Orlando Kissner
Borges, depois de nove rodadas, balançou as redes outra vez. Sandro também deixou sua marca.

O Paraná Clube voltou – ainda sem saber se para ficar. Mas o reencontro do time com o Pinheirão foi altamente recompensador. Ontem, o Tricolor venceu com sobras o Brasiliense por 4×1, melhorando muito de rendimento na segunda etapa, após a aposta ofensiva do técnico Luiz Carlos Barbieri, que ganha fôlego no comando da equipe.

Fase nova, camisa nova. A expectativa de recuperação do Paraná no Brasileiro entrava em campo com o terceiro uniforme – semelhante ao do Fortaleza, mas com cores mais vivas. Na equipe, a estréia de Éder, a reestréia de Pierre e a volta de Parral após muito tempo. Edinho era outra novidade, mas a principal esperança dos torcedores estava em uma nova atitude dos comandados de Barbieri.

A volta ao Pinheirão deu ao Paraná a confiança que o time tinha perdido – pelo menos por vinte minutos. O início do jogo foi avassalador, com uma equipe agressiva, marcando o Brasiliense em cima e controlando as ações do meio-de-campo. Fruto disso foi o gol logo a seis minutos, na boa jogada de Éder e a conclusão de primeira de André Dias. Mas, mesmo com a famosa ?atitude?, o Tricolor não criou muitas chances de gol.

Percebendo que os donos da casa cediam espaços entre o meio e a defesa, o Brasiliense começou a ocupar terreno e tomar conta da partida. Marcelinho, Igor e Róbston assumiram o comando do jogo, contando com as boas jogadas dos alas Dida e Márcio Careca. Para piorar a situação paranista, o time caiu de produção, tornando a ser aquela equipe sonolenta das rodadas anteriores. Assim, era natural o empate dos visitantes – Careca cruzou, Aderaldo não cortou e Marcelinho Carioca, sozinho, só teve o trabalho de dominar e concluir.

O susto do gol acordou o Paraná, que voltou a pressionar e teve um pênalti não marcado, quando André Turatto derrubou Borges. Os jogadores reclamaram. ?É o fim da picada. Ele viu, não entendo porque ele não marcou?, afirmou o camisa 9 tricolor. Mais tranqüilo, Barbieri lamentou no intervalo a queda de rendimento. ?Temos que simplificar o jogo. No que bobeamos, eles empataram.?

O treinador resolveu mexer no time e no sistema – saiu Aderaldo e entrou Sandro, saiu o 3-5-2 e entrou o 4-4-2. Além da troca, voltou aquele Paraná Clube com atitude. Mais ofensivo, graças à alteração de Barbieri, o Tricolor partiu com tudo para cima do Brasiliense, que tentando segurar a pressão teve Pituca expulso no início da segunda etapa.

Era o que faltava para a vitória – com goleada. Em seis minutos o Paraná resolveu a partida. Primeiro com o golaço de Mário César, arrematando de longe. Depois na jogada de raça de Edinho, complementada pelo estreante Sandro. Depois no cruzamento de André Dias e na conclusão de Borges – cada atacante fez o seu, acabando com o jejum de nove rodadas.

Era o Tricolor que todos queriam ver. Ainda mais em casa, em Curitiba, no Pinheirão. Com o resultado conquistado e o time reabilitado, a torcida teve tempo para gritar para os dirigentes. ?Diretoria, presta atenção, o Paraná quer jogar no Pinheirão?, era a frase ouvida no estádio.

Cascavel é a última opção

Mesmo que não tenha sido a renda – e o público – que todos esperavam, as chances do Paraná transferir o jogo de 3 de novembro com o Internacional para Cascavel são cada vez menores. Não que o Tricolor não esteja mais precisando de uma renda de porte (um grupo de empresários ofereceu R$ 200 mil pela partida), mas a estrutura precária do Estádio Olímpico Regional preocupa os dirigentes tricolores, que avaliam a possibilidade de uma queda técnica acentuada. A direção também estuda formas de arranjar dinheiro para fechar o orçamento, e uma delas seria a negociação antecipada de um jogador.

O vice-presidente José Domingos Borges Teixeira confirmou ontem, em entrevista à rádio Transamérica, que está na pauta de discussões do clube a venda dos direitos federativos de um atleta. ?Seria uma negociação fechada agora, com o jogador deixando o clube no final do ano, mas com o Paraná Clube recebendo um adiantamento?, explicou o dirigente, sem citar o nome do possível ?negociado? – Borges é o mais cotado. Caso isso realmente aconteça, o Tricolor não precisaria mais transferir a partida com o líder do Brasileiro para o oeste do Estado.

Mas caso não saia nenhum negócio, a diretoria admitiu que é necessário avaliar a proposta dos cascavelenses. ?Nós certamente não queremos levar o jogo para lá. Só que é evidente que temos necessidade de incrementar nosso caixa?, afirmou o vice-presidente, que confirmou a inclusão de várias exigências antes de acontecer qualquer conversação. ?Pelo que vimos, não há condições de realizar o jogo no Estádio Olímpico. O gramado está em péssimas condições. Por isso, não há nada definido. Não vamos tomar uma atitude passional, vamos usar a razão e decidir o que é melhor para o clube?, finalizou José Domingos.

Erro

Ao contrário do que foi informado, não foram vendidos antecipadamente cerca de seis mil ingressos para o jogo de ontem – isso ficou evidente com a divulgação do público pagante, que não chegou a três mil. Segundo a diretoria do Paraná Clube, houve ?erro de informação?.

CAMPEONATO BRASILEIRO
Súmula
Local: Pinheirão
Árbitro: Vinícius Costa da Costa (RS)
Assistentes: José Antônio Chaves Franco Filho (RS) e Paulo Ricardo Silva Conceição (RS)
Gols: André Dias 6 e Marcelinho Carioca 33 do 1º; Mário César 12, Sandro 15 e Borges 18 do 2º
Cartões amarelos: Pierre (PR); André Turatto, Pituca (BRA)
Cartão vermelho: Pituca
Renda: R$ 27.990,00
Público: 3.329 (2.799 pagantes)

PARANÁ CLUBE 4×1 BRASILIENSE

Paraná
Darci; Daniel Marques, Marcos e Aderaldo (Sandro); Parral, Pierre, Mário César (Goiano), Éder (Thiago Neves) e Edinho; Borges e André Dias. Técnico: Luiz Carlos Barbieri

Brasiliense
Eduardo; Dida (Simão), Jairo, André Turatto e Márcio Careca (Rochinha); Deda, Róbston, Pituca e Marcelinho Carioca; Lindomar (Salvino) e Igor. Técnico: Joel Santana