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Houve três gols perdidos pelo Londrina, teve pênalti desperdiçado pelo Paraná Clube, teve cabeçada na pequena área para fora, teve – é claro – decisão por pênaltis. Mas o lance que mais explica a eliminação do Tricolor na semifinal da Taça Caio Júnior aconteceu aos 16 minutos do primeiro tempo. Carlos Eduardo sente a coxa, tenta correr, não consegue, pede substituição. Sem seu principal jogador, o Paraná ficou órfão, e demorou para se ajustar. É até possível dizer que não conseguiu se ajustar. Mas conseguiu o empate em 1×1 no tempo normal do jogo deste domingo na Vila Capanema. Na hora das penalidades, brilhou a estrela do goleiro Alan e Diego Gonçalves, que já tinha errado uma cobrança nos 90 minutos, acabou errando de novo. Vencendo a disputa por 4×2, o Londrina é o finalista da segunda fase do Campeonato Paranaense. E o Tricolor só volta a campo no dia 16 de abril, na estreia do Campeonato Brasileiro, diante do São Paulo, no Morumbi.

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E o que começou como uma tarde animada, mesmo com chuva – que castigou torcedores e jogadores por quase todo o tempo -, terminou em vaias, cobranças à diretoria, principalmente ao diretor de futebol Rodrigo Pastana, e ao atacante Diego, alçado ao posto de “vilão” da tarde. Ele acabou desperdiçando os dois pênaltis do mesmo jeito. Ele correu, deu uma paradinha, voltou a correr, deu outra paradinha e aí chutou. No tempo normal, a bola foi por cima. Na decisão, o chute foi fraco, permitindo a defesa de Alan. O goleiro reserva do Tubarão, que já havia pego a cobrança de Matheus Pereira, saiu como o heroi alviceleste, colocando o time na final.

Com Marquinhos Santos, o Londrina ganhou em organização. Com uma forma de jogar que não é desconhecida, colocou o time bem postado na marcação e com saídas rápidas pelos lados, com Marcelinho e Wesley. O Paraná Clube ficou preso na arapuca do Tubarão, e tinha dificuldades para chegar no ataque. Aí Carlos Eduardo sentiu. E era justamente qualidade que Carlos Eduardo dá ao Paraná. Ele rapidamente se tornou uma liderança técnica, daquelas que se impõe pela decisão que pode dar a qualquer jogada. Ao deixar o campo, o camisa 10 da Vila estava visivelmente chateado – mais do que sofrer com a dor, ele sabia que seu momento de retomada estava sendo interrompido.

A festa do Londrina com a torcida na Vila Capanema. Foto: Jonathan Campos
A festa do Londrina com a torcida na Vila Capanema. Foto: Jonathan Campos

Matheus Pereira, que vem sendo regularmente utilizado pelo técnico Rogério Micale, entrou em seu lugar. Mas o time baqueou – a perda do melhor jogador teve um impacto técnico e emocional. Os erros de passe irritavam a torcida, que não aguentava a falta de qualidade do paraguaio Marcelo Baez.

Em cima das falhas tricolores saiu o gol londrinense. Jogada rápida de Marcelinho e cabeçada de Wesley. Era o pior momento tricolor na partida. Mesmo assim, veio o pênalti, indiscutível, no toque do lateral Roberto. Bem, vocês já sabem que Diego errou. Cabisbaixo, o Paraná deixou o gramado no intervalo. E voltou à toda para o segundo tempo, já com Vitor Feijão na vaga de Baez. E aos poucos os donos da casa foram se colocando cada vez mais no campo de ataque.

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Até o momento em que a partida virou um lá e cá ensandecido. Era o Tricolor tentando, perdendo a bola e o Londrina saindo na cara de Richard. Carlos Henrique e Anderson perderam gols incríveis. E garantindo a vitalidade do eterno ditado, quem não fez, tomou. Diego cruzou e Feijão entrou de carrinho. A Vila entrou em frenesi. Os dois times seguiram atacando. E foi aí que Zezinho, livre na pequena área, cabeceou para fora. O lance que evitaria os pênaltis.

Mas a decisão veio, e o LEC foi perfeito nas cobranças – Lucas Costa, Lorenzi, Roberto e Anderson. No Paraná, Alemão acertou, Matheus errou, Zezinho converteu. E Diego Gonçalves perdeu. Visitantes em festa, torcedores em fúria. Por longo tempo os tricolores ficaram reunidos na beira do campo. Muitos falaram, e depois todos evitaram que Diego falasse. Ele descobriu da pior maneira possível que o futebol pode ser muito cruel.

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