A direção da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) prometeu dar em 15 dias uma resposta às reivindicações de atletas com os quais se reuniu nesta segunda-feira por duas horas na sede da entidade. Eles integram o Bom Senso FC, grupo que já reúne cerca de 800 jogadores profissionais do País e esteve representado por Paulo André (Corinthians), Dida (Grêmio), Seedorf (Botafogo), Juninho e Cris (ambos do Vasco). No centro da discussão, está um novo calendário para o futebol, que respeite os 30 dias de férias dos atletas, “um período de pré-temporada adequado” e um máximo de sete jogos por mês.

Porta-voz do grupo que entregou um dossiê ao presidente da CBF, José Maria Marin, Paulo André foi o único a falar com a imprensa ao final do encontro. “O movimento busca saídas e soluções para o nosso futebol e envolve vários segmentos”, disse o jogador do Corinthians. Indagado três vezes sobre a possibilidade de greve, se a CBF não atendesse às propostas, Paulo André desconversou e nas três respostas não mencionou a palavra greve. “O fato de eles (dirigentes da CBF) terem nos recebido aqui mostra que estão com boa vontade.”

No documento preparado pelo Bom Senso FC constavam também outras demandas do grupo, como a efetivação de “fair play financeiro” em 2015 e a participação de atletas e treinadores nos conselhos técnicos das competições e entidades.

O fair play financeiro é um instrumento pelo qual os jogadores teriam a garantia de que seus salários seriam pagos em dia, com medidas que levassem “mais disciplina e racionalidade nas finanças dos clubes de futebol”, além de “encorajar os clubes a competir apenas com valores das suas receitas”.

Em declaração ao site da CBF, José Maria Marin se disse satisfeito com a reunião e otimista quanto a uma solução dos problemas. Ele estava acompanhado no encontro de outros dois dirigentes da CBF: o vice-presidente Marco Polo Del Nero e o diretor jurídico Carlos Eugênio Lopes.

O dossiê do Bom Senso FC é ilustrado por quadros comparativos de números de jogos disputados por temporada entre clubes brasileiros e europeus, a diferença de dias entre o último jogo da temporada anterior e o primeiro da próxima – em 2011/12, por exemplo, o Chelsea teve um intervalo de 90 dias para iniciar uma competição oficial; enquanto que no mesmo período, o Santos só dispôs de 34 dias.

“Deixamos a bola com a CBF. Tenho certeza que vamos ser atendidos”, comentou Paulo André, que antes de conversar com os repórteres posou para fotos com os outros quatro atletas que foram para a sede da confederação. “É um passo de cada vez.”

O documento também ressalta uma lista de prejuízos aos atletas em consequência do excesso de jogos: diminuição das reservas energéticas, da força e potência musculares; queda no poder de concentração; dores musculares; redução das defesas imunológicas do organismo; aumento da ansiedade e irritabilidade; limitação do processo criativo. Etc.

Há ainda um pedido especial para que a CBF atue em conjunto com as federações no sentido de dar mais oportunidades aos clubes de médio e pequeno porte, que possam ter um calendário mais amplo, uma vez que muitos desses clubes só têm três meses de atividade por ano.