A bola deve voltar a rolar na China, reduto de muitos jogadores brasileiros, no início de junho, após uma pausa forçada em função da epidemia de pneumonia asiática. Aos poucos, com medidas drásticas adotadas pelo governo chinês, a doença está sendo controlada e, conseqüentemente, o pânico vem se desfazendo.

Na China desde o início do ano, o ex-coxa-branca Pícoli (na foto, com máscara), sentiu na pele o desespero da população, especialmente por morar em Huadu, cidade próxima a Guangzhou, um dos principais focos da pneumonia asiática. “Quando a notícia se espalhou pelo mundo, a paranóia tomou conta das pessoas. Poucos se arriscavam a sair de casa e quando o faziam, era de máscaras”, disse o jogador à Tribuna. Por sorte, Pícoli não teve contato com ninguém que tenha perdido algum familiar em decorrência da pneumonia.

Com a vida voltando ao normal, o zagueiro desistiu de arcar com a pesada multa rescisória e tomou coragem de levar a esposa e os filhos para morar com ele. “A minha chegada à China coincidiu com a difusão da doença. Por isso, tive que ficar três meses longe da minha esposa e dos filhos. Foi muito difícil e pensei em voltar. Mas agora, as coisas estão entrando nos eixos”, diz.

Assim como a vida pessoal, Pícoli aposta que o futebol também vai voltar a ocupar um lugar de destaque no coração dos chineses. Como nos estádios há uma grande concentração de pessoas e a pneumonia asiática é transmitida pelo ar, as autoridades paralisaram o campeonato, mesmo porque a média de público dos jogos caiu vertiginosamente. “Antes da epidemia, era casa lotada sempre. Vamos ver como vai ficar agora. Mas acredito que aos poucos o futebol volte a atrair a grande massa torcedora.”

Pícoli é o único jogador transferido do Paraná para a China neste ano, mas outros 34 saíram daqui para jogar em outros países.