São Paulo – O “Rei Pelé” resolveu atacar alguns dos mais polêmicos dirigentes do País. Irritado com as recentes críticas à lei que leva seu nome, o “Atleta do Século” disparou ontem contra os cartolas dos grandes clubes do futebol brasileiro, acusando-os de corrupção e incompetência. Nem os jogadores escaparam: foram descritos como burros e desunidos. “O futebol brasileiro está nessa falência pela falta de profissionalismo e de honestidade dos dirigentes”, disse Pelé, em entrevista em São Paulo. “Os caras roubam os clubes, somem com o dinheiro e vêm pôr a culpa na lei”, completou.

Questionado, o ex-jogador, sem titubear, afirmou que a corrupção afeta a maioria dos cartolas nacionais e citou os do Flamengo, do Corinthians e do Vasco como exemplos de desonestidade. “Cadê o dinheiro que entrou no Flamengo, os R$ 80 milhões da ISL? E o do Corinthians, da Hicks Muse? No Vasco, com o Nations Bank, foram outros R$ 70 milhões. Era para pagar as dívidas, construir estádio… E aonde foi o dinheiro?”

Há um mês, dirigentes do Corinthians e do Flamengo culparam a Lei Pelé pelo fato de os principais jogadores brasileiros estarem em clubes do exterior. “Essa lei está destruindo o futebol brasileiro”, afirmou o vice-presidente do Corinthians, Antônio Roque Citadini, após a saída do lateral Rogério para jogar no Sporting de Portugal. Júnior, diretor do Flamengo, pediu uma reavaliação do texto e disse que a lei contribuiu decisivamente para o êxodo dos craques nacionais.

Para Pelé, a saída de grandes jogadores para a Europa existe desde a época em que ainda jogava, mas a penúria do futebol nacional é recente. “Os times já estavam falidos antes da Lei Pelé. Agora, porque têm de vender jogador, a culpa é da Lei Pelé”, afirmou, indignado.