Ígor, que se recupera de cirurgia na face,
foi ao CT visitar os companheiros ontem à tarde.

Ano novo, vida nova. Em 2004, o presidente do Atlético Paranaense, Mário Celso Petraglia, vai mudar de função dentro do clube. Sai do comando do conselho gestor e passa a ser o “cabeça” do conselho deliberativo do clube.

Nas eleições do próximo dia 2, Petraglia encabeçará a chapa única Atlético 3000, que tem ainda Antônio Carlos Betega, Diogo Fadel Braz, Tobias de Macedo e Yara Cristina Eisenbach. Uma vez eleito, o novo conselho deliberativo vai eleger o novo presidente do clube e seus assessores, para que forme o conselho gestor. Podem participar das eleições todos os sócios que estejam com suas obrigações em dia com o clube – que pode ser feito até o dia 1.º.

Na prática, a troca de função não mudará muita coisa. “Desde que o nosso grupo assumiu as rédeas do clube, implantamos um sistema de colegiado, no qual alternam-se os presidentes”, disse Petraglia, lembrando da passagem na presidência de Ademir Adur, Nelson Fanaya e Marcus Coelho. Além do cargo de presidente do conselho deliberativo, Petraglia garante que vai fazer parte do conselho gestor do clube, para acompanhar de perto os passos do clube nos próximos dois anos. “Vou continuar sendo o representante do clube em questões políticas”, diz, referindo-se ao fácil trânsito que ele adquiriu na Confederação Brasileira de Futebol nos últimos anos.

O nome do novo presidente, entretanto, ainda é um mistério. Petraglia garante que o conselho gestor só será realmente definido após a eleição do deliberativo. “Ainda estamos pensando nos nomes”. O novo presidente do clube deve ser eleito ainda na primeira quinzena de dezembro. Nos bastidores, o nome de João Augusto Fleury é forte.

2004

Independente da troca de presidência, uma coisa é certa: o técnico Mário Sérgio permanece no comando da equipe para 2004. Com contrato até dezembro do ano que vem, o treinador tem participado de reuniões com o diretor Alberto Maculan e o presidente Mário Celso Petraglia para definir o elenco para o próximo ano. “Esse ano não foi fácil para a gente, inclusive para mim. É o momento de começar a sacudir a poeira e pensar no futuro”.

Washington treina para assinar contrato em 2004

Há exatamente um ano, o atacante Washington dava entrada na sala de cirurgia para fazer uma angioplastia – desobstrução de uma artéria do coração. A intervenção cirúrgica veio após a descoberta de problemas cardíacos no jogador, que chegou a ter uma parada quando defendia o Fernerbahce, da Turquia.

Muitos pensaram que naquele dia era colocado o ponto final na carreira do atleta, de 28 anos. Mas na cabeça de Washington, tudo não passou de umas férias forçadas – ou uma licença paternidade maior que o normal, já que ele pôde curtir a filha Ana Carolina nesse período. “Ficar um ano parado não é fácil, ainda mais sem poder fazer o que mais se gosta. Mas em momento algum pensei em encerrar a carreira. O futebol é muito importante na minha vida”, disse o jogador à Tribuna.

Hoje, um ano depois, Washington volta aos poucos a jogar. No CT do Caju, ele já participa de coletivos. “O primeiro coletivo depois de tanto tempo foi como uma final de campeonato para mim”, brinca o jogador. Como ainda está em fase de recuperação, Washington não participa de treinamentos físicos fortes – por causa do aumento da freqüência cardíaca – e é cuidado de perto pelo assessor científico do Atlético, Oscar Ericson. “Estou me sentindo bem, mas é bom ter certos cuidados”, diz, garantindo que faz uma alimentação adequada e continua tomando alguns medicamentos.

Apesar de aparentemente bem, o jogador passará por uma prova final antes de assinar contrato com o Atlético para a temporada de 2004. Na primeira quinzena de dezembro, Washington será submetido a novos exames, que serão avaliados por uma junta médica. “Depois de tudo que passei, não vejo a hora de voltar a jogar”, diz.

Torcedor

Quem também terá novidades em dezembro é o zagueiro Igor, que teve de ser submetido a uma cirurgia no olho esquerdo após ser atingido pelo zagueiro Lugano, do São Paulo, na partida disputada na Arena no dia 9 deste mês. Com recuperação mais rápida do que esperado, ele deve voltar a treinar com os companheiros no dia 10 de dezembro. “A previsão era para eu voltar no dia 15, mas vou voltar antes. Não é fácil ficar em casa enquanto o time ainda tem chances de classificação para a Sul-Americana”, diz. Como parte da recuperação, o zagueiro tem que ficar em casa, colocando compressas e colírio nos olhos. “Mas hoje (ontem) fiz questão de dar uma passada para dar aquela força para o pessoal. Também vou fazer questão de ir aos jogos na Arena, mesmo que seja para fazer o papel de torcedor.”

Quem for bem nos três jogos pode garantir contrato

Não foi apenas a busca da vaga para a Copa Sul-Americana que fez o técnico Mário Sérgio se esmerar em um discurso inflamado antes do treino de ontem à tarde. O treinador quer que o empenho seja máximo também porque os três últimos jogos jogos – contra Guarani, sábado, Vasco e Paysandu – servirão para a análise final do elenco. “Vamos colocar todo o mundo para jogar. Será a última chance de mostrar serviço e garantir presença em 2004.” “A Sul-Americana é interessante, mas não acrescenta muita coisa em termos de pretensões. Não é exatamente a esperança de classificação que vai mover o time nos últimos jogos.” Por isso mesmo, antes do treinamento de ontem, Mário Sérgio cobrou seriedade do grupo, até o final do campeonato. Pouco se pôde ouvir da conversa com os pupilos, mas ficou claro o puxão de orelha nos atletas dados a noitadas. Mário disse que não quer saber o que os atletas fazem fora do clube, mas exigirá que eles estejam 100% nesses últimos compromissos. “É a hora de sacudir a poeira e fechar o ano bem. Este ano não foi fácil”, diz o treinador. Consciente, ele prevê dificuldade nos últimos jogos. “O Guarani, por exemplo, é adversário direto na briga pela Sul-Americana”, diz, referindo-se ao adversário de sábado, na Arena.