Atlético e Coritiba chegaram à última rodada do Campeonato Paranaense de 1970 com chances de ser campeões. Um dos dois seria. O Rubro-Negro ia enfrentar o Seleto em Paranaguá e o Coxa o Grêmio Maringá no Belfort Duarte. Se o Coxa ganhasse e o Atlético perdesse, o Alviverde seria campeão. E vice-versa. Se terminassem empatados, a decisão ia ser em número de pontos ganhos e perdidos. Se empatassem neste critério, o título ia sair na cumbuca. No final do dia 13 de setembro de 1970, um domingo, o Paraná ia ter simultaneamente um campeão e um representante no Torneio Roberto Gomes Pedrosa, que seria anunciado pelo presidente da Federação Paranaense de Futebol, José Milani.

O jogo que chamava mais atenção era o de Paranaguá, pois o Atlético dependia apenas dele para levantar a taça. A torcida rubro-negra invadiu o Litoral. O técnico atleticano, Alfredo Ramos, olhou para o tempo. Estava feio. Ele torceu para a chuva se atrasar. O técnico Hélio Alves, do Seleto, olhou para o tempo e torceu para cair um temporal. O jogo começou às 15h35. Aos cinco minutos de partida, Nelsinho tabelou com Sicupira. A defesa do Seleto falhou. A bola sobrou para Liminha, que serviu Nilson Borges em boas condições. Ele meteu um bico na bola, que bateu no braço do goleiro Expedido e foi morrer no fundo das redes. Mas a torcida iria vibrar ainda mais.

Aos 15, Nelsinho fez o segundo. Aos 18, o Seleto foi para o ataque na base do perdido por um, perdido por dez. Zico devolveu mal um lançamento da direita, Juquinha aproveitou e da meia-lua acertou o ângulo do goleiro Vanderlei. Aos 35, Nilson Borges cobrou falta do setor esquerdo. A bola passou por toda a zaga, inclusive pelos atacantes Sicupira e Nelsinho e foi sobrar nos pés de Liminha, que chutou rasteiro. O primeiro tempo terminou com vantagem atleticana e os jogadores querendo que o tempo passasse. No final do segundo tempo, aos 42 minutos, Sicupira tabelou com Zezé, que lançou Toninho, que entrou na pequena área e chutou sem defesa para Expedito.

Em Curitiba, o Coxa vencia por 2×0 o Grêmio, que diante do que considerou arbitragem tendenciosa para o time da capital, tirou o time de campo, depois de ver dois jogadores seus expulsos. De qualquer forma, o resultado positivo não ajudou em nada o Alviverde. No estádio Orlando Matos, a torcida atleticana não aguentou a emoção do quarto gol, derrubou o portão do alambrado e invadiu o campo para comemorar. “Foi uma coisa de louco”, relembra Nilson Borges. Foi um sufoco para a polícia tirar a galera do gramado.

Após o apito final, a galera atleticana foi à loucura. “Eu me lembro que saí de campo apenas de sunga”, disse Nilson Borges. Assim como o Coritiba há dois anos conquistou um título depois de oito anos na fila, o Atlético conquistava o seu título depois de doze anos de espera. Foi muita emoção. Teve atleticano dizendo que parte do título foi obra do ex-presidente Jofre Cabral que lá no céu levou um papo com São Pedro para segurar a chuva e não atrapalhar a vitória de seu time do coração.

Aquele título também teve um sabor especial para dois craques do time. Foi o último título conquistado pelo lateral-direito Djalma Santos, aos 41 anos, como jogador de futebol. E foi o único título de campeão conquistado pelo ponta-esquerda Nilson Borges, como jogador de futebol. Foi um título que lavou a alma atleticana.