Tachado de “retranqueiro” logo que chegou no Paraná Clube, o técnico Marcelo Oliveira confessa que se sentia incomodado com o rótulo que tentaram lhe pregar no Tricolor. Até porque, como jogador, ele era a antítese da retranca.

“Sempre fui defensor do bom futebol”, diz o treinador, que revela também que um bom time começa por uma boa defesa. Com somente 18 gols sofridos na temporada média de 0,72 gol/jogo , o Paraná tem na sua zaga um dos pontos fortes para se dar bem na Série B do Brasileiro.

Segundo o zagueiro Alessandro Lopes, a competição exige defesa consistente. “Num campeonato como esse, onde a pegada é muito maior do que na Série A, você precisa ter uma defesa forte e precisa”, disse..

O jogador só teve sua presença no grupo confirmada poucos dias antes da largada da Segundona, quando seu contrato foi renovado até o fim do ano. “Estou feliz, porque temos uma equipe sólida e acredito que faremos uma grande campanha, mirando sempre o acesso”.

A confiança do jogador é sustentada pelos números. O Paraná já disputou 25 jogos nesta temporada. Em oito deles, não sofreu gols. Por 16 vezes, a defesa foi vazada uma vez. E, somente uma vez, na abertura do Paranaense, o Tricolor sofreu dois gols (derrota por 2 x 1 para o Rio Branco).

“Times que sofrem poucos gols têm chance de brigar por algo melhor nesta Série B”, destacou Alessandro Lopes. Vasco e Corinthians, os mais recentes campeões da Segundona, por exemplo, levaram somente 29 gols em 38 jogos, média de 0,76 -superior ao atual desempenho da zaga tricolor.

Além do bom momento dos jogadores de defesa composta pelo goleiro Juninho e pelos zagueiros Alessandro Lopes, Irineu e Luís Henrique , há um ajuste quase que natural ao esquema tático.

Mesmo adepto do 4-4-2, Marcelo Oliveira teve que se render à presença de três zagueiros, estratégia enraizada no Paraná desde 2000. Na conquista do Módulo Amarelo da Copa João Havelange o segundo título nacional do clube Geninho moldou essa estratégia com Hilton, Nem e Ageu. Desde então, a cada ano, o 3-5-2 acaba sempre sendo a opção final dos treinadores.

Talvez a grande exceção seja o time de 2003, que brilhou no Brasileiro pela eficácia do seu quarteto de frente, formado por Marquinhos (hoje no Santos), Fernandinho (Cruzeiro), Caio (Avaí) e Renaldo (sem clube).

“O clube está muito adaptado ao 3-5-2. As características dos atletas encaminham para essa formação”, admite Marcelo Oliveira. O treinador, diante dessa segurança defensiva, aposta na mobilidade dos alas e do trio de frente para tornar seu time também eficiente no ataque.