O técnico Nedo Xavier, com três resultados diferentes nesta Série B, pediu calma ao torcedor e que as mudanças drásticas de gestão vão surtir resultado. Depois de estrear bem, ser goleado e empatar em casa, o Paraná acredita que a irregularidade é normal pela enorme mudança no departamento de futebol.

Até o momento, a direção que assumiu a partir de 24 de março trocou quase toda a comissão técnica, manteve poucos atletas do elenco passado (no jogo de hoje, por exemplo, apenas Jean já era titular) e trouxe 16 reforços. Por tudo isso, o treinador acredita que o entrosamento ainda vai demorar um pouco.

“Chegaram 15, 16 jogadores, e estamos trabalhando há 15, 20 dias. No futebol, você não compra uma fórmula para jogar, é o dia a dia que você vem trabalhando. Os jogadores estão trabalhando bem. Ainda tem uns para estrear, outros que não estão na forma física ideal. Isso é tempo, e a gente já sabia. Pagamos um ônus caro, porque você tem que formatar o time dentro da competição”, justificou.

O comandante paranista, com a desconfiança de um grupo totalmente reformulado, citou que é possível fazer um time competitivo para brigar pelo acesso. Com a redução salarial, tendo teto de até R$ 20 mil, Nedo relembrou da campanha do Boa Esporte, com R$ 270 mil de orçamento, que não subiu por perder na última rodada para o rebaixado Icasa.

“Quantas equipes que saem do zero e conseguem subir. Eu mesmo, em uma equipe no ano passado, não subi por uma infelicidade no último jogo. Temos tentado fixar uma base e, aos poucos, você vai introduzindo isso com os jogadores. Nós estamos formatando, estamos fazendo uma equipe forte e vai ser. A gente tem certeza disso. A coisa vai engrenar e nós vamos brigar por essa vaga”, garantiu.

Retrospecto ruim

Diante do Bahia, nesta noite, o Paraná encara um jejum de 20 anos sem vencer o rival longe da Vila Capanema. A única vitória paranista contra o rival aconteceu em 1995.
No dia 26 de novembro daquele ano, o Tricolor foi a Salvador e venceu por 2×0, pelo Campeonato Brasileiro, com gols dos atacantes Sílvio e Luis Carlos Matos, aos 33 e 39 minutos do segundo tempo, respectivamente. Os dois entraram no decorrer do jogo, nas vagas de Jóbson e Aldrovani, e acabaram decidindo o duelo.

De lá para cá, as equipes tricolores se enfrentaram sete vezes com o mando do Bahia. Foram seis vitórias do Bahia e um empate – com 16 gols feitos e seis tomados. No retrospecto geral, com jogos também em Curitiba, o Paraná venceu quatro vezes, perdeu oito e empatou dois.

Apesar do mau retrospecto em Salvador, foi lá que o Tricolor conquistou seu primeiro título nacional. Em 1992, em plena Fonte Nova, Saulo foi o herói da conquista da Série B no 1×0 sobre o Vitória.

Encarando os “ricos”

A tabela da Série B reservou ao Paraná em apenas três dias o encontro com dois dos recém-chegados à divisão e ao mesmo tempo donos dos orçamentos mais robustos da competição. Oportunidade de testar o refeito elenco paranista, como um termômetro diante da força financeira dos principais concorrentes ao acesso.

Hoje, contra o Bahia e seu caixa de R$ 60 milhões gastos para que o clube faça apenas um bate e volta na Segundona. O próximo oponente, que encerrou 2014 com uma folha de R$ 2,3 milhões, estipula um teto máximo de R$ 2 milhões na Série B.

Diferença

Na terça-feira, o duelo de maior apelo na Vila Capanema. O Paraná recebe o Botafogo, o mais tradicional dos clubes da divisão de acesso. Com a queda para a Série B e as diversas dívidas que afetam o caixa alvinegro, o clube prevê que o futebol perca 33% de investimentos e, no geral, viu seu orçamento para 2015 cair: de R$ 158 milhões, em 2014, para os previstos R$ 105 milhões para esta temporada. “Apenas” cerca de R$ 100 milhões a mais do que o Paraná conta em 2015. (Ana Luzia Mikos e Julio Fi,lho)