar só não foi maior porque Sandro desperdiçou penalidade máxima, defendida por Fábio.

O gol perdido, porém, não atrapalhou a festa da galera tricolor, que aos gritos de ?olé? viu seu time vencer a 17.ª partida neste Brasileirão. Foi o décimo triunfo do Paraná no Pinheirão, fechando sua participação em casa com aproveitamento de 68,75% (sem contar jogos disputados em Maringá e Cascavel).

Fim do jejum. Meta agora é o 6.º lugar

A meta é o 6.º lugar. O resultado positivo frente ao Cruzeiro pôs fim ao jejum de gols e vitórias do Paraná, que já durava três rodadas. A meta, agora, é buscar no Rio de Janeiro, frente ao Vasco, o resultado que pode lhe garantir a condição de melhor equipe do Estado na competição. ?Sabemos o quanto nosso torcedor deseja essa condição. Para nós, é chance de escrever o nome na história do clube, conquistando a melhor colocação do Paraná em um Brasileiro?, frisou o ala Neto.

Para o técnico Luiz Carlos Barbieri, o fato de o time se mostrar um tanto quanto dispersivo em alguns momentos do jogo é reflexo do fim de temporada. ?Mesmo que inconscientemente, há um relaxamento. Então,

é preciso trabalhar sério durante a semana para manter o grupo focado neste objetivo?, disse o treinador. Barbieri só não gostou de alguns momentos do 1º tempo, onde a marcação no meio-de-campo foi falha, permitindo que Martinez abusasse de lançamentos para deixar em perigo a meta defendida por Flávio.

?Corrigimos isso no vestiário e o time voltou mais ligado na fase final. Quando equilibramos também o setor de criação, chegamos aos gols?, disse. ?Pena que perdemos um pênalti, senão a vitória seria ainda mais expressiva?. O técnico sabe que terá problemas para a última rodada. Além de Marcos, Neguete e André Dias, lesionados há tempos, ele dificilmente poderá contar com Borges e Edinho. Os dois serão reavaliados hoje para se definir a extensão das lesões que sofreram ontem.

Além disso, Mário César e Maicosuel receberam o terceiro cartão amarelo e cumprem suspensão automática. Aderaldo, que ontem não atuou por estar suspenso, volta à zaga para o jogo em São Januário, domingo, às 16 horas.

Para superar o Atlético na última rodada, o Tricolor torce por um tropeço do rival frente ao São Paulo. Em caso de uma vitória do clube paulista, precisará de apenas um empate para terminar o ano como a melhor equipe paranaense neste Nacional.

CAMPEONATO BRASILEIRO
41ª RODADA
Local: Pinheirão (Curitiba).
Árbitro: Carlos Eugênio Simon (Fifa-RS).
Assistentes: José Javel Silveira (RS) e Marcelo Bertanha Barison (RS).
Renda: R$ 62.500,00.
Público: 23.185.
Gols: Beto a 17? e Fernando Gaúcho a 24? do 2º tempo.
Cartões amarelos: Mário César e Maicosuel (Paraná). Edu Dracena, Irineu e Francismar (Cruzeiro).

PARANÁ CLUBE 2×0 CRUZEIRO

PARANÁ
Flávio; Neto, Daniel Marques, João Paulo e Edinho (Vicente); Pierre, Beto, Mário César e Éder (Maicosuel); Sandro e Borges (Fernando Gaúcho). Técnico: Luiz Carlos Barbieri.

CRUZEIRO
Fábio; Jonathan, Edu Dracena, Marcelo Batatais e Irineu (Francismar); Diogo, Martinez, Adriano (Wando) e Kelly; Diego (Weldon) e Alecsandro. Técnico: Paulo César Gusmão