Quando o Paraná Clube foi ao mercado para contratar jogadores para a disputa do Campeonato Brasileiro, um nome em especial chamou a atenção. Aos 21 anos, Caio Henrique chegou com pompas de principal reforço do time. Não pelo que já apresentou no futebol brasileiro – onde ficou pouco tempo e não era muito conhecido dos torcedores -, mas sim pelo currículo.

Apesar de ainda ser novo, o meia veio por empréstimo do Atlético de Madrid, da Espanha, que apostou no atleta quando ele sequer tinha sido promovido das categorias de base do Santos. No futebol espanhol, fez apenas um jogo sob o comando de Simeone e decidiu voltar para o Brasil. O retorno, inclusive, está bem encaminhado com o Peixe, mas o técnico Rogério Micale, que trabalhou com Caio Henrique nas categorias de base da seleção brasileira, o convenceu a acertar com o Tricolor.

Porém, no Paraná Clube o jogador demorou para se acertar. Chegou já com a pompa de titular, permanecendo no time titular nas oito primeiras rodadas. Mas o baixo desempenho o fez perder a posição na partida contra o Fluminense. Só que ele ficou apenas seis minutos no banco de reservas e logo entrou em campo no lugar de Carlos, lesionado, e teve uma boa participação, inclusive dando passe para o segundo gol na vitória paranista por 2×1. Depois disso, não saiu mais dos titulares.

Mesmo assim, sempre foi muito questionado pelo torcedor, que esperava mais do jogador, que perdeu chances incríveis de marcar gols – a principal delas no clássico com o Atlético, quando, livre de marcação e de frente para o gol, chutou para fora -, além de errar vários passes. O próprio técnico Rogério Micale admite que Caio Henrique poderia render mais, mas defendeu o jogador e ressaltou suas qualidades.

Caio Henrique ainda não conquistou o torcedor do Paraná Clube. Foto: Divulgação/Paraná Clube
Caio Henrique ainda não conquistou o torcedor do Paraná Clube. Foto: Divulgação/Paraná Clube

“Poderia estar melhor? Poderia. Mas se cobrarmos só dele esse rendimento, vamos estar cometendo uma injustiça com um jogador que muitos clubes queriam, mas acabou vindo para o Paraná. Lógico que por ele participar muito, estar próximo da bola, a tendência é errar mais. Precisa melhorar, mas merece a nossa confiança”, disse o treinador, lembrando da importância tática do atleta.

“Eu trabalho com números, com carga física, técnica, e o Caio me dá a condição de ter tudo isso. Precisamos de uma equipe que ataque o adversário, mas se recomponha muito rápido. E ele faz essas funções. É injusta algumas cobranças em cima do jogador”, completou.

Desde que chegou ao Tricolor, Caio Henrique jogou os 12 jogos do Brasileirão, mas exercendo diversas funções, como o meia armador, segundo volante e até aberto pelos lados do campo. Além disso, com Micale na seleção brasileira sub-20 foi até primeiro volante. Uma polivalência, somada à experiência de dois anos no futebol europeu e o desempenho no dia a dia, que reforçam a confiança do comando técnico no meia

“O Caio Henrique, na verdade, é um jogador versátil. Eu posso alterar o sistema sem mudança de jogador e ele entende bem isso. Ele vem com uma carga de fora, do Simeone, é um jogador que encurta muito o campo, extremamente intenso. Os melhores números em termos de intensidade, de qualidade”, completou Micale.