O Conselho Deliberativo do Paraná Clube, em reunião extraordinária, se encontrou na noite desta terça-feira (26), na sede social da Kennedy, com o próprio terreno de 28 mil metros quadrados como tema central. O encontro, porém, teve confusão e terminou antes do esperado devido a um pedido de renúncia para a diretoria. O presidente, Leonardo Oliveira, estuda a possibilidade e pode sair da função após o clássico entre Tricolor e Coritiba, no domingo.

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Pressionado no cargo, o mandatário paranista está se sentindo isolado politicamente no clube e vem avaliando, nas últimas semanas, “abandonar o barco”. A Tribuna do Paraná apurou que existe a chance do dirigente renunciar depois do Paratiba ou até mesmo antes da partida válida pela última rodada da Taça Dirceu Krüger. A situação, que era analisada por ele, se agravou com o tumulto da última noite.

Uma hora após o início, depois de falar sobre o balanço financeiro e o impedimento jurídico da venda do imóvel, o presidente da torcida Fúria Independente, Marcio Silvestre, que também é conselheiro, entregou um abaixo-assinado com 52 assinaturas pedindo a saída de toda a mesa diretiva. A atitude foi muito aplaudida.

Na sequência, houve um tumulto entre os presentes, com integrantes da organizada batendo boca com os dirigentes. Eles queriam saber quanto que a sede social arrecada e gasta, mas não obtiveram respostas concretas com números.

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Acuado, o mandatário Leonardo Oliveira se levantou da mesa e saiu do local. Os torcedores, então, foram cobrar o presidente do Conselho Deliberativo, Luiz Carlos Casagrande, o Casinha, exigindo sua saída do Tricolor. Após muito bate-boca, toda a diretoria se retirou e foi cercada por seguranças para protegê-los. A reunião foi encerrada antecipadamente devido ao tumulto.

Está marcada para sábado uma reunião apenas com sócios do Paraná, limitada a mil pessoas, se cadastrando de forma online. Se o número não for batidos, torcedores não associados poderão comparecer.

O encontro

O mau tempo em Curitiba, com chuva em boa parte do dia, aliado ao evento do final de semana, divulgado na tarde de segunda-feira, desmotivou uma parte da torcida. Mesmo assim, o público foi maior do que os anteriores. O número de conselheiros aumentou, assim como de sócios – vale lembrar que, estando regularizado com sua mensalidade, a participação é aceita em toda reunião. Entretanto, não é possível questionar a mesa diretora. Ainda houve uma aglomeração do lado de fora de adeptos impedidos por estarem com suas mensalidades em atraso ou por não serem sócias.

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O assunto principal, como divulgado na pauta, foi a situação jurídica da Kennedy. O departamento jurídico explicou que, como o terreno é doado da prefeitura para o Água Verde, que depois virou Pinheiros, clubes de origem do Tricolor, não pode ser vendido e nem leiloado, situação amparada por lei municipal de 1958.

A portas fechadas, sócios e conselheiros trataram do futuro do Paraná. Mas a frágil unidade que havia desapareceu ao final do encontro. Foto: Lineu Filho
A portas fechadas, sócios e conselheiros trataram do futuro do Paraná. Mas a frágil unidade que havia desapareceu ao final do encontro. Foto: Lineu Filho

Existem, porém, duas formas de ‘burlar’ essa situação. Uma é através de uma autorização judicial que permita a venda do imóvel e a outra é utilizar os valores da venda para a compra de outros imóveis com a mesma finalidade, que é de lazer e recreação esportiva. De qualquer forma, nenhuma dessas formas de transação pode ser utilizada para o pagamento das dívidas do clube.

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Atualmente, o Paraná deve cerca de R$ 125 milhões (ano passado a dívida era de R$ 170 mi) e, quando colocou 70% do imóvel à venda em 2015, mesmo sem poder, pedia R$ 60 milhões. Ou seja, a transação, se fosse possível, não resolveria nem de perto o passivo paranista. Ainda assim, há pessoas dentro do clube que defendem e falam que é possível vender a sede social.

Além disso, há mais um agravante. O Espaço Torres arrendou os salões sociais até 2032 e uma multa milionária, não revelada, complicaria a venda do patrimônio, pois não tem recursos para pagá-lo. A quadra de futebol society na sede também é arrendada. A mesa diretora também falou que as atividades atuais, como futsal, futevôlei, academia, piscinas e aluguel de estacionamento, são rentáveis e não dão prejuízo. Porém, a diretoria não falou de números exatos e revoltou os presentes.

Tensão antiga

Toda essa discussão estava prevista desde um pedido na reunião de fevereiro, mas acabou potencializada por uma nota oficial e uma faixa com a frase “Paraná Clube é futebol” da Fúria Independente nos jogos. A organizada, que vem aumentando sua presença no conselho, exige o fim das atividades sociais, com as vendas da sub-sede da Kennedy e do terreno em Guaratuba, no litoral paranaense, para aliviar a crítica situação financeira, mas não é permitida juridicamente.

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Antes da reunião acabar pela confusão, o conselho ainda falou do balanço financeiro de 2018 e as projeções para a atual temporada, além de deliberar sobre a suspensão do conselheiro Luciano Carvalho, que se manifestou contra o presidente Leonardo Oliveira nas redes sociais – o assunto não foi finalizado. Outros tópicos, como a formatação do elenco atual, a vexatória campanha na Série A de 2018, a saída polêmica do gerente de futebol, Marcos Oliveira, que pediu demissão do cargo há duas semanas, a enrolada negociação do volante Jhonny Lucas para o futebol europeu e os planos da direção a curto, médio e longo prazo, não foram debatidos.

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