Os bolivianos nem entenderam o que aconteceu em São Paulo. O Brasil transformou o confronto pelas Eliminatórias da Copa do Mundo em um festejo de Independência, com direito a gol-relâmpago, lances de efeito, alterações “populistas” e até anúncio de noivado. No meio de tudo isso, a boa vitória por 3×1 animou o técnico Carlos Alberto Parreira, que acena com formações mais ofensivas já a partir do jogo de amanhã, às 15h45 (de Brasília), contra a Alemanha, em Berlim.

A forma de atuar da seleção não mudou no início do jogo – repetindo claramente a tática das últimas partidas, com um articulador ofensivo e dois centroavantes, no caso Adriano e Ronaldo. A diferença foi o rendimento dos dois, melhorado pela ótima atuação de Ronaldinho enquanto esteve em campo. “Eu fiquei muito satisfeito com o rendimento do time. Nós conseguimos manter a consistência do meio-campo e tivemos muita presença no ataque”, festejou Parreira, amparado nas onze chances claras de gol.

Claro que o treinador reconhece a fragilidade boliviana, mas vê evolução na equipe e ainda a possibilidade de melhora. “É certo que temos muito a melhorar, só que ficou evidente o nosso bom trabalho neste jogo, e que pretendemos repetir contra a Alemanha e nos próximos jogos das eliminatórias”, avisa Parreira, que muda em parte seu discurso.

Sim, pois é o mesmo técnico que, há dez anos, dizia que “o gol é um detalhe” e que era o protótipo do conservador à beira do banco de reservas – assim como seu ídolo e maior conselheiro, o coordenador técnico Zagallo. Agora, Carlos Alberto Parreira se dá ao luxo de fazer a alegria do torcedor paulista e colocar Robinho – tirando o segundo volante Edu e colocando a seleção, que já vencia com sobras, totalmente no ataque.

E ele avisou que pode fazer isso mais vezes. “Acho que é possível jogar com três atacantes, principalmente quando eles têm sentido coletivo, como fizeram na partida o Robinho e o Adriano. Sempre que for necessário ou quando eu sentir que podemos jogar dessa maneira, vamos jogar”, diz o treinador da seleção, com a tranqüilidade de quem é líder das eliminatórias e virtual classificado para a Copa de 2006.

Tanto que ele vai acabar com a pinimba entre CBF, Milan e Bayern de Munique e vai convocar Dida, Cafu, Lúcio, Zé Roberto e Kaká para as partidas contra a Venezuela (dia 9 de outubro, em Maracaibo) e Colômbia (dia 13, em Maceió). Até porque, assim como estes, os que venceram a Bolívia já apresentam o ?espírito Parreira? de defender a seleção. “Estamos felizes pela boa atuação e pelo apoio da torcida. Mas a vitória é mais importante. O fundamental é conquistar os três pontos”, resume Edu.