Oficializado no final de semana pelo Paraná, o novo gerente de futebol, Edson Neguinho, já está analisando o elenco atual e futuras contratações para a disputa do segundo semestre. E o objetivo é lembrar que o clube, mesmo com a crise dos últimos anos, é grande.

Vindo do Rio Branco, o dirigente teve a primeira conversa com o Tricolor no início do mês passado. Vavá, superintendente de futebol, entrou em contato com ele quando iniciava a tentativa de assumir o time junto com o grupo “Paranistas de Bem”. Rubens Bohlen renunciou ao cargo de presidente no dia 24 de março.

“Já conhecia o elenco e estou observando o Paraná faz um tempo. Temos muito trabalho a fazer. Estou preparado e, com os pés no chão, vamos arrumar a casa e colocar o clube no lugar que merece”, prometeu em sua primeira entrevista coletiva ontem, no CT Racco.

Para não atrapalhar o clima do elenco, que tem um jogo decisivo hoje, em Ponta Grossa, pela partida de volta das quartas de final do Campeonato Paranaense, Neguinho não quis comentar as carências do grupo. “A avaliação está acontecendo. Logicamente que não esquecemos o Estadual, queremos o título. Mas estamos pensando na Série B e alguns jogadores estão sendo conversados”, reconheceu.

Neguinho pretende resgatar o orgulho do torcedor paranista com o time que formará ao lado de Vavá e Fernando Miguel, gestor da pasta. Os três estão analisando atletas, principalmente no interior de São Paulo e do Rio Grande do Sul. E, com todos que conversam, falam da promessa de pagar em dia, algo raro desde 2008.

A previsão de pagamento é para o dia 2 de cada mês e, até o quinto dia útil, uma prestação de contas será feita com o Conselho Fiscal, que vai fiscalizar as ações do grupo. Por ter seus recursos bloqueados, o dinheiro sequer vai passar pelas mãos do Paraná. O pagamento será feito diretamente na conta de atletas, comissão e funcionários. Vale lembrar que os R$ 400 mil mensais prometidos são exclusivos para o futebol. “O pessoal está mapeando jogadores e vamos trazer alguns junto com a avaliação da comissão técnica. E isso já foi passado. Todos vão receber no dia certo”, garantiu.

E quem vier precisa atender à uma exigência em especial. “O perfil é de vir para vestir a camisa. Temos que resgatar atletas que vinham aqui e sabiam da tradição. Isso foi esquecido e temos que colocar na cabeça de cada um que o Paraná é time grande”, finalizou.

No Couto, o Tricolor teve lucro

Pelo menos financeiramente, jogar no Couto Pereira foi bastante lucrativo para o Paraná. Na partida do sábado contra o Operário, o clube estreou no mata-mata do Estadual com arrecadação de R$ 127 mil – três vezes mais do que a média do clube na Vila Capanema (cerca de R$ 40 mil).

O borderô foi divulgado no site da FPF somente ontem. Para atuar no estádio do rival Coritiba, o time teve R$ 58 mil de despesas, sendo R$ 44 mil para “abrir” o estádio. A renda líquida foi de R$ 42 mil.

Com 5.397 pagantes, o jogo no Alto da Glória também marcou o maior público paranista na temporada. Até então, o duelo contra o Foz do Iguaçu, pela oitava rodada, detinha a marca, com 2.317 pagantes. Como jogou o clássico contra o Coxa com portões fechados devido à falta de laudos de segurança na Vila Capanema, o Paraná fez apenas cinco jogos como mandante no campeonato.

Devido às ações judiciais que responde, as rendas do Paraná na Vila Capanema são alvo de penhora. Todo o dinheiro arrecadado nas partidas não entra nos cofres tricolores, fato que amplia a dificuldade financeira. (Por Felipe Raicoski)