Mecenas recente na história do Paraná Clube, o empresário Carlos Werner conseguiu a penhora das cotas da televisão da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e da Rede Globo para saldar uma das dívidas do clube com ele, de acordo com apuração da Tribuna do Paraná. O recurso, entretanto, está suspenso no momento e a Justiça avalia se o valor penhorado entra no Ato Trabalhista ou terá outro destino de recursos.

Em ação que ocorre desde 2017 na 15ª Vara Cível, o ex-investidor cobra R$ 3,5 milhões, sem correção, de uma confissão de dívida, não detalhada, do Tricolor. O desembargador Hayton Lee Swain Filho havia determinado que o processo fosse incluso no Ato, mas o representante de Werner pede que esse seja um caso à parte, já que a questão cível entra no final da fila e o recebimento é postergado.

+ Leia mais: Operário manda e desmanda quando o assunto é decisão

O desfecho da penhora só será conhecido quando a Justiça determinar de onde Werner receberá a quantia, seja na intervenção judicial com o clube ou de uma outra fonte de renda que o Paraná tenha. O montante ainda precisa ser corrigido nesses últimos dois anos.

Com a queda para a Série B, o time paranista receberá de R$ 6 a 7 milhões de cota nesta temporada. Na Copa do Brasil, com a classificação para a segunda fase, após vitória por 5×2 diante do Itabaiana-SE, a equipe recebeu R$ 1,1 milhão. Ainda tem o valor de R$ 600 mil pela participação no Campeonato Paranaense.

Foto: Jonathan Campos.
Werner entrou em atrito com a diretoria paranista por divergência de opiniões. Foto: Jonathan Campos.

Vale lembrar, inclusive, que Werner foi contra a assinatura do Tricolor pelo Ato Trabalhista, firmado em março de 2018, e esse era um dos motivos para que ele rompesse a parceria com o clube e se afastasse de vez do dia a dia paranista. Essa, aliás, não é a única ação do ex-investidor. O torcedor tem um outro processo na 5.ª Vara Cível, feita em fevereiro de 2016, que cobra a execução de um título extrajudicial no valor inicial de R$ 10,3 milhões. Atualmente, o valor já ultrapassa os R$ 12 milhões.

A quantia é referente a empréstimos entre setembro de 2015 e janeiro de 2016. O Paraná parcelou em 20 parcelas mensais de R$ 519 mil, mas não tem cumprido com o acordo. O CT Ninho da Gralha foi colocado como garantia no processo. Internamente, de acordo com apuração da reportagem, o clube avalia que seu débito, somando todos os valores e empréstimos, com o empresário Carlos Werner é de aproximadamente R$ 30 milhões.

Histórico

Carlos Werner foi peça fundamental para o Paraná desde 2014, quando dava aporte financeiro para as categorias de base do clube. Já no começo de 2015, quando o então presidente, Rubens Bohlen, renunciou ao cargo, ele se juntou com Leonardo Oliveira e Luiz Carlos Casagrande, o Casinha, que assumiu a presidência na ocasião, e formou o “Paranistas do Bem”, entre outras pessoas, para dar um aporte de R$ 4 milhões e ‘salvar da falência’.

+ Confira também: Oeste em êxtase com a campanha do FC Cascavel no Paranaense

Depois, em setembro, Oliveira teve em Werner o seu grande aliado para conseguir vencer as eleições e também por dar a sustentação financeira necessária ao clube diante da crise financeira que assolou o time paranista nas últimas temporadas. Não são raros os casos do ex-investidor pagar as rescisões no ato com ex-dirigentes ou atletas durante sua passagem, além do pagamento de parte de dívidas antigas, como nos casos de Thiago Neves com o empresário Léo Rabello, em que pagou R$ 2,6 milhões dos R$ 4,5 milhões acordados, e da BASE, antiga gestora do CT Ninho da Gralha, que cobra na Justiça a parte que o Tricolor não desembolsou – Werneu pagou R$ 2 milhões e o clube tinha até dezembro do ano anterior para quitar os R$ 3 milhões restantes.

Em 2017, as divergências começaram a aparecer e ele já tinha voltado a investir somente na base paranista, saindo dos assuntos do profissional. Uma delas foi o pedido de demissão do executivo de futebol, Rodrigo Pastana, após pedir para o time disputar o Estadual com um time de jovens, o que foi rechaçado pelo dirigente. Outra ocorreu na partida da festa do retorno à Série A, diante do Boa Esporte, pela última rodada. Werner queria o confronto novamente na Arena da Baixada, como foi contra o Internacional, e já tinha alinhado o acordo, mas a direção mandou o jogo no Couto Pereira, o contrariando.

Foto: Jonathan Campos.
O empresário se desligou oficialmente dos bastidores paranistas no ano passado. Foto: Jonathan Campos.

No ano passado, o relacionamento foi piorando e Werner decidiu se desligar do dia a dia do Tricolor. As ideias entre o mecenas e a diretoria do Paraná, nas figuras do presidente e do executivo de futebol, continuavam em atritos e o convívio ficou insustentável. Werner queria a demissão novamente do dirigente durante o Campeonato Paranaense pela péssima campanha, último na primeira fase e eliminado na semifinal da segunda fase, e era contra o Ato Trabalhista, firmado em março. Oliveira ainda manteve Pastana até próximo do fim da Série A, com o time praticamente rebaixado.

“Eu fui um líder no passado por causa do dinheiro. Talvez eu tenha entrado da forma errada no Paraná. Fiz por amor, por um projeto que deu certo em 2016 na questão financeira. O Paraná pagou muita gente. Agora esse grupo vem trabalhando da mesma forma e eu não participo. Não sou contra o grupo gestor, não quero que venha outro grupo sem experiência. Agora é momento de união, ceder para que o time cresça. Temos que parar de falar de política e pensar no futebol do Paraná Clube”, comentou, em maio de 2018.

Nas últimas eleições, em setembro passado, o empresário cumpriu a promessa de não se candidatar ou apoiar alguém. “Eu tenho três empresas, saí de um casamento de 20 anos, estou em outro, família nova e não tenho tempo. O Paraná precisa de alguém que tenha tempo e bagagem”, completou, na ocasião.

+ APP da Tribuna: as notícias de Curitiba e região e do Trio de Ferro com muita agilidade e sem pesar na memória do seu celular. Baixe agora e experimente!