A noite perfeita. O que o Paraná Clube queria mais de ontem? Recorde de público da Arena da Baixada? Teve. Festa da torcida desde antes até o final do jogo? Teve. Um time lutador e inteligente? Teve. E vitória? Teve. Foi um 1×0 sólido, um triunfo que mostra que o Tricolor tem todas as qualidades pra subir pra primeira divisão. E alguém duvida?

Aos poucos, a torcida foi chegando. E era gente de todas as idades, que se unia depois de muito tempo. Qual foi o último jogo com casa cheia, uma partida com mais gente do que cabe na Vila Capanema? Jogos da Copa Sul? Alguma partida da Copa do Brasil. Alguma decisão de Paranaense no Pinheirão? Bem, pouco importava. Estava chegando a hora da bola rolar. E a Arena da Baixada estava cheia.

E com a eletricidade que vinha das arquibancadas, o time entrou pilhado? Não. O Paraná tinha os nervos no lugar. Era preciso ter calma, do outro lado estava o melhor time da Série B, o favorito ao acesso. Por isso, o Tricolor se defendia com inteligência e não se lançava como louco. E mesmo assim o Inter ameaçou, com a movimentação do ótimo Nico López, com a presença de Leandro Damião, e com Eduardo Sasha obrigando Richard a fazer uma defesaça.

Havia empolgação, o grito não cessava, mas havia muita tensão. Na torcida e no campo. Gabriel Dias e D’Alessandro se estranharam, o banco do Paraná ia reclamar da arbitragem (confusa) a toda hora, Igor entrou pra rachar em Nico López. A festa virava jogo, jogo a valer. E os gaúchos respeitavam o Tricolor, ficavam fechados na defesa e só saíam na boa.

Neste ritmo, aos poucos o Paraná foi se animando. Robson tentou, Alemão chutou perto, Igor cabeceou para fora. Mas se Gabriel Dias era o dono do jogo, se Cristovam fazia mais uma boa partida, estava faltando o talento que faz a diferença. E Renatinho, que tinha sido muito marcado e sofrido muitas faltas, só apareceu aos 41 minutos. O suficiente para cobrar um escanteio na cabeça de Iago Maidana. Frenesi na Arena. Uma festa que parecia guardada na garganta há dez anos.

A festa foi bonita. Foto: Albari Rosa
A festa foi bonita. Foto: Albari Rosa

E depois da festa, a preocupação. No segundo tempo, o Internacional veio buscando o empate. Guto Ferreira avançou o time, colocou Camilo no lugar de Eduardo Sasha e cercou a área do Paraná. E mandou uma bola na trave com Leandro Damião. Aqueles lances que deixam o torcedor com um frio na espinha. E foram 45 e mais alguns minutos de profunda tensão.

Aí valia tudo para empurrar o time – festejar lateral, bola cruzada, queda do goleiro. E, claro, comemorar como se fosse um gol a divulgação do público total de 39.414, o recorde da Arena da Baixada. E tudo isso tentando fazer o tempo correr mais rápido, porque parecia que o relógio não corria.

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Mas corria. Eram 44 minutos do segundo tempo e a torcida cantava sem parar. Os celulares eram ligados, os flashes acesos. Cinco minutos de acréscimo. Era um tal de “acabou” por todos os lados. E quem disse que o juiz acabava o jogo? Já não havia ninguém sentado. Bola na área, Gabriel Dias corta. Acabou. O Paraná ganhou. O hino era cantado por quase 40 mil pessoas. A noite terminou perfeita.