Foto: João de Noronha

Pelé: medo de afetar a própria imagem.

Pelé ainda vacila para aceitar o convite da CBF para participar da campanha que tenta organizar a Copa do Mundo de 2014 no Brasil. O presidente da entidade, Ricardo Teixeira, tenta convencê-lo a participar do projeto, mas o ex-jogador teme que eventuais problemas relacionados à administração do dinheiro envolvido afetem sua imagem.

Em Lausanne, na Suíça, onde esteve para participar do lançamento de um fundo internacional para investimento em jogadores do futebol brasileiro, Pelé comentou sobre a sua possível participação na organização da Copa de 2014.

?O Brasil tem todas as condições de sediar uma Copa, mas não sacrificando o povo?, disse Pelé. Para ele, empresas devem participar do projeto para não onerar os gastos públicos.

Estimativas feitas pela CBF e passadas aos assessores de Pelé apontam que apenas a construção e renovação de estádios para o mundial em 2014 custariam US$ 2 bilhões. Isso sem contar as obras de infra-estrutura que serão necessárias no País.

Segundo pessoas ligadas a Pelé que estiveram em contato com a CBF, a própria entidade reconhece que organizar o mundial de 2014 exigirá investimentos equivalentes à construção de uma ?nova Brasília?.

Por isso, Pelé deseja colocar certas condições para sua participação no projeto da Copa de 2014. Uma delas poderia ser a criação de um comitê com personalidades brasileiras, o que proporcionaria um maior controle sobre a forma pela qual os recursos serão usados.

Uma reunião entre Ricardo Teixeira e Pelé deverá ocorrer em março. ?Vamos ver como será minha participação. Vou fazer tudo para que o Brasil receba a Copa da maneira possível. O Ricardo (Teixeira) quer conversar sobre isso?, afirmou o ex-jogador.

Comentários

Pelé também afirmou que o técnico Dunga está no caminho certo. ?Não podemos julgar a seleção pelo jogo contra Portugal. Sei que o Brasil quer resultados sempre. Mas não podemos estar preocupados por uma derrota. Portugal estava com um time preparado?, disse o ex-jogador.

Sobre Romário, que busca o milésimo gol da carreira, Pelé foi diplomático. ?Vai ser bom se outro brasileiro atingir essa meta. Mas até hoje só eu consegui. Talvez no futuro alguém consiga?, disse ele, lembrando, porém, que não marcou mil gols sozinho. ?Nunca poderia ter marcado mais de mil gols sem a ajuda de meus companheiros.?

Novidade

Com o nome de Campus Pelé, foi lançado na sexta-feira, na Suíça, um fundo internacional para investir em jogadores do futebol brasileiro. A idéia é encontrar e formar novos talentos no Brasil para negociá-los com o mercado internacional.

A previsão é de captar US$ 30 milhões para o fundo, sendo que quase metade disso já foi conseguido. Além de ceder seu nome, Pelé vai participar do projeto com orientação e supervisão dos jogadores que forem sendo formados.

No Brasil, os jogadores do fundo devem começar pelo Paulista, de Jundiaí. E na Europa, a porta de entrada deles será o time do Lausanne Sport, na Suíça.