Contratado na última janela de transferências do futebol europeu pelo Shakthar Donetsk, da Ucrânia, o meia Marlos se vê em meio a um sonho e um pesadelo. Desde 2012 no país do leste europeu, o jogador, natural de São José dos Pinhais e que começou a carreira no Coritiba, pela primeira vez irá disputar a Champions League, principal torneio entre clubes do mundo, mas também presenciando um dos conflitos mais violentos da história da Ucrânia, que está em guerra com a Rússia.

A situação é tão delicada que a equipe do Shakthar teve que sair de Donestk. Atualmente, o elenco treina em Kiev, capital ucraniana, e joga em L’viv. No final de agosto, o estádio do clube, a Donbass Arena, foi atingido por duas bombas. Mesmo assim, Marlos garante que está bem e quer continuar por lá. “Jamais pensei em deixar a Ucrânia. Tanto é que eu era do Metalist e cheguei ao Shakhtar no início desta temporada, quando os problemas já tinham começado. A Ucrânia foi o país que me deu a oportunidade de jogar na Europa. Desde que cheguei, fui muito bem tratado por todos e aprendi a gostar do país”, disse ele.

Em entrevista exclusiva à Tribuna 98, o atleta de 26 anos relata a situação no país e fala, entre outros assuntos sobre seus objetivos na carreira e também sobre o carinho que tem pelo Coxa.

Tribuna 98 – A Ucrânia vive uma situação muito complicada, com conflitos. Como você está se virando por aí? Tem medo de que a situação piore?

Marlos – Como tudo mundo sabe, a situação está um pouco complicada, mas me sinto seguro. O clube está dando todo o suporte necessário e fazendo de tudo para que a gente trabalhe com segurança e tranquilidade. Aos poucos, as coisas estão se acertando e estamos rezando para que tudo termine bem.

Tribuna 98 – Os seus familiares estão na Ucrânia com você ou você está sozinho?

Marlos – A minha família está comigo, sim. Estamos todos bem, enfrentando a situação com muita união e tranquilidade.

Tribuna 98 – Quando as bombas caíram no estádio do Shakthar, o que passou pela sua cabeça? O fato de vocês estarem longe de Donetsk, de alguma forma melhorou as coisas?

Marlos – Quando as bombas caíram, nós estávamos concentrados para um jogo e ficamos muito chateados porque é a nossa casa, nosso campo. Por outro lado, nenhuma pessoa ficou ferida e isso foi um alívio. O fato de termos saído de Donetsk ajudou bastante. Nós estamos treinando em Kiev e jogando na própria cidade ou em L’viv, que é bem próxima. Kiev é uma cidade muito boa, com uma ótima estrutura e não temos qualquer problema fora de campo.

Tribuna 98 – Qual foi o pior momento pelo qual você passou desde que os conflitos começaram?

Marlos – No começo eu fiquei bem preocupado porque não sabia o que poderia acontecer. Mas o clube fez questão de nos chamar, nos orientar e dar total apoio e segurança. Apesar da situação complicada e da preocupação, não tive maiores problemas.

Tribuna 98 – Você pensou em deixar a Ucrânia e ir jogar em outro lugar? O que o clube passou para você a respeito disso tudo?

Marlos – Não, jamais pensei em deixar a Ucrânia. Tanto é que eu era do Metalist e cheguei ao Shakhtar no início desta temporada, quando os problemas já tinham começado. A Ucrânia foi o país que me deu a oportunidade de jogar na Europa. Desde que cheguei, fui muito bem tratado por todos e aprendi a gostar do país. Sou um profissional e irei cumprir o meu contrato até o fim sem problema nenhum.

Tribuna 98 – Dentro de campo, você vai disputar uma Champions League esse ano. É um sonho jogar a principal competição entre clubes do mundo?

Marlos – Eu já tive a oportunidade de jogar duas edições da Liga Europa e uma vez as eliminatórias de Liga dos Campeões, mas será a primeira vez que disputarei a fase de grupos. É o principal torneio de clubes do mundo e todo jogador tem vontade de participar de uma competição como essa, com projeção mundial. É o campeonato onde e,stão os maiores jogadores do mundo e estou muito feliz em fazer parte disso. Espero que o Shakhtar consiga fazer uma grande campanha.

Tribuna 98 – Você tem apenas 26 anos. Ainda sonha com seleção brasileira? Acredita que jogar no principal clube da Ucrânia pode facilitar para uma convocação do Dunga?

Marlos – Todo jogador de futebol tem esse sonho e eu não sou diferente. Sei que a concorrência é grande e que tenho muito a percorrer, mas confio bastante no meu futebol e sempre sonharei em vestir a camisa do Brasil. Sou bem tranquilo em relação a isso e sei que preciso manter o foco no clube. Se conseguir ajudar o Shakhtar dentro de campo, as minhas chances de ir para a Seleção aumentam.

Tribuna 98 – Quais são seus objetivos no futuro? Pensa em voltar para o Brasil ou sonha em jogar em centros maiores da Europa?

Marlos – Minha vontade é de seguir na Europa. Estou muito bem adaptado aqui. Acabei de trocar de clube e, assim como fiz no Metalist, espero escrever minha história no Shakhtar. Já tive algumas oportunidades para voltar ao Brasil e sou muito agradecido aos clubes que me procuraram, mas meu principal objetivo é seguir crescendo no futebol europeu.

Tribuna 98 – Em relação ao Coritiba, que foi quem o revelou, você ainda mantém contatos com alguém dentro do clube? Tem acompanhado o atual momento do time?

Marlos – Não tenho mais tanto contato com o pessoal, já que saí do clube há muitos anos. Mas tenho um carinho muito grande pelo Coritiba, pois é o clube que me formou e levarei isso comigo eternamente. Sempre que posso, acompanho o Coritiba, o São Paulo e o futebol brasileiro em geral, mas pelos compromissos e pela diferença de horário, fica complicado ver tudo.

Tribuna 98 – Pensa em um dia voltar ao Coxa?

Marlos – É difícil falar sobre isso. Vivi muitas coisas bacanas no Coritiba e tenho enorme carinho pelo clube, mas não gosto de falar sobre o futuro.

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