O presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Jacques Rogge, afirmou nesta sexta-feira que espera que as investigações do polêmico caso envolvendo a atleta sul-africana Caster Semenya sejam conduzidas com mais anonimato e discrição.

Campeã da prova dos 800 metros no último Mundial de Atletismo, em Berlim, Caster está sendo investigada após ser acusada de levar vantagem sobre as adversárias por supostamente ser uma hermafrodita. A atleta passou por testes de feminilidade realizados pela Iaaf, entidade que controla o atletismo mundial, que anunciou nesta sexta-feira que só irá anunciar o resultado dos mesmos e a decisão que tomará sobre a sul-africana em novembro.

Rogge afirmou que o caso envolvendo Caster pode ter sérios efeitos psicológicos sobre a atleta de 18 anos. “Isso é algo que toca muito a alma de um indivíduo. As consequências psicológica e social são realmente tremendas. Isso é algo que preferencialmente deveria ser conduzido discretamente se você tem tempo para fazê-lo”, afirmou o presidente do COI.

O dirigente fez as declarações sobre o caso após o jornal australiano Sydney Morning Herald noticiar que Caster tem os órgãos sexuais masculino e feminino. Segundo o jornal, os testes feitos pela Iaaf indicaram que ela não tem ovários e possui testículos internos que produzem grande quantidade de testosterona.

“É um assunto muito difícil”, afirmou Rogge. “Em uma mão existem várias formas de normalidade em um corpo humano e na química humana. Você tem muitos tipos de possibilidade lá. E isso é muito difícil para se ter um conselho unânime de vários especialistas. Essa não é uma discussão transparente”, ressaltou Rogge.