Chegou ao fim a era Roberto Fernandes no Paraná Clube. Com apenas 25% de aproveitamento em nove jogos realizados e um repertório de justificativas que parecia não ter fim para explicar seu péssimo rendimento no clube, o treinador acertou na quarta-feira (16) sua saída. Já pensando na temporada de 2017, o Tricolor optou por antecipar a saída de Fernandes e nas duas últimas rodadas os ex-jogadores Fernando Miguel e Ageu Gonçalves, que fazem parte da comissão técnica permanente do clube, estarão à frente da equipe nos contra Ceará e Tupi.

A saída de Roberto Fernandes nada mais é do que o último capítulo do ano paranista que é para ser esquecido. Depois de demitir equivocadamente Claudinei Oliveira por divergências claras de opinião com o então diretor de futebol Durval Lara Ribeiro, o Vavá, o Tricolor, nos bastidores, acabou se perdendo. Trouxe, então, Marcelo Martelotte, que viveu bons momentos no clube, mas em mais uma sequência ruim dentro da competição, mais uma demissão.

A aposta, então, foi no técnico Roberto Fernandes, que estava afastado dos grandes centros do futebol brasileiro e que vinha de uma campanha também contra o rebaixamento pelo Confiança-SE, na Série C. A desconfiança da torcida e da imprensa logo ficaram comprovadas não apenas pelos resultados ruins do clube na Segundona, mas pelo péssimo futebol apresentado nas partidas.

O treinador, então, abriu sua máquina de desculpas e justificativas para tentar explicar a série de resultados ruins e seu aproveitamento de apenas 25% em nove partidas. A principal delas foi o excesso de jogos feitos fora da Vila Capanema. Das seis vezes em que atuou longe de Curitiba, sendo que o duelo contra o Vasco, com mando paranista, foi realizado em Cariacica, no Espírito Santo, foram cinco derrotas e um empate.

Contra o Criciúma, no último sábado (12), na Vila Capanema, o Paraná teve mais uma péssima atuação e acabou perdendo dentro de casa. Desta vez, Roberto Fernandes afirmou que o fato de o clube ter se livrado do rebaixamento depois de tropeços de Joinville e Bragantino e as viagens desgastantes dos últimos dias acabaram influenciando no comportamento em campo.

Ainda depois de mais uma vexame dentro da Série B, o técnico já imaginava que não renovaria seu contrato. Assim, ele justificou mais uma vez seu péssimo rendimento aos anos anteriores do clube, que passou longe de conseguir o acesso e ficou ameaçado, inclusive, de ser rebaixado.

“Ano passado, o Paraná escapou do rebaixamento exatamente nesta rodada. Eu não era o treinador ano passado. Muitos dos jogadores não estavam aqui e o filme se repete. Então, a gente precisa analisar com muita tranquilidade porque quantas vítimas, entre aspas, têm sido feitas pelo Paraná? Não faz um bom trabalho aqui, mas quem tem conseguido? Quando foi o último título estadual do Paraná? Quando foi a última vez que disputou a Série A? Opa, estou aqui há dois meses. Aliás, incompletos”, declarou Fernandes, após a derrota para o Tigre.

A diretoria paranista terá, a partir de agora, tempo para pensar em um nome para comandar a equipe em 2017, ou até mesmo analisar os membros da sua comissão técnica permanente, caso do auxiliar técnico Ageu Gonçalves, que vem de boas temporadas ao lado do técnico Marcelo Oliveira, atualmente no Atlético-MG, nas passagens por Cruzeiro e Palmeiras. Será um tempo a mais também para a cúpula do Tricolor definir uma filosofia de trabalho e acabar com a falta de convicção no seu departamento de futebol que acabou custando, em 2016, a pior temporada do clube na disputa da Série B.