Em meio à má fase no campo, onde briga para não cair na Série B do Campeonato Brasileiro, o Paraná Clube mudou o centro das atenções nesta semana. Na última quarta-feira, uma imobiliária de Curitiba colocou um anúncio nos principais portais de venda de imóveis do País, oferecendo parte do terreno da sede da avenida Kennedy por R$ 60 milhões. A revelação foi feita pelo jornalista Rodrigo Fernandes, da Gazeta do Povo.

Vivendo uma crise financeira – tanto que o jogo contra o Vasco amanhã, embora seja de mando paranista, foi vendido para Cariacica, no Espírito Santo -, o Tricolor tenta arrecadar dinheiro para evitar mais prejuízos futuros e colocou a antiga sede administrativa, que agora fica no CT Ninho da Gralha, à venda. O terreno tem uma área de 18 mil metros quadrados. Ou seja, o pedido é de R$ 3.333 por metro quadrado, sendo que nem toda a área do local pode ser vendida.

Por conta de uma lei municipal, como o terreno foi doado pela prefeitura, existem cláusulas de inalienabilidade e impenhorabilidade, ou seja, que impedem o local de ser vendido ou penhorado. Por isso, apenas partes da área foram colocadas à venda.

No anúncio, inclusive, a área é descrita como um “Terreno com 18.000 m2, totalmente plano, ZR3, para uma Construtora ou Incorporadora desenvolver projeto de Edifícios ou Casas. Localização privilegiada, junto à Av. Presidente Kennedy na esquina da Praça Bento Munhoz da Rocha Neto. Valor sujeito a alteração sem aviso prévio”.

anuncioA construtora e imobiliária Bidese é identificada pelos sites Zap, VivaReal e Chaves na Mão como a intermediária da negociação. No entanto, por volta das 15h de ontem, cerca de 24 horas depois de ser colocado no ar, as páginas do Zap e do VivaReal tinham sido retiradas do ar, permanecendo apenas no Chaves na Mão. Embora ainda seja possível localizar no Google, em nenhum buscador nos sites é possível encontrar o terreno da Kennedy – inclusive no site próprio da Bidese. A mudança possivelmente foi um pedido do próprio clube.

O anúncio indica, além da imobiliária, o corretor responsável pelo negócio. Ao ser contatada, a empresa encaminhou o assunto para o corretor, que ao falar com a Tribuna repetiu diversas vezes que não fazia a menor ideia do assunto. “Já me ligaram, você não é o primeiro, eu não sei de nada. Não sei porque o meu nome está aí”, afirmou o profissional. Entretanto, ao ser perguntado sobre como seria possível uma confusão envolvendo uma imobiliária, um corretor e um site, ele não soube responder.A Tribuna também conversou com os responsáveis de um dos portais de venda de imóveis. Segundo eles, qualquer anúncio colocado no ar tem a anuência direta ou indireta do proprietário (no caso, o Tricolor). É possível fazer o anúncio sem intermediários, apenas entre dono e site. E também é possível fazer via imobiliária – e quando isso acontece, o nome da empresa aparece no anúncio (como no da Kennedy). Portanto, o anúncio é real, foi feito pela imobiliária e aprovado pelo clube.

Junto do anúncio, inclusive, tem um estudo de viabilidade da construtora Bidese onde é feito um levantamento de toda a área e suas respectivas características para a construção de um condomínio de prédios. É relacionada até mesmo a quantidade de apartamentos que podem ser feitos com suas respectivas áreas, que variam de 89 a 137 metros quadrados.

A reportagem tentou entrar em contato com o presidente paranista, Leonardo Oliveira, para explicar a situação mas como resposta, via assessoria de imprensa recebeu apenas que o dirigente e o clube não tinham “nada a declarar”, sem dar qualquer retorno para os torcedores. Vale lembrar que em outubro do ano passado os conselheiros do Tricolor aprovaram, em maioria, à venda do patrimônio e desde então o clube vem estudando a forma de negociar o local, justamente por conta da lei municipal.

Parte da área já foi arrendada para o Espaço Torres, grupo responsável por eventos e que reformou toda a parte social do salão para festas e formaturas. Além disso, o clube já perdeu em outras gestões no passado, por vendas ou leilões a sede onde atualmente fica o Big Avenida das Torres e a sede do Tarumã. Dinheiro que mal entrou nos cofres e já foi repassado para pagar contas e dívidas acumuladas.