O franco-argelino Lamine Fofana revelou à polícia ter conseguido com a Match, empresa ligada ao sobrinho do presidente da Fifa, os ingressos que buscava no Copacabana Palace, na zona sul do Rio, onde está hospedada a cúpula da Federação durante o Mundial do Brasil. No luxuoso hotel, estaria também, se ainda não fugiu do Brasil, o integrante da Fifa apontado pela investigação como o líder do esquema milionário de venda de entradas da Copa do Mundo.

No momento da prisão de Fofana, na terça-feira pela manhã, durante a Operação Jules Rimet, o delegado responsável pela investigação, Fábio Barucke, da 18ª DP (Praça da Bandeira), perguntou ao franco-argelino: “Com quem você pega esses ingressos no Copacabana Palace?”. Fofana respondeu: “Match Hospitality”. Na quinta-feira, o delegado revelou que também a empresa, única autorizada pela Fifa para venda de pacotes de ingressos e camarotes, está sendo investigada e que, além do membro da Fifa, a polícia também busca um integrante da Match na quadrilha.

No vídeo, obtido pela reportagem, o delegado pergunta a Fofana para que servia o adesivo da Fifa em seu carro, um chevrolet Meriva alugado. “Esse adesivo da Fifa é o quê?”, questiona Barucke. “Esse é o passe de estacionamento para jogo”, responde em português, com bastante sotaque e misturado a algumas palavras em francês, o franco-argelino. “Quando comprei pela Fifa, veio esse passe de jogo para Rio, Belo Horizonte, Brasília e Rio de novo”, completou Fofana, conhecido por suas amizades com dirigentes, jogadores e ex-jogadores.

Barucke questiona Fofana se, com o adesivo no carro, ele conseguiria ter acesso a alguma festa da Fifa. O franco-argelino nega. “E ao Copacabana Palace?” “Não. Eu ‘vá’ para Copacabana Palace ‘solo’ para pegar ‘el presente’ lá, e ingresso para ‘mi’ família”. “Pegar e levar para sua família? Você não vende não, né?”, pergunta novamente o delegado. “Não, peguei ‘solo’ dez”, responde Fofana. Na operação, foram apreendidos cerca de 130 ingressos com os integrantes da quadrilha, muitos de camarote.

Esta semana, o diretor de marketing da Fifa, Thierry Weil, afirmou em nota que “Mohamadou Lamine Fofana nunca foi credenciado para a Copa do Mundo da Fifa e não teve acesso a nenhum carro oficial da Copa do Mundo”.

A polícia estima que, só no Mundial do Brasil, a quadrilha tinha potencial para lucrar mais de R$ 200 milhões – o promotor Marcos Kac, da 9ª Promotoria de Investigação Penal, que atua em conjunto com a polícia na desarticulação da organização que atuou pelo menos nas últimas quatro Copas do Mundo, estima que o faturamento do grupo com a Copa de 2014 poderia ficar entre R$ 300 e 500 milhões.

No vídeo, o franco-argelino também nega ter escritório em Genebra, na Suíça, mas, segundo o delegado, uma das empresas de Fofana está registrada na cidade suíça, conhecida por seus amplos benefícios fiscais.