“Gente. O Lisca caiu”. A mensagem do repórter Luiz Ferraz chegou às 10h31 deste sábado (2). Um minuto antes, a assessoria de imprensa do Paraná Clube divulgou a notícia mais surpreendente do futebol paranaense em 2017 – pelo menos até aquele instante. Afinal, um treinador que tinha rapidamente caído nas graças da torcida e vinha com excelente aproveitamento foi demitido sem qualquer explicação. Só com o passar das horas se firmou uma justificativa para o ato da diretoria tricolor – uma história que é negada pelo agora ex-técnico do clube.

Lisca deixou Belo Horizonte com destino a Curitiba perto da hora do almoço do sábado. Tinha saído de uma reunião com o presidente Leonardo Oliveira e com o diretor de futebol Rodrigo Pastana em que pouco foi dito – o principal momento da conversa foi a entrega de uma passagem para o técnico deixar BH. Enquanto isso, pipocavam motivos, possíveis explicações para a demissão, mas os acontecimentos relatados pelo presidente após a derrota para o Atlético-MG pela Primeira Liga já eram de conhecimento de torcedores e jornalistas.

A briga do ex-treinador com o auxiliar Matheus Costa e o preparador Rodrigo Rezende foi um choque para quem viu a cena. Principalmente para os jogadores do Paraná, que não entendiam o que estava acontecendo, tiveram que separar Lisca e ficaram imediatamente ao lado da comissão técnica. Havia uma perplexidade gigante entre os tricolores desde o final da tarde da sexta-feira (1). Por que o técnico tinha feito aquilo?

“Aquilo” que, por sinal, Lisca nega. Ele afirmou que só se posicionaria depois da entrevista de Leonardo Oliveira, e no final da noite do sábado (2) a assessoria do treinador divulgou uma nota com a versão dele: “Venho a público esclarecer que jamais agredi o auxiliar Matheus Costa. O que ocorreu foi um desrespeito profissional, pois estava ministrando um treinamento com o grupo de jogadores na véspera da partida contra o Atlético Mineiro sem meu conhecimento”.

Não foi o que quem estava no hotel onde o Paraná está concentrado relata. Inclusive a diretoria do clube buscou as imagens da câmera de segurança antes de tomar uma decisão sobre a gravíssima crise interna que teve que resolver no melhor momento do time na temporada. E a diretoria se viu praticamente obrigada a demitir Lisca, pois era essa a posição que atletas e comissão técnica preferiram. Mesmo com o arrependimento do técnico.

O que se passou na cabeça de Luiz Carlos Cirne Lima de Lorenzi, 45 anos, só ele pode contar. Foi definido pelo diretor Rodrigo Pastana como “um dia de fúria”. “Foi o dia inteiro com questionamentos infundados e estoura com uma agressão. Tenho certeza de que ele vai falar sobre isso com clareza e vai assumir o erro, mas teve o chamado ‘dia de fúria’”, disse o cartola, que resumiu o ambiente depois de toda a muvuca. “Causou muita estranheza em todos. Os jogadores ficaram assustados com o fato”.

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Ninguém ainda conseguiu entender direito o que passou no sábado mais tenso da história recente do Paraná Clube. “Não queremos entrar em discussão ou polêmica, mas é inevitável que um acontecimento como esse pega todo mundo de surpresa”, disse o volante Leandro Vilela. Ainda mais com um treinador que tinha conquistado o grupo com seu estilo ‘diferentão’, e a torcida com seu jeito ‘doido’.

Três imagens foram marcantes neste pouco mais de um mês de Lisca no Tricolor. Primeiro, a alegria dos jogadores com ele no dia do aniversário do treinador. Depois, a carona com torcedores depois da vitória sobre o ABC. Mais tarde, a festa com a torcida na vitória sobre o Juventude. Cenas que faziam dele um personagem importante na arrancada da equipe na Série B. Sem contar os diversos elogios públicos a Matheus Costa e Rodrigo Rezende, os dois com quem brigou e que hoje acusa de desrespeito profissional.

O Paraná Clube agora segue. “Temos um grande objetivo que é o acesso e não podemos deixar a peteca cair”, afirmou o zagueiro Eduardo Brock, que falou em nome do grupo de jogadores. Internamente, o tema é tratado como caso encerrado. Mas certamente todos que viram e souberam o que aconteceu na sexta-feira em Belo Horizonte ficarão com uma pergunta na cabeça: “o que aconteceu com o Lisca?”. A resposta, só Lisca pode dar. Ou nem ele.