O Paraná Clube vem sofrendo uma reformulação significativa no elenco que fez história ao conquistar o acesso à primeira divisão em 2017. Mas a filosofia para a formação do time segue a mesma e o anúncio dos primeiros reforços do Tricolor para a atual temporada confirmou o caminho para a montagem do grupo desse ano. A receita do sucesso no ano anterior foi baseada na aposta em jogadores “com fome”, definição que mercado dá para atletas que ainda buscam a primeira grande chance ou a oportunidade de recomeço.

O melhor exemplo é o meia Renatinho, que ainda não definiu sua permanência na Vila Capanema. O atleta foi o mais valorizado depois da boa campanha do Paraná, e com 18 gols assinalados em 2017 se transformou em um jogador conhecido e uma opção atrativa para clubes da Série A.

O Tricolor também mudou de patamar. O acesso permitiu que a diretoria qualificasse a estrutura e aumentasse a equipe de trabalho. Apesar disso, o retorno para a elite não mudou a ideia do clube em relação ao mercado.

“Vamos seguir nossas diretrizes. O grupo ainda está em formação. Mantivemos uma base e preenchemos algumas lacunas. O mais importante é o clube seguir uma linha de trabalho, como no ano passado”, disse o executivo de futebol Rodrigo Pastana ao site oficial do clube.

A lógica valeu para a reposição na defesa. Charles e Neris chegaram para as posições de Iago Maidana, que dificilmente fica, e Eduardo Brock, que acertou com o Goiás. Juntos, eles formaram a melhor dupla de zaga da Segunda Divisão. O primeiro tem experiência na Série B, com Joinville e Paysandu, mas, apesar dos 29 anos, não tem nenhuma rodagem na primeira divisão.

Neris entra no pacote daqueles que buscam a segunda grande oportunidade da carreira. O defensor já disputou uma Série A com regularidade pela Santa Cruz em 2016, quando fez 37 jogos no Campeonato Brasileiro. O desempenho levou o atleta de 25 anos para o Internacional, onde não teve sucesso e só jogou duas vezes.

A linha segue tão parecida com a do ano passado que o Paraná Clube contratou em 2018 um jogador que já foi reforço em 2017. Alex Santana volta para a Vila Capanema depois de uma passagem apagada pelo Internacional. O volante foi destaque do Tricolor sob comando de Wagner Lopes no começo da temporada passada, o que fez com que o Colorado pedisse o seu retorno. O jogador de 22 anos é a principal contratação paranista até agora.

Outro plano da temporada passada foi apostar em jogadores com ’boa formação’, ou seja, atletas com alto nível nas categorias de bases dos principais clubes brasileiros, mas sem muito espaço para jogar. Dentro desse princípio é que entra a contratação do atacante Diego Gonçalves, que também veio do Internacional. O jogador de 23 anos passou pela formação do Fluminense, disputou a Série C pela Portuguesa e terá chance de jogar com regularidade no Tricolor.

O quinto reforço anunciado é um velho conhecido. Formado no clube, o goleiro Luís Carlos retorna depois de cinco anos e muita estrada na Série B, especialmente com as camisas do Vila Nova e do Ceará. O jogador de 30 anos chega para ser o plano B para Richard, que ainda não definiu a renovação de contrato e é um exemplo da montagem de elenco proposta por Rodrigo Pastana desde o ano passado. O campeonato mudou e o orçamento também, mas o Paraná seguirá sem fazer loucuras para terminar o ano novamente podendo comemorar bons resultados e mudando a realidade dos seus jogadores.