Ainda nesta terça-feira (25) o Paraná Clube terá a oficialização da reeleição de Leonardo Oliveira. O atual presidente, já no cargo há três anos, parte para um segundo mandato em um pleito esvaziado. Pouca gente está indo à sede da avenida Kennedy para votar, assim como poucos haviam comparecido na apresentação dos planos do clube para o próximo mandato. E, ao contrário do que o cartola diz, o fato de não haver oposição não é nada positivo para o clube.

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Em entrevista à rádio Banda B, Leonardo Oliveira disse que a eleição de chapa única “é um reconhecimento da atual gestão do clube de que tudo que pode fazer está sendo feito pelo Paraná”. Ele próprio admitiu que não é bom não haver oposição. E esse ponto precisa ser ressaltado: não houve discussão alguma sobre os acertos e erros da diretoria do Tricolor. Sem bate-chapa, não se tem a apresentação de projetos alternativos. Fica a cargo da consciência do presidente o que apenas ele acha que foi certo ou errado. E ninguém que está no poder fala em público – ou em privado – que errou, e sim que a culpa é de outros fatores alheios ao seu trabalho.

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E não se pode negar que o Paraná errou em 2018. Tudo que o clube evoluiu no ano passado foi sendo perdido aos poucos – e o maior ‘ativo’, a presença na primeira divisão, é infelizmente uma questão de tempo para também ser perdido. O salto de qualidade que se imaginava não veio, e o que o presidente anuncia agora é que “não vai demorar dez anos para o Paraná Clube voltar para a primeira divisão”. Só que por mais que haja um cenário complexo para o Tricolor, houve incompetência em todo o ano, e o resultado disso é um quase inevitável rebaixamento.

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Por isso, a reeleição de Leonardo Oliveira não pode ser assimilado como um fato comum, corriqueiro. É simbólico não haver oposição – é sinal de que grandes paranistas ou não se interessam em liderar o clube, ou não veem soluções para as complicadas engenharias financeiras dos próximos anos, principalmente de 2019, com uma redução de verbas que remonta aos momentos mais complicados da história paranista. Carlos Werner, que parece ser o único a ter hoje uma visão que se oporia à atual gestão, tem que cuidar da saúde, e se afastou do clube.

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Será preciso que Leonardo Oliveira seja mais que um interventor judicial. E sim um líder que leve o Paraná para uma nova realidade. Se algumas mudanças serão difíceis e de longo prazo, outras podem ser imediatas. Estar cercado de bons assessores, buscar profissionalização real e fazer o futebol ser sustentável. Ficar ‘preso’ a Rodrigo Pastana deu muito certo em 2017, mas fez o Tricolor marcar passo neste ano. É necessário um projeto inovador, que independa de pessoas e de favores. É hora de fazer o Paraná Clube diferente de verdade, e não só no discurso.