O meia-atacante Nathan está cada vez mais longe de um acordo com o Atlético. Aconteceu ontem em Curitiba uma audiência de conciliação envolvendo clube e jogador para apreciar o pedido de ampliação de contrato solicitado pelo Furacão. Na ação os advogados do Rubro-Negro querem fazer valer à risca o que diz o primeiro contrato profissional do jogador (feito aos 16 anos), que prevê cinco anos de vínculo. Contudo, a Fifa não permite que o primeiro acordo de um jogador quando se torna profissional ultrapasse os três anos de duração. O término desse prazo acontece dia 20 de março de 2015.

O jogador e seus representantes não querem cumprir o restante do contrato se apoiando na restrição imposta pela Fifa, mas o clube alega que a Lei Pelé lhe garante o direito de manter o vínculo por cinco anos. Há jurisprudência que atenda tanto ao requerente, como o requerido.

No encontro mediado pela juíza Karina Amariz Pires no Tribunal Regional do Trabalho em Curitiba, o Rubro-Negro e seus representantes ofereceram um reajuste salarial considerável para Nathan. Os vencimentos atuais do atleta são de R$ 1.500,00 e passariam a R$ 20 mil mensais. Além disso, o clube ofereceu a título de bonificação (as chamadas luvas no linguajar do futebol) R$ 1 milhão. O jogador não aceitou a proposta de conciliação.

José Carlos, pai e empresário de Nathan, considerou frustrante o encontro. “Foi péssimo. É muita pressão para cima de um garoto que não dão oportunidade para jogar. Mesmo assim querem a renovação. É isso que eu não entendo”, explicou à Tribuna 98.

As negociações acontecem desde março deste ano, época em que faltava um ano para o término do vínculo. No dia 30 deste mês o jogador entende baseado no registro do contrato feito na CBF, de apenas três anos que está liberado para assinar um pré-contrato com qualquer equipe. José Carlos garante ter várias propostas, mas nunca mostrou a formalização de nenhuma para o clube ou imprensa.

A juíza solicitou que para o próximo encontro, marcado para março de 2015 (mesmo mês em que o vínculo se encerraria na opinião do jogador) as propostas existentes sejam postas na mesa para que um acordo volte a ser negociado. O pai de Nathan garante que ainda pretende dar a preferência para o Atlético, mas não tem ficado satisfeito com as propostas que o clube apresenta desde que as negociações começaram. As relações estão bem desgastadas.

O técnico Claudinei Oliveira tem relacionado Nathan em algumas partidas do Atlético. Depois de um longo período sem ser chamado, o meia esteve no grupo que foi a Chapecó na 24ª rodada. Questionado sobre sua presença, mostrou-se surpreso. “Nem eu entendi porque me chamaram”, confessou o jogador. O clube chegou a pedir para que o técnico Alexandre Gallo não convocasse o atleta para a seleção brasileira sub-20 (para disputas do Torneio de Toulon) alegando que ele seria utilizado no Brasileirão. Mesmo assim, Nathan demorou para ser relacionado para alguma partida. A briga parece que vai se arrastar por um bom tempo.

O Atlético se pronunciou por intermédio de uma nota oficial. Cita a audiência e a proposta de renovação e bonificação, mas alerta que elas não foram aceitas. Diz ainda que “independentemente da ação judicial, o atleta continua com seu contrato em vigor e normalmente inserido nos planos da equipe principal do CAP para a disputa do Campeonato Brasileiro”.