Em semana de Atletiba, Curitiba respira futebol. Em função da rivalidade entre os clubes mais tradicionais do Estado, do duelo entre os argentinos, da disputa entre as torcidas, do gostinho de chegar à frente do adversário… tudo menos, pela empolgação com o Campeonato Paranaense em si.

A atual edição do Estadual tem sido pouco atraente para o público, e caminha para registrar uma das menores média de público de sua história – pouco mais de 2 mil pagantes por jogo até agora. É também a pior média entre os oito estaduais mais importantes do Brasil em 2010 (veja quadro).

A queda brusca de todos os estaduais já dura pelo menos uma década, e aparentemente, é fenômeno irreversível em época de futebol globalizado. Mas há bons exemplos de torneios que ainda atraem torcida e patrocinadores, mesmo em mercados semelhantes em tamanho e força técnica ao do Paraná. No Mineiro, com fórmula simples e quase todos os jogos em finais de semana, a dupla Atlético e Cruzeiro recebe R$ 5 milhões cada em verba de TV cada – mais que a RPCTV paga por todo o Campeonato Paranaense (R$ 4 milhões).

Os problemas da atual edição do Paranaense começam com a fórmula que inclui o famigerado supermando, um modelo que desagrada todos os clubes e foi mantido por um misto de inércia da FPF e apego canino à lei.

Para piorar, o maior campeão paranaense, o Coritiba, só na 10ª rodada pôde usar o estádio com maior capacidade do Estado. Outros clubes também peregrinaram por problemas seus estádios. Cianorte e Operário fizeram um jogo cada em casa alheia. O Engenheiro Beltrão só mandou dois dos cinco jogos a que tinha direito no João Cavalcanti de Menezes. A exigência de melhores condições a atletas e público seria até louvável, se não fosse realizada com atropelo, após vistorias na semana de início do campeonato, ou laudos pedidos com o torneio em andamento, como no caso da do Engenheiro.

Outro exemplo do caos no Estadual foi o clássico Coritiba x Paraná, confirmado somente três dias antes para Paranaguá, em função da expectativa de retorno do Coxa ao Couto Pereira. Consequências: baixo público (pouco mais de 2 mil pagantes) e falhas na organização – as placas de publicidade foram quase todas retiradas do redor do gramado por equívoco de comunicação entre o Coritiba e a empresa contratada pela FPF para fornecer o material, e não houve tempo para reparação do erro.

Desta forma, os clubes não param de contar prejuízos – só o Coritiba perdeu em média R$ 30 mil em cada uma das quatro partidas em que atuou fora do Couto Pereira. O Paraná Clube, em má fase, contabiliza R$ 25 mil de prejuízo em dois jogos na Vila Capanema, contra Iraty e Operário.

“O futebol do Paraná acabou, está desacreditado”, dispara o sempre polêmico Luiz Linhares, presidente do virtualmente rebaixado Engenheiro Beltrão e da Futpar entidade criada para unir os interesses dos clubes do Estado, mas que pouco tem feito de prático. “O campeonato é medíocre. E sabemos os bastidores de coisas que a FPF fez pra poder interditar nosso estádio”, ataca.

O presidente paranista, Aquilino Romani, vê o campeonato Paranaense abaixo do Catarinense e Gaúcho, segundo ele por conta do maior apoio do empresariado e poder público dos vizinhos do Sul. “O Banrisul paga muito bem para patrocinar a camisa de Inter e Grêmio”, exemplifica, citando o banco estatal gaúcho. “Além disso, os horários dos jogos não são adequados e não há atrativo contra os times do interior”.

O diretor de marketing do Coritiba, Roberto Pinto Júnior, diz que único meio do clube seguir competitivo nacionalmente, mesmo dis,putando o Paranaense, é contando com a adesão do torcedor – algo que até agora não ocorreu. “Cada vez aumenta a distância entre as cotas de TV e de patrocínio em relação aos grandes times do eixo (Rio-SP). Para nos aproximar deles não podemos focar só no Brasileiro, precisamos de fôlego nesses quatro primeiros meses”, aponta.