Nos Jogos de Londres, as provas de ciclismo de pista vão distribuir 30 medalhas. E o Brasil, pelo menos por enquanto, não tem um representante sequer garantido. Visando aos Jogos do Rio, em 2016, foi apresentada nesta quinta-feira, no Rio, a primeira equipe de ciclismo profissional do País filiada à União Internacional de Ciclismo (UCI, na siga em francês): 15 atletas – quatro deles juniores, com idade entre 15 e 19 anos.

O grupo está treinando no Velódromo do Rio, na Barra da Tijuca, construído para o Pan de 2007 – local ainda não confirmado para 2016. A equipe receberá aporte inicial de R$ 3 milhões este ano, resultado de parceria entre a Federação de Ciclismo do Estado do Rio (Fecierj) e o Movimento LiveWright, entidade sem fins lucrativos que conta com os patrocínios das empresas Vale e Caloi por meio da Lei de Incentivo ao Esporte.

O ex-tenista Gustavo Kuerten, o Guga, é conselheiro executivo do grupo. “Queremos descobrir não só um Guga, mas muitos”, disse a coordenadora técnica Dani Genovesi, de 43 anos, vencedora da maior prova em extensão do ciclismo mundial, a Race Across America, em 2009. O técnico inglês Simon Jones, que participou da conquista de 12 medalhas pelo Reino Unido em duas Olimpíadas, é supervisor técnico da equipe.

“Por que não investir em um esporte que está meio abandonado e que tem um enorme potencial de pessoas?”, disse o diretor executivo do LiveWright, Luis Resende. O grupo só investe em modalidades que podem render muitas medalhas, como a ginástica artística. Até o fim do ano, a entidade deve financiar também projetos para vela, judô, remo e atletismo.

“É como um investimento financeiro: vou colocar o dinheiro onde acho que terei um bom retorno, que neste caso é esportivo, ninguém aqui quer fazer dinheiro. Só queremos as medalhas”, disse Resende. “A única contrapartida é comercial, para os nossos patrocinadores”.

Um dos integrantes da equipe, o paranaense Raul Malaguty, de 19 anos, está recebendo “bolsa” pela primeira vez como atleta. “Na base era muito difícil, às vezes não havia nem bicicleta para treinar”, lembrou o jovem. Mais experiente, o paulista Leandro de Larmelina, de 24 anos, estava empolgado com os novos equipamentos. “Coisa que só víamos em vídeo, na internet, e agora temos a oportunidade de usar”.

REBAIXADO – Na semana passada, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) inaugurou, no espaço central do Velódromo, o Centro de Treinamento da Ginástica Artística, um dos melhores do mundo. A novidade, no entanto, impossibilita a realização de competições nacionais de grande porte no Velódromo, de acordo com o presidente da Fecierj, Cláudio Santos.

Em 2008, 2009 e 2010, o espaço recebeu o campeonato brasileiro. “Agora, nós temos aqui um velódromo para treinamento e até para pequenos eventos, mas não conseguiremos mais fazer os grandes”, disse Santos.

O Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio ainda não anunciou o que pretende fazer com o Velódromo para 2016. O espaço, da forma como está, não pode ser usado devido à capacidade reduzida de público e a existência de dois pilares no meio da instalação, que precisariam ser removidos. As opções são: reforma total ou construção de um novo velódromo.