Depois de quinze dias sendo pressionado de forma incessante por conselheiros, torcedores e por um grupo que pretendia assumir o Paraná Clube, o presidente Rubens Bohlen mostrou-se irredutível. Não aceitou renunciar, mesmo com um plano apresentado que traria dinheiro imediato ao Tricolor caso ele saísse. Ao contrário – seguiu no cargo e falou que apresentará em trinta dias um projeto para o futuro do clube. Mas as soluções que o mandatário deverá encontrar, no entanto, não prometem grandes novidades.

A principal ideia é que jogadores de potencial venham para a Vila Capanema com salários bancados pelos clubes de origem. Em contrapartida, o Tricolor deixa à disposição a vitrine que é disputar uma Série B e a chance de chamar atenção de um time mais endinheirado no fim da disputa. Tudo isso, sem garantia de futura compensação financeira para o Paraná.

Estratégia antiga no Tricolor desde que o clube passou a sofrer com a falta de dinheiro, este é o principal pilar do plano que está sendo montado por Bohlen enquanto tenta ganhar sobrevida de mais um mês no cargo. “Vamos tentar trazer jogadores. Isto faz parte. Não apenas com o Jotinha e Atlético, mas com vários clubes. É uma das saídas, com certeza”, revela o gerente de futebol, Marcus Vinícius, citando clubes que já sinalizaram colocar atletas à disposição do Paraná para a Série B.

“Um exemplo é o Paulo Henrique. Quem paga o salário é o Atlético-MG. O (Eduardo) Maluf foi meu diretor e é meu amigo e o Paraná não tem custo nenhum”, exemplifica o gerente, que garante ainda que o planejamento do futebol tricolor segue evoluindo com participação direta de Bohlen, apesar da instabilidade política. “Temos trabalhado normalmente no planejamento. Se as coisas não acontecerem, paciência”, complementa Marcus, que deve deixar o clube em caso de renúncia de Bohlen.

Apesar de ter pedido um tempo maior para apresentação de seu novo plano, a pressão pela renúncia do atual mandatário deve se intensificar ainda nesta semana, caso o gestor não apresente um projeto ao Conselho Deliberativo já nos próximos dias.

“Não podemos continuar nesta mesma esteira de que o tempo passa e nada é apresentado. A esperança é de que um projeto prevaleça, ou o do presidente, ou do grupo que pede sua renúncia. O importante é que haja um projeto concreto”, afirma o presidente do Conselho Consultivo, Benedito Barboza.