O São Paulo está tirando o sono de Dorival Junior. Literalmente. Perto de completar um mês à frente do time, o treinador conta que acorda, no meio da noite, pensando na maneira de livrar a equipe do risco de rebaixamento do Campeonato Brasileiro. Em entrevista exclusiva ao Estado, ele também afirma que o clube não pode sofrer um baque nesta quinta-feira diante do Coritiba, no estádio do Morumbi, sob risco de perder o pouco que já conquistou na competição.

Qual é o balanço dos seus primeiros 30 dias no São Paulo?

É muito cedo para fazer uma avaliação. Tivemos muitos jogos em sequência. É um processo difícil o de pegar uma equipe grande correndo risco em um torneio tão difícil. Aos poucos, as coisas vão começando a acontecer e os jogadores começam a ganhar confiança. Estamos iniciando um processo de recuperação. Um passo atrás vai ser um baque grande. Temos de ter equilíbrio e voltarmos a ter boas atuações.

Qual foi o pior momento até agora nesse trabalho?

Não deu para pontuar um momento ruim. Tivemos a derrota para a Chapecoense e os jogadores puderam repensar o que estava acontecendo. A viagem de volta também permitiu uma reavaliação. Estou sentindo a equipe interessada em querer modificar o momento.

Com a saída da zona de rebaixamento, o time subiu um degrau no Brasileiro?

Um degrau? Talvez. É muito? Não. Ainda é muito pouco. O cuidado tem de ser redobrado agora. Não podemos voltar. Temos de ver o campeonato a partir daí. Sem regredir.

Nesse contexto, o jogo desta quinta-feira contra o Coritiba é fundamental?

É um jogo-chave sim. É um jogo preocupante, mas estimulante ao mesmo tempo. Faz com que, a cada degrau, os jogadores se sintam mais confiantes. Estamos em busca de um time mais consistente para o elenco viver um novo momento na temporada.

Em momentos de crise, os jogadores recorrem ao treinador. E o treinador? A quem ele recorre?

A vida do treinador é muito solitária. Trocamos ideias e informações com os auxiliares a todo momento, mas viver uma situação negativa no futebol tem um peso muito maior do que qualquer situação positiva. Você demora para digerir uma situação negativa. No caso de um sucesso, é só aquele momento, alegria. Você precisa focar no que vem em seguida. O treinador comemora pouco e lamenta muito mais.

Você celebrou pouco a vitória sobre o Botafogo por 4 a 3, um resultado histórico…

Também não deixo demonstrar na derrota. Procuro ter certo equilíbrio. O céu e o inferno têm um palmo de distância. E essa página é virada a todo momento. Não comemoro muito. A partir do objetivo alcançado, você precisa pensar no seguinte. São apenas momentos importantes que não podem ser mais importantes do que o próximo desafio.

Você sofre fisicamente nesse período? Dorme menos?

Muito menos. Você tem aqueles lances de acordar à noite e ficar lembrando e relembrando. E demora até relaxar.

Perdeu peso nesse período?

Não, isso não. Se fosse isso, até que seria bom (risos). Isso (a crise) causa naturalmente um incômodo. Isso é natural porque a gente vive de corpo e alma o trabalho. Existe intensidade, entrega e comprometimento. Às vezes, você não comemora, mas lamenta muito. Na vida de treinador, só existe um resultado: a vitória. O segundo não existe.

Diante do estresse da vida de treinador, o que fazer para se reequilibrar emocionalmente?

Leitura, andar de bicicleta, andar sozinho até. Gosto de fazer essas coisas, mas não fiz nada disso nesse último mês.

A torcida do São Paulo tem dado alegrias, não? Para o jogo desta quinta-feira foram vendidos 47 mil ingressos. Está surpreso?

Não, não estou. Já enfrentei o torcedor são-paulino por algumas décadas. É uma torcida que tem feito a diferença e abraçou o time nesse momento. Tem nos ajudado muito em todos os aspectos. Esperamos conseguir dar algum tipo de retribuição dentro do Campeonato Brasileiro.