O 2017 do Paraná Clube começou no último sábado (12). Livre de qualquer risco de rebaixamento, o Tricolor tem ao todo 79 dias para pensar em todo o ano que vem, até a estreia no Campeonato Paranaense, no dia 29 de janeiro. E todo o planejamento precisa passar por uma única pergunta: o que fazer para não cometer os mesmos erros dos anos anteriores? Simples, objetiva, mas que parece não ter resposta para os dirigentes.

Vamos recordando as temporadas paranistas desde a queda para a segunda divisão nacional, em 2007. Em todo ano a história é semelhante: começa-se dizendo que haverá tranquilidade, que o objetivo é o acesso para a Série A. Bons jogos no Paranaense e surge uma euforia quase descontrolada. Vêm as promessas de que “este ano será diferente”. Acontecem dois tropeços no Paranaense, tudo é questionado. Começam a chegar reforços, o time começa a ser transformado, nem sempre para melhor. Termina o Estadual, chega um carreto do interior de São Paulo. “Ah, mas o Vavá sempre apostou nisso e deu certo”, pensam alguns, achando que as fórmulas desgastadas do ex-diretor de futebol seguem atuais.

Aí começa a Série B, o time perde partidas, a torcida se desanima, o público na Vila Capanema diminui aos dois ou três mil de sempre. Cai o treinador, muda-se todo o elenco. Começam a ser pescados jogadores no J. Malucelli, no interior do Estado, em times da Série C. A equipe reage, um jogador se destaca, ele vai embora antes do campeonato terminar. Cai outro técnico, chegam outros jogadores, a lista de contratações supera 50 nomes. Da luta pelo acesso, passa-se a apenas cumprir tabela, ou às vezes ter que lutar para não ser rebaixado para a terceira divisão. A torcida novamente se desilude, e com razão, mas no final do ano o presidente da vez diz que “ano que vem será diferente”.

Inclua aí nomes de presidentes como Aramis Tissot, Aquilino Romani, Aurival Correia, Rubens Bohlen e Luís Carlos Casagrande. As histórias só se repetem. Nos últimos dois anos, com a ascensão (sob pressão e até com ameaça) do grupo autointitulado “Paranistas do Bem”, as previsões superaram o exagero. Em 2015, Casinha disse que o time subiria para a Série A com três rodadas de antecedência. Agora em 2016, Durval Lara Ribeiro disse que o elenco paranista era melhor que de times da Série A.

E esses pensamentos atrapalham – muito – o trabalho no clube. Ao dizer que o elenco tricolor era de alta qualidade, não só Vavá iludiu como prejudicou o trabalho de Claudinei Oliveira. A demissão do treinador talvez tenha sido a maior das trapalhadas da diretoria comandada por Leonardo Oliveira. Esse comando, que prometeu “fazer diferente”, apresentou mais do mesmo, com resultados piores do que em anos anteriores. E esse pensamento às vezes ilógico faz com que a torcida receba a todo ano uma esperança de que “agora vai”, mas no final das contas o ano teve todo mundo (aí incluo o próprio Claudinei) achando que Pitty e João Paulo eram sinônimo de uma defesa segura e terminou com Roberto Fernandes chegando e fazendo da Vila Capanema seu laboratório. E ainda achando que estava bem.

O mesmo Claudinei, hoje perto do acesso com o Avaí, disse em 2014 que o ideal para o Paraná Clube era segurar as pontas em um ano, criar corpo, base e lastro financeiro e no ano seguinte entrar pra valer na disputa pelo acesso. Ao falar isso, alguns que hoje estão entre os “paranistas do bem” falaram que ele estava diminuindo o tamanho do Tricolor, que não se podia falar isso. Os mesmos que quase acabaram com o ex-gerente Marcos Vinícius quando este disse que o clube poderia “acabar” se não fosse gerido de forma mais cautelosa. Os mesmos que hoje, à boca pequena, dizem que a situação é realmente essa. Mas que chegam aos microfones para falar para a plateia e dizer que “ano que vem será diferente”.

Então, volto à pergunta: o que fazer para não cometer os mesmos erros dos anos anteriores? É evidente que a resposta está na postura dos dirigentes. Fazer realmente as coisas com pés no chão, ser realista com a situação financeira do clube, evitar promessas que não vão ser cumpridas lá na frente, não construir castelos de ilusão que machucam ainda mais o torcedor do Paraná. Viver o real. Pensar mais. Ser mais criterioso nas contratações. Dar o comando do futebol a quem entende, não a quem acha que entende. Apostar nos garotos (olha aí o Johny, olha a meninada campeã do sub-17). Ser de verdade o Paraná que se desenhou em 1989. E não achar que o papo furado e as bravatas de ocasião servem para satisfazer o decepcionado paranista. Aí sim é possível pensar que “ano que vem vai ser diferente”.