Desde que liderou o grupo “Paranistas do Bem” a partir da renúncia do então presidente Rubens Bohlen, Carlos Werner tornou-se protagonista do Paraná Clube. Em primeiro plano ou mais nas sombras, foi ele quem deu as diretrizes para a recuperação financeira – inclusive colocando dinheiro do próprio bolso para garantir a sequência do Tricolor.

Dentro da Vila Capanema, Werner era chamado de “Petraglia melhorado”, por ter a capacidade de liderança de Mário Celso Petraglia, presidente afastado do Conselho Deliberativo do Atlético, mas que permite mais diálogo e não centraliza tudo em suas mãos.

As semelhanças entre Carlos Werner e Mário Celso Petraglia podem ter ajudado o Paraná Clube a viver o momento mais esperado da temporada – a partida desta terça (3), às 20h30, contra o Internacional, na Arena da Baixada. Foi o homem-forte do Tricolor quem conseguiu o aluguel do estádio do Furacão.

“O negócio é por um jogo, no qual o Mario abre as portas do Paraná para trabalhar na Arena com outros eventos. Ele acredita que o Paraná possa voltar a crescer e ser um clube de Série A”, afirmou Werner, em entrevista à rádio Transamérica. O empresário também confirmou que está tratando do “segundo passo”, a realização de mais partidas ainda este ano na Baixada.

“Já teve uma conversa para o jogo do Criciúma, mas é impossível, muito em cima da hora. Mas podemos pensar no jogo Paraná e Boa Esporte. Sou sonhador. Na última rodada e com chance de classificação”, comentou o ex-dirigente e agora investidor do Tricolor, empolgado com a resposta da torcida, que esgotou os ingressos em dois dias.

Carlos Werner sabe que do outro lado da mesa de negociação há um dirigente muito esperto. “O Mario é visionário. Deve estar vislumbrando um Paraná e Corinthians, Paraná e São Paulo. A Arena é um centro de eventos e a Vila hoje talvez não possa abrigar estes tipos de jogos”, admitiu.

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Essa proximidade de pensamento facilitou a conversa entre os dois, e mostrou outras semelhanças, como a posição de evitar dar entrevistas. Mas o paranista deu sua justificativa. “Não sou favorável a que o povo tenha admiração muito grande por uma pessoa. Não só o Paraná Clube, como o Brasil, não pode ter ídolos assim para formar estátuas, criar heróis em pouco tempo não é bom”, afirmou Carlos Werner.

Sede da Kennedy

Apesar de não ter se oposto ao plano de arrendamento e possível venda de parte do terreno da sede do Paraná Clube na Vila Guaíra, Carlos Werner garantiu que não é favorável ao Tricolor se desfazer da propriedade – pelo menos por enquanto. “A venda da Kennedy foi deliberada, aprovada, mas vamos tentar evitá-la. Trabalhar para não vender. É a marca da história do clube. Quanto mais demorar para vender, maior fica esse patrimônio, vai valorizar muito, quem sabe um shopping ali um dia, a tentativa é não vender”.