São Paulo – A três dias do início dos Jogos Paraolímpicos de Atenas, os representantes brasileiros treinaram forte ontem. Um deles foi o tenista Maurício Pommê, que começa a disputa domingo. “Foi bom ter chegado antes para ir entrando no clima olímpico”, afirmou Pommê, que compete de cadeira de rodas. “Já tivemos a oportunidade de treinar na quadra central do complexo. É demais, tudo muito grandioso”, disse Pommê, número 59 do ranking mundial. O Brasil também estará representado no tênis por Carlos Jordan. Ambos competirão nas chaves de simples e duplas. O técnico da equipe é Eduardo Eche, o mesmo de Pommê.

A delegação brasileira terá 91 atletas. Nos últimos Jogos, em Sydney/2000, foram 22 medalhas brasileiras-seis de ouro, dez de prata e outras seis de bronze. Foi o melhor resultado brasileiro desde 1988, quando os Jogos Paraolímpicos passaram a ser disputados na mesma cidade que abriga as Olimpíadas.

Com 21 atletas, a natação é uma das modalidades com grandes chances de ajudar o Brasil a superar esse recorde.

Dentre os destaques da delegação do Brasil, está Fabiana Sugimori, de 23 anos, atleta de Campinas. “Comecei a nadar com três anos e meio e a competir em 1993. Nunca imaginava chegar até onde cheguei. As coisas foram acontecendo”, explica a atleta, deficiente visual, especialista em provas de velocidade como os 50m e 100m livre, que nada também os 200m medley e os 100m peito.

Fabiana foi ouro nos 50m livre na Paraolimpíada de Sydney/2000 e em 2002 conquistou duas medalhas de ouro (50m e 100m livre) no Mundial de Mar del Plata. Só de Jogos Pan-Americanos tem mais de dez medalhas de ouro. A nadadora está otimista para os Jogos de Atenas: “Temos evoluído e os brasileiros têm condições, sim, de brigar de igual para igual com o pessoal de fora. Da natação, fomos para Atlanta/96 com 11 atletas, pulamos para 16 em Sydney/2000 e agora em Atenas temos 21 atletas. É sinal de que estamos evoluindo”.

Caco carrega a bandeira

União. Esta palavra define bem o espírito da delegação brasileira que está em Atenas para a disputa dos Jogos Paraolímpicos. Até na hora da escolha de quem vai carregar a bandeira brasileira na Cerimônia de Abertura, os paraolímpicos são exemplares. Após uma votação de atletas de todas as modalidades, além de membros da delegação, o nadador José Afonso Medeiros, o “Caco”, foi escolhido para carregar a bandeira do Brasil com um total de sete votos. Em segundo lugar, com seis, o maratonista Aurélio Guedes, deficiente visual, ficou encarregado de conduzir a cadeira de rodas de Caco.

Após saberem da notícia, ambos atletas tinham um sorriso estampado no rosto. “O pessoal não precisa ficar preocupado com a gente porque a cadeira tem freio”, brinca o bem-humorado Aurélio, de Marília. O curitibano Caco também não escondeu sua alegria. “Quando me avisaram, fiquei muito honrado porque a delegação tem atletas fantásticos, muito fortes, que também ganharam medalhas em outros anos.”

Os motivos que regeram a escolha de ambos atletas foram basicamente os mesmos: competência e experiência, sem falar de carisma. Entre os homens, José Medeiros é o primeiro nadador paraolímpico brasileiro a ganhar ouro. O feito ocorreu em Atlanta-96. Caco compete desde 1989, o que o torna um dos atletas da atual delegação com mais anos de estrada. Já Aurélio é um dos primeiros maratonistas do País, com deficiência visual. Ele é nada menos que o atual campeão parapan-americano e mundial de sua categoria.