Quando a segunda-feira passada começou, o Paraná Clube tentava se reerguer da crise interna mais surpreendente e mais grave dos últimos tempos. No ano em que conseguiu enfim acertar as contas, em que os salários não são problema e sim solução, em que o futebol dá resposta positiva e que o acesso para a primeira divisão é uma possibilidade real, o Tricolor precisou resolver uma confusão inimaginável. Nesta segunda (11), outra semana de preparação começa e o ambiente está recuperado, o clima é positivo e a expectativa é apenas para o grande jogo do sábado contra o Londrina.

A diretoria paranista, formada em sua grande maioria por torcedores com histórico de arquibancada, e que assumiram o clube para tentar fazer algo diferente do que os cartolas das “cativas”, talvez tenha descoberto apenas nos últimos dias que há razão na velha frase “o futebol é dinâmico”. Se você dissesse na quinta-feira, dia 31 de agosto, que dias depois a equipe não teria mais técnico, que aconteceria uma briga presenciada por jogadores e que o presidente seria forçado a demitir um profissional e mandá-lo de volta para Curitiba, é possível que essa pessoa fosse internada num hospício.

A reação totalmente inesperada de Lisca, reclamando da logística da viagem para o jogo contra o Atlético-MG, depois divergindo sobre a utilização de titulares e finalmente reagindo agressivamente por conta de um treino regenerativo em Belo Horizonte, chegando a bater no auxiliar Matheus Costa, obrigou a diretoria do Paraná Clube a tomar decisões rápidas e impopulares. A demissão de Lisca não era esperada por ninguém, principalmente pela torcida, que gostava dele e via a evolução do time em campo.

Mas se externamente a reação foi ruim, a posição tomada pelo presidente Leonardo Oliveira veio ao encontro do que o que jogadores, comissão técnica e dirigentes queriam. A personalidade explosiva de Lisca assustou, principalmente os atletas, e seu “dia de fúria” não foi tolerado. Algumas pessoas dentro do Tricolor não aceitariam de forma alguma que um pedido de desculpas fosse aceito – o ex-técnico se disse arrependido, e até imaginou que poderia continuar comandando o time. Pensou até que pudesse assistir à partida com o Galo, mesmo demitido, e só percebeu que não poderia fazer isso quando recebeu em mãos a passagem de volta para Curitiba.

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Lisca passou a acusar Matheus Costa de insubordinação, e a pressão que se voltava sobre a diretoria virou toda para o interino, que tinha a confiança dos cartolas e dos boleiros, mas que precisava mostrar serviço rapidamente. Fechado com o grupo e com Tcheco, que saiu do gabinete de diretor e passou a ser o assistente técnico, Matheus foi para o jogo contra o Goiás, na quarta-feira, sabendo que seria avaliado a cada instante por todos. Deu tudo certo. O time venceu, está empatado em pontos com o Ceará, que é o quarto colocado da Série B, e só não entrou no G4 por causa dos critérios de desempate.

Agora, vem mais um desafio, o primeiro jogo em casa desse novo momento. Mas o clima é bem diferente. Lisca virou passado dentro do clube, a torcida abraçou novamente o time e a expectativa é de Vila Capanema lotada para o jogo do sábado, às 19h, contra o Londrina. O duelo estadual vale muito para os dois times. Ambos em alta, Tricolor e Tubarão lutam pelo acesso, o Paraná é o melhor time do returno da Série B e o Londrina é nosso representante na final da Primeira Liga. É mais um grande desafio para os paranistas.