Orlando Kissner
Rafael Muçamba diz que precisa manter a seriedade.

São Paulo – A derrota para o e o comportamento irreconhecível da equipe -encheu de dúvidas o até então esperançoso torcedor paranista. O revés determinou a queda de duas posições na tabela de classificação, mas não alterou os planos da comissão técnica. Lori Sandri sabe que o ?momento crítico? se estende por mais três rodadas, Ns quais o Paraná Clube atuará fora de casa. Contra Juventude, Palmeiras e Ponte Preta, o Tricolor vai tentar comprovar que o recente tropeço não passou de um ?acidente de percurso?.

Após 23 rodadas disputadas, o Paraná mantém números equilibrados, mas apresenta um detalhe perigoso: ainda não conseguiu uma virada sequer. Das vezes em que saiu em desvantagem no placar (oito, ao todo) o Tricolor conseguiu no máximo empates, fato registrado três vezes, contra Juventude, Ponte Preta e São Caetano. Destas, apenas contra os gaúchos o time de Lori Sandri chegou a virar o marcador, mas não sustentou a vantagem até o final. Nas outras cinco partidas em que o adversário abriu a contagem, não houve reação.

No contraponto destes números, o Paraná só não sustentou uma vantagem inicial quatro vezes, todas elas fora de casa, contra São Paulo, Santos, Flamengo e Goiás. Nas outras dez vezes em que o Tricolor largou na frente, obteve a vitória, sendo que em apenas duas vezes a defesa sofreu gols (2×1 sobre o Palmeiras e 4×3 diante do Paysandu).

?Os números mostram que temos uma campanha regular. É claro que a forma como perdemos para o São Paulo preocupa, mas não vejo motivo para pessimismo. O grupo não perdeu o foco?, assegurou o experiente zagueiro Marcos.

Em apenas quatro jogos deste Brasileiro o Paraná não fez gols. Só que o ataque não balança as redes há exatos seis jogos. Os atacantes titulares – Borges e André Dias – não marcam desde a vitória sobre o Botafogo, no início do mês. Neste período, Borges só não atuou uma vez (contra o Goiás) e André Dias ficou de fora dos jogos contra Santos e São Paulo. ?Na última partida, a bola quase não chegou no ataque. Daí, fica difícil fazer alguma coisa?, lamentou Borges, que com 11 gols continua sendo o principal artilheiro do Tricolor.

Se o Paraná mantém-se como a melhor defesa do campeonato (agora, ao lado do Goiás), o ataque ocupa uma modesta 15.ª colocação, com 32 gols marcados e média de 1,39 gol/jogo. Porém, em apenas quatro partidas

o Tricolor ?passou em branco?. Isso ocorreu no empate com o Vasco e nas derrotas para Goiás (0x2), Brasiliense (0x1) e São Paulo (0x4). ?É manter a seriedade, retomar o fôlego e partir para mais uma boa seqüência de jogos para voltar às primeiras colocações?, comentou o volante Rafael Muçamba, um dos mais regulares atletas do atual elenco paranista.

Agora a briga é com adversários diretos

Depois de ser derrotado por um dos retardatários do Brasileirão – mesmo com a vitória, o São Paulo está treze pontos atrás do Paraná – o time de Lori Sandri fará três jogos contra adversários diretos. Vitórias que representarão a consolidação da posição do Tricolor entre os primeiros colocados. O inverso significará a queda para um bloco intermediário.

Os próximos adversários vivem momentos distintos. O Juventude, após a queda acentuada e duas trocas no comando técnico, dá sinais de reação. O Palmeiras ficou dez rodadas sem derrota (assim como o Paraná), mas foi superado pelo Brasiliense e teve sua ascensão interrompida. Já a Ponte Preta vive um momento de ?queda livre? e tenta reencontrar seu caminho com Estevam Soares.

?Serão jogos decisivos para a nossa sorte?, alertou o atacante André Dias, que volta ao time na próxima quarta-feira, após cumprir suspensão. ?Precisamos jogar com a mesma eficiência e tranqüilidade de jogos anteriores, pois não chegamos a esta posição de destaque ao acaso?, disse. Além dele, o técnico Lori Sandri contará também com a volta do capitão Beto, peça fundamental para o equilíbrio do time.

Somente após estas três ?decisões? é que o Tricolor voltará a jogar no Pinheirão, contra o Brasiliense, no próximo dia 21 de setembro. ?Essa folga veio num bom momento. Tivemos jogos desgastantes e com viagens cansativas. Na última jornada, o time sentiu essa seqüência. Por isso, optamos por dar um descanso mais longo, de dois dias, para os jogadores?, explicou o preparador físico Wilian Hauptman.