Na CPI que investiga as obras da Copa do Mundo no Paraná, instalada recentemente pela Assembleia Legislativa, o presidente do Atlético e da CAP S/A, Mário Celso Petraglia, admitiu ontem que os imbróglios em torno da reforma da Arena da Baixada e a demora na liberação de recursos podem levar a uma paralisação da adequação do estádio às exigências da Fifa.

“Corremos o risco de, se não houver liberação rapidamente, paralisarmos as obras”, disse, em depoimento como convidado da comissão, quando explicava o processo para obter os recursos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

O dirigente compareceu na CPI levado pelas denúncias do ex-vice-presidente do Atlético, José Cid Campêlo Filho, que o acusou de beneficiar parentes na compra de serviços para as obras da Arena, como cadeiras e projeto arquitetônico. Em tom teatral, rebateu o ex-aliado. “Meu filho não precisa de benesses. A sociedade da qual ele participa é a que melhor fabrica cadeiras no país. É a maior fornecedora de cadeiras no Brasil e será a maior para a Copa do Mundo”, afirmou, referindo-se à Kango Brasil Ltda., que pertence a Mário Celso Keinert Petraglia, e negando privilégios.

Petraglia levou modelos de cadeiras à comissão, nos quais foram colocados preços comparando os da Kango Brasil Ltda., da Mackey e da Sanko Simeão. Em alguns deles, o valor da concorrência se mostrou mais barato. Um exemplo: a cadeira Berlin (modelo standard) da Kango custa R$ 179,42 contra R$ 175,18 da Mackey (standard).

“Todas as compras que estamos fazendo são de fornecedores paranaenses”, justificou, sem ser questionado sobre a diferença de valores pelos parlamentares da CPI. Para o deputado Ney Leprevost, o que se caracteriza é uma questão ética. “Esse envolvimento não é ético, mas ilegalidade não consegui enxergar”, avaliou.

O presidente da CAP S/A aproveitou a ida à CPI para desferir críticas ao governo do Paraná e à Prefeitura de Curitiba, dizendo que o poder público local é o que menos está sabendo aproveitar os benefícios da Copa. “Contratamos uma empresa para fazer um estudo de impacto da Copa no Paraná. Somos os que estamos mais atrasados, perdendo até para o Rio Grande do Norte. São R$ 5 bilhões de vantagens diretas e indiretas, com um investimento que é 1/4 do que os demais estados estão gastando com estádio”, comentou, para depois contrariar o Tribunal de Contas. “O Atlético entende que não é dinheiro público. É benefício público”, disse, para finalizar com aplausos dos parlamentares e dando tons de pizza para a CPI.

Acusações rebatidas com acusações

O presidente do Atlético e da CAP S/A, Mário Celso Petraglia, ao depor ontem CPI das Obras da Copa do Mundo, devolveu com acusações as acusações de seu ex-vice-presidente, José Cid Campêlo Filho. Aos deputados estaduais, disse que Campêlo se viu num conflito de interesses dentro da organização e saiu atirando. “Ele queria hegemonia do departamento jurídico com qualquer compra. Queria se envolver no processo de compra, quando ele não tinha decisão de compra. Ele vistava do ponto de vista jurídico e não do de compras”, disse o dirigente.

Petraglia admitiu perante a comissão que as prerrogativas de compra para as obras da Arena da Baixada são da CAP S/A e admitiu que houve uma troca ríspida de emails com Cid Campêlo no dia 26 de setembro, onde era questionado sobre os preços das cadeiras contratados da Kango Brasil Ltda., de propriedade de seu filho,

Mário Celso Keinert Petraglia. “Disse que ficasse à vontade, se conseguisse produtos na mesma qualidade e a preços menores. Por outro lado, ele queria trazer mais escritórios para serem contratados pela CAP S/A”, finalizou.